O futuro finalmente chegou — e tem três dobradiças. A Samsung iniciou nesta terça-feira (27) a pré-venda do Galaxy Z TriFold, primeiro smartphone comercial com tela tripla do mercado norte-americano. A novidade aterrissa nas lojas dos EUA em 30 de janeiro por US$ 2.899, algo próximo de R$ 15,1 mil na conversão direta, antes de impostos. Nunca um celular de linha “de consumo” havia ultrapassado, com tanta folga, a barreira dos dois mil dólares.
Preço salgado, distribuição limitada
Para manter a aura de exclusividade, o TriFold não será vendido por operadoras. Ele fica restrito às Samsung Experience Stores físicas e ao e-commerce oficial, em apenas uma cor (Crafted Black) e dois volumes de armazenamento: 512 GB ou 1 TB. Na prática, a sul-coreana mira colecionadores, executivos e entusiastas dispostos a pagar o valor cheio — estratégia semelhante à que vimos no lançamento do primeiro Galaxy Fold em 2019, mas agora em um patamar de preço inédito.
Três telas que viram um “mini-notebook” de 10 pol.
Ao se abrir em dois pontos, o Z TriFold revela um gigantesco display Dynamic AMOLED 2X de 10 polegadas. É quase a mesma área visível de um iPad, só que cabendo no bolso. A taxa de atualização de 120 Hz e o pico de brilho de 1.600 nits prometem fluidez e cores vivas tanto para filmes quanto para games competitivos.
Fechado, o dispositivo assume o formato barra tradicional, com tela externa de 6,5 pol. — ideal para interações rápidas, como responder mensagens ou chamar um carro por aplicativo.
Desempenho de desktop em um corpo de 3,9 mm
Por dentro, o super-dobrável traz o Snapdragon 8 Elite (3 nm) e 16 GB de RAM LPDDR5X. É a mesma plataforma que equipa flagships como o Galaxy Z Fold 7, mas aqui ela encontra espaço para trabalhar em modo DeX sem fio nativo: basta conectar o celular a um monitor compatível e parear um teclado Bluetooth para ter uma experiência de “PC” instantânea.
A bateria de 5.600 mAh, com recarga de 45 W, foi dimensionada para aguentar jornadas longas de produtividade. Segundo a Samsung, o aparelho preserva até 95 % da capacidade após 500 ciclos completos, algo importante para quem troca de celular com menos frequência.
Comparativo rápido: Z TriFold vs. Z Fold 7 vs. iPhone 17 Pro Max
Tela: 10 pol. contra 7,6 pol. (Fold 7) e 6,7 pol. (iPhone).
Preço nos EUA: US$ 2.899 vs. US$ 1.999 e US$ 1.999 (2 TB), respectivamente.
Espessura aberta: 3,9 mm — mais fino que a maioria dos tablets premium.
Público-alvo: quem precisa de multitarefa pesada em mobilidade máxima e não quer carregar tablet + smartphone separados.
Impacto para jogos e streaming
Gamers móveis ganham mais área útil para controles virtuais sem obstruir a imagem, enquanto o áudio estéreo promete palco amplo para jogos de tiro. Já no streaming, o formato 4,3:7 minimiza bordas pretas em filmes 21:9, algo que incomoda em telas tradicionais.
Imagem: Internet
Durabilidade: vale confiar em três dobradiças?
A Samsung garante 200 mil ciclos de abertura, número equivalente a dobrar o aparelho 100 vezes por dia durante cinco anos. A estrutura combina titânio na dobradiça central e vidro ultrafino de segunda geração (“Gorilla Glass Ceramic 2”) nas áreas de contato. Ainda assim, o grau de proteção IP48 é mais modesto que o IP68 dos smartphones convencionais, então mergulhos prolongados continuam proibidos.
E o Brasil, quando?
A marca não confirmou venda oficial por aqui, mas fontes do varejo apontam apresentação local até o segundo trimestre. Caso isso se confirme, o preço deve ultrapassar R$ 20 mil após impostos, colocando o TriFold acima do Huawei Mate X (hoje na casa dos R$ 17 mil) como o smartphone mais caro do país.
Para quem avalia importar, lembre-se: além do dólar, é preciso considerar 60 % de imposto de importação + ICMS estadual. Na prática, a conta pode chegar fácil aos R$ 25 mil — valor semelhante ao de alguns notebooks gamer com RTX 4080.
Por que isso importa?
Mesmo com preço proibitivo, o TriFold serve como vitrine de tecnologias que devem aparecer em celulares mais acessíveis nos próximos anos: telas sem vinco, múltiplas dobras e baterias otimizadas para multitela. Se você costuma esperar pela “versão de terceira geração” antes de investir, anote: os avanços testados aqui podem desembarcar em futuros Galaxy Z Flex ou até em dobráveis da Apple, caso os rumores de 2026 se confirmem.
No fim do dia, o TriFold não é para todos — mas redefine o que esperamos de um smartphone e pressiona concorrentes a inovar. Quem ganha é o usuário, que verá formatos mais versáteis e, com o tempo, preços mais competitivos.
Com informações de Mundo Conectado