A batalha das telas ultragrandes ganhou um novo líder absoluto: a Hisense terminou 2025 com 57,1 % de participação mundial no segmento de TVs acima de 100 polegadas, segundo dados de remessas globais da Omdia. É o terceiro ano seguido (2023-2025) em que a companhia assume o topo dessa categoria que exige alta escala de produção e know-how de engenharia de displays.
Laser TV: hegemonia que já dura sete anos
O domínio não para nas telas convencionais. A mesma pesquisa da Omdia mostra que a Hisense manteve a liderança global em Laser TV pelo sétimo ano consecutivo, concentrando 70,3 % do mercado em 2025. Esse tipo de projetor a laser costuma atrair quem busca imagens gigantes (120″ ou mais) sem abrir mão de brilho elevado e menor reflexo — uma alternativa interessante para salas com muita luz ambiente.
RGB MiniLED: a carta na manga para o 8K e o HDR extremo
Por trás desses números, está o investimento pesado da marca em RGB MiniLED — uma evolução direta do Mini LED que divide o backlight tradicional em milhares de zonas de iluminação independentes. Na versão da Hisense, cada uma dessas zonas utiliza LEDs vermelhos, verdes e azuis dedicados, elevando a cobertura de cor (BT.2020) e o pico de brilho. O resultado prático é:
- Contraste mais próximo do OLED, mas sem risco de burn-in;
- Brilhos acima de 3.000 nits, perfeitos para conteúdos em HDR10+ e Dolby Vision;
- Menos blooming (auréola luminosa) em legendas ou HUDs de jogos.
Para jogadores de PC ou console, vale ficar de olho: modelos como o 116UXS exibidos na CES 2026 prometem taxa de atualização de 144 Hz, HDMI 2.1 completo e ALLM. Em outras palavras, menor latência e suporte nativo a 4K/120 fps em títulos competitivos.
Como a Hisense se compara às rivais?
• Samsung Neo QLED: também usa Mini LED, mas com backlight de “Quantum Matrix”. Ganha em software e número de apps, porém continua com LEDs brancos filtrados por Quantum Dots, enquanto a Hisense parte direto para emissão RGB.
• TCL X955 / X11G: traz Mini LED de até 5.000 zonas e pico de 5.000 nits, porém ainda não adota o RGB MiniLED em escala comercial. A chinesa vem brigando por preço agressivo, mas a Hisense se apoia em maior controle de cor nas linhas topo de linha.
Impacto para quem pensa em uma TV de 100″ ou mais
No Brasil, a oferta oficial de telas nesse tamanho ainda é tímida e cara, mas o avanço global da Hisense pressiona os concorrentes e tende a abaratear os modelos de 98″ a 110″ já em 2026. Para o público, isso significa:
- Salas de cinema em casa com projeção nativa 8K ou 4K/144 Hz;
- Experiência imersiva sem projetor, evitando perda de contraste em cômodos iluminados;
- Portas HDMI 2.1 múltiplas para consoles de nova geração e PCs high-end com GPUs RTX 40 ou Radeon RX 7000.
Ecossistema completo: de TriChroma Laser a MicroLED
Além do MiniLED RGB, a Hisense mantém linhas TriChroma Laser TV — que utilizam três lasers (RGB) para alcançar 107 % da gama BT.2020 — e investe em MicroLED, tecnologia considerada o “santo graal” dos painéis modulares sem backlight. Essa diversificação ajuda a empresa a negociar melhores preços de componentes e a responder rápido às mudanças de demanda.
Imagem: Internet
Próximos passos
Segundo a Omdia, o mercado de telas gigantes deve dar um salto a partir de 2026, impulsionado por transmissões esportivas em 8K e pelo corte de preços de painéis Mini LED. Se o histórico se mantiver, a Hisense deve usar sua vantagem de escala para lançar linhas intermediárias de 100″ abaixo do preço psicológico dos 10 mil dólares — e, eventualmente, trazer variantes mais “palatáveis” ao varejo online brasileiro, onde modelos de 85″ já figuram entre os mais vendidos na Amazon.
No curto prazo, fique atento às séries UR8 e UR9, que conjugam o mesmo backlight RGB MiniLED do 116UXS em tamanhos menores (75″-95″) e prometem chegar primeiro à América Latina.
Enquanto isso, quem busca uma experiência similar sem ocupar toda a parede pode considerar os projetores a laser XR10, também destacados na CES, que entregam imagem de 150″ com taxa de contraste nativa mais alta que a de DLPs convencionais.
No fim das contas, a estratégia da Hisense aponta para um futuro em que telas monumentais deixam de ser exclusividade corporativa e passam a caber (literalmente) na sala do consumidor entusiasta — e tudo indica que a maratona de séries ou aquela final de e-Sports nunca mais será a mesma.
Com informações de Mundo Conectado