As novas alíquotas de Imposto de Importação definidas pela Resolução Gecex nº 852 — que elevam tarifas de 0% para 7,6% e de 7,6% para 20% em parte da cesta de eletrônicos — não devem gerar “choque de preços” no curto prazo, segundo Arno Gleisner, diretor de Comércio Exterior da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços do Brasil (Cisbra). Entretanto, o executivo faz um alerta: se o ajuste vier para ficar, o consumidor pode sentir o efeito no ritmo de chegada de novos processadores, placas de vídeo, mouses high-end e outros periféricos que hoje chegam primeiro por importação.
Por que o bolso do gamer ainda respira aliviado
Na leitura de Gleisner, a variação de até 20% não é grande o suficiente para desestimular a importação. Isto significa que, na prática, o preço final de uma NVIDIA GeForce RTX 4070 Super ou de um AMD Ryzen 7 7800X3D não deve saltar nas próximas semanas. Importadores costumam diluir variações cambiais e tributárias em contratos semestrais ou anuais, evitando repassar, de imediato, cada ponto percentual ao consumidor.
Além disso, as novas alíquotas se mantêm dentro da média internacional. Países membros da OMC aplicam, em geral, de 0% a 25% sobre bens de informática, o que tira do Brasil a pecha de “ponto fora da curva”.
O efeito dominó no médio e longo prazo
Se a medida permanecer sem data para expirar, o cenário muda. O especialista teme que a tarifa reduza o incentivo à inovação local e, ao mesmo tempo, encareça a rotação de estoque dos varejistas. O resultado pode ser um mercado menos ágil na oferta de lançamentos como a próxima geração de placas Radeon RDNA 4 ou os vindouros Intel Core Ultra 200.
“No curto prazo, a lógica é defensiva e justificável. No longo prazo, o governo deveria buscar equilíbrio fiscal cortando despesas, não elevando impostos”, pontua Gleisner. Segundo ele, proteger a indústria nacional com tarifa permanente costuma retardar ganhos de eficiência e travar investimentos em P&D.
Imagem: William R
Comparativo: como ficam os preços frente a outras gerações
Para se ter ideia, quando o dólar subiu de R$ 4,50 para R$ 5,30 em 2020, o valor médio de uma GTX 1660 Super saltou de R$ 1.300 para R$ 1.900 — variação de 46%. Já uma alíquota adicional de 7,6% representaria, hoje, aumento aproximado de R$ 150 em um teclado mecânico premium de R$ 2.000. Ou seja, o câmbio ainda pesa mais que a nova tarifa, mas a combinação de ambos pode acelerar a alta caso o cenário cambial piore.
O que observar nos próximos meses
- Reposição de estoque: lojas online podem segurar compras externas até entender o real impacto líquido da tarifa.
- Lançamentos globais: produtos anunciados entre COMPUTEX e Gamescom tendem a chegar primeiro via importação; atrasos passarão a ser um bom termômetro do efeito da medida.
- Movimento do Congresso: projetos de lei já tentam derrubar o aumento, mantendo a discussão na pauta política.
Para o consumidor, a dica é monitorar promoções e variações de preço. Caso o dólar permaneça estável, os aumentos podem ser absorvidos na margem das varejistas. Contudo, se a tarifa se tornar permanente e o câmbio piorar, adquirir hardware de gerações atuais — como mouses gamer com sensor 26 K, headsets com DAC dedicado ou SSDs NVMe 4.0 de 2 TB — pode sair mais em conta do que esperar por novas linhas.
Com informações de Hardware.com.br