Se você usa o smartphone para tudo — do banco ao game mobile que exige autenticação em duas etapas — espere ouvir muito falar do ZeroDayRAT. O novo spyware, revelado pela empresa de segurança iVerify, vai além de exibir pop-ups incômodos: ele toma posse total de aparelhos Android (5 a 16) e iOS (até a versão 17), acessa câmeras, microfone, apps de carteira digital e ainda troca o endereço da sua cripto sem que você perceba.
Do submundo do Telegram para qualquer celular
Ao contrário de ameaças mais “artesanais”, o ZeroDayRAT é vendido abertamente em canais do Telegram. O pacote inclui um painel de controle amigável que dispensa conhecimentos avançados: basta selecionar a vítima e começar a espionar.
Invasão facilitada por smishing e links maliciosos
A porta de entrada mais comum é o smishing (SMS fraudulento), mas o malware também chega via e-mail de phishing, lojas de apps falsas e links em WhatsApp ou Telegram. Depois de instalado, o invasor vê:
- Modelo do dispositivo, versão do SO e operadora;
- Histórico de apps abertos;
- Linha do tempo das atividades do usuário;
- Mensagens SMS, inclusive códigos de 2FA enviados pelo banco.
Espionagem ao vivo digna de filme de ação
Pelo painel, o criminoso pode transmitir em tempo real as câmeras frontal e traseira, gravar a tela ou ouvir o ambiente via microfone. Tudo isso somado a um keylogger completo, que registra cada caractere digitado e a hora exata.
Módulos financeiros: o golpe que esvazia bancões e carteiras cripto
O ZeroDayRAT traz dois plugins temidos:
- Ladrão de criptomoedas: escaneia apps como MetaMask, Trust Wallet, Binance e Coinbase. Ao detectar um endereço copiado, substitui pelos dados do atacante.
- Ataque a apps bancários e carteiras digitais: cria telas de sobreposição em plataformas como Google Pay, Apple Pay, PhonePe e PayPal para roubar login e senha.
Com isso, o criminoso controla contas correntes, cartões e ativos digitais do mesmo dashboard. Para quem investe em cripto ou faz trading pelo celular, o risco vai muito além de uma simples dor de cabeça.
Por que gamers e entusiastas de hardware devem se preocupar?
Jogadores que usam autenticação por SMS em serviços como Steam Guard, PlayStation Network ou Xbox Live viram alvo fácil: o spyware intercepta o código na hora. Além disso, processos de gravação de tela em background podem roubar FPS e triturar a bateria, prejudicando partidas competitivas.
Imagem: Marcela Gçalves
Checklist de proteção: blindagem sem paranoia
Embora nenhuma solução seja infalível, combinar boas práticas diminui drasticamente o perigo:
- Desconfie de links em SMS ou apps de mensagem, mesmo que pareçam do banco ou da operadora.
- Mantenha o sistema atualizado: os patches mensais do Android e os updates do iOS fecham brechas exploradas por RATs.
- Baixe apps apenas das lojas oficiais. Se precisar de APKs de fora, prefira fontes verificadas como F-Droid e use antivírus confiável.
- Considere chaves de segurança físicas (U2F) para 2FA, que não dependem de SMS.
- Ative proteção por biometria em carteiras digitais e aplicativos bancários.
E as fabricantes, o que dizem?
Apple e Google afirmam investigar ativamente campanhas que tiram proveito de falhas zero-day. No curto prazo, os usuários ficam com a responsabilidade de atualizar o SO e evitar instalar qualquer app fora do radar. Já provedores de segurança móvel, como Malwarebytes e Bitdefender, prometem adicionar assinaturas específicas para o ZeroDayRAT ainda neste mês.
Em um cenário de espionagem cada vez mais acessível, o ZeroDayRAT é o lembrete de que segurança mobile não é opcional. Um clique em SMS suspeito pode custar suas economias — e até aquela épica jogatina do fim de semana.
Com informações de Hardware.com.br