Resident Evil Requiem chegou em 27 de fevereiro de 2026 e, em apenas cinco dias, ultrapassou 5 milhões de unidades vendidas — façanha que nem Village nem os remakes de RE2 e RE4 alcançaram no mesmo período. No Steam, o pico histórico de 344 mil jogadores simultâneos cravou o nome do novo capítulo da franquia na lista dos maiores lançamentos de terror já registrados na plataforma. Mas o que poucos sabem é que tudo isso só foi possível depois de a Capcom jogar fora uma versão inteiramente diferente do projeto. A seguir, destrinchamos os bastidores que transformaram Requiem no maior sucesso da série.
Dois protagonistas, duas experiências — e zero zona de conforto
A campanha tem estrutura “pingue-pongue”: o jogador alterna entre a agente do FBI Grace Ashcroft e o veterano Leon S. Kennedy. A ideia vem de Masato Kumazawa (produtor) e Akifumi Nakanishi (diretor): recuperar o ritmo clássico de tensão crescente seguida de catarse explosiva, só que amplificado.
• Grace entrega o terror tradicional, com munição contada, perseguições ao estilo RE7 e um clima claustrofóbico que lembra o remake de RE2.
• Leon assume a parte “show de ação”, mesclando hordas de inimigos e tiroteios fluidos que remetem a RE4.
O resultado é um montanha-russa de emoções: a Capcom compara a sensação a entrar em uma sauna escaldante e, logo depois, mergulhar em água gelada — alívio que dura pouco, porque o ciclo recomeça.
Por que Leon não segurava o terror — e quem salvou o projeto
No primeiro protótipo, Leon era o único protagonista. Testes internos, porém, mostraram que o personagem é tão confiante que o medo simplesmente não “cola” nele. “Ninguém quer ver Leon pulando de susto por causa de um balde”, brinca Nakanishi. A solução foi criar alguém ainda mais vulnerável que Ethan Winters (RE7/Village): surge então Grace, filha da repórter Alyssa Ashcroft (Resident Evil Outbreak). Ela mal sabe atirar — exige raciocínio e sangue-frio do jogador, inaugurando o conceito de horror viciante: vencer o pavor vira o grande “prêmio” da partida.
Câmera dupla: duas mecânicas, não só dois ângulos
Requiem permite jogar em primeira ou terceira pessoa desde o minuto zero, mas isso custou caro: “foi como desenvolver dois jogos em paralelo”, admite Kumazawa. Animações exclusivas, balanceamento próprio e até design de som foram refeitos para cada perspectiva. Exemplo? Em terceira pessoa, Grace tropeça e ofega visivelmente durante perseguições; em primeira pessoa, a mesma cena traz vibrações no controle DualSense para transmitir o pânico sem quebrar a imersão.
RE Engine turbinado: path tracing completo e cabelos com física real
Se você tem um PC com placa de vídeo da série NVIDIA RTX 40 ou AMD Radeon RX 7000, prepare-se: este é o primeiro Resident Evil com suporte integral a path tracing — iluminação em nível cinematográfico. A Capcom também reescreveu trechos do RE Engine para a nona geração: cada fio do cabelo de Grace reage ao vento, suor e movimentos bruscos. Consoles não ficam de fora: PS5 e Xbox Series X oferecem mode performance a 60 fps com ray tracing parcial, enquanto o Nintendo Switch 2 roda a 40 fps fixos via upscaling FSR 3.
Imagem: William R
Mundo aberto? Multiplayer? Capcom apertou o freio a tempo
Antes de chegar à versão final, Requiem quase virou um jogo em mundo aberto com modo online. A equipe descartou o conceito pois “a parte de terror ficou leve demais”, segundo Kumazawa. A decisão segue a lição aprendida com Resident Evil 7, que também abandonou microtransações e foco em ação para recuperar o DNA de sustos.
Retorno (assustador) a Raccoon City
Os cenários rurais de RE7 e Village deram lugar à metrópole infectada onde tudo começou. Nada de nostalgia gratuita: o objetivo é reconectar a trama e permitir que a dupla de protagonistas vivencie o legado sombrio da Umbrella de ângulos opostos. Quem gosta de lore vai reconhecer pontos turísticos icônicos — revisados com texturas em 8K — e novas áreas subterrâneas que aproveitam o SSD dos consoles para loadings instantâneos.
O que isso significa para você, jogador (e seu setup)
• PCs gamers intermediários (RTX 3060 / RX 6600) rodam bem em 1080p, mas para path tracing em 4K vale pensar em GPUs topo de linha.
• Quem prefere terror raiz pode jogar toda a campanha com Grace em primeira pessoa.
• Fãs de ação frenética encontrarão nas seções de Leon um “mini-RE4” aprimorado.
• Alternar entre os dois estilos ajuda a “respirar” entre sustos — um convite perfeito para sessões longas de gameplay.
No fim, Resident Evil Requiem não é apenas o título que quebrou recordes de vendas; ele prova que, quando a Capcom ouve a comunidade e respeita o próprio legado, consegue entregar dois jogos completos dentro de um único pacote — com tecnologia de ponta que já nasce preparada para as próximas gerações de placas de vídeo e consoles.
Com informações de Hardware.com.br