Se você já abriu o aplicativo de transportes depois da meia-noite ou num domingo ensolarado e tomou um susto com o valor da corrida, saiba que não foi azar. Um novo levantamento da Gaudium, responsável pela plataforma de despacho Machine, confirma em números o que todo passageiro sente no bolso: as tarifas podem disparar até 52% nesses horários de alta demanda e baixa oferta de motoristas.
Os números que explicam o “susto” na tela do celular
O braço analítico Data Gaudium vasculhou milhões de corridas registradas em apps regionais de todo o Brasil entre janeiro e maio. O resultado mostra que:
- Domingo: ticket médio de R$ 19,59 — 24% acima da média de segunda a sábado (R$ 15,82).
- Madrugada (0h–5h): ticket médio de R$ 24,12 — 52% mais caro que no restante do dia (R$ 15,88).
- Preço por quilômetro: R$ 3,47 aos domingos (+5,5%) e R$ 3,74 na madrugada (+13%) em comparação aos horários “comuns”.
O combo de poucos motoristas na rua, maior percepção de risco e custos extras (como combustível e tempo de espera) cria a tempestade perfeita. O famoso preço dinâmico entra em ação, elevando o valor justamente quando você precisa — ou não pode esperar — por um carro.
Apps regionais repetem o comportamento dos gigantes
A pesquisa focou em plataformas menores para evitar o viés das grandes malhas urbanas, mas o padrão se replica em Uber, 99 e afins. “O algoritmo é o mesmo: equilibrar oferta e demanda”, resume Vinícius Guahy, coordenador da Gaudium. Ou seja, não adianta trocar de app quando a cidade inteira quer sair da balada às três da manhã.
O que isso significa para quem depende do aplicativo?
1. Planejamento é economia: se possível, antecipe ou adie o deslocamento para fugir dos picos. Às vezes 30 minutos fazem diferença no preço final.
2. Corridas curtas também ficam caras: o aumento porcentual é aplicado sobre o valor base; mesmo trajetos de 3 km sentem o baque.
3. Segurança tem custo: à noite, o algoritmo considera o risco percebido pelo motorista e tende a remunerá-lo melhor — repassando parte dessa conta ao passageiro.
Como a tecnologia pode jogar a seu favor
Nem sempre dá para escolher o horário, mas algumas boas práticas — e gadgets certos — ajudam a minimizar prejuízos:
Imagem: William R
- Celular com bateria parruda (5.000 mAh ou mais) evita ficar refém de tomadas de bar durante a espera por tarifas baixas.
- Smartwatches com GPS independente permitem checar a localização do motorista sem desbloquear o telefone toda hora, economizando bateria em longas madrugadas.
- Planos de dados 5G reduzem o tempo de atualização de tarifas dinâmicas, dando mais chances de “capturar” o preço quando ele cai.
- Fones com cancelamento de ruído podem transformar a espera em algo mais confortável — especialmente em pontos movimentados.
Todos esses acessórios já estão amplamente disponíveis no varejo on-line brasileiro e, além de aumentarem o conforto, podem pagar-se em poucos meses se evitarem corridas supervalorizadas.
Tendência é de alta sustentada?
Com a retomada dos eventos presenciais e a escassez de motoristas cadastrados — muitos migraram para entregas de aplicativos —, especialistas não veem sinal de alívio a curto prazo. Para os passageiros, vale atenção redobrada aos horários críticos e uso inteligente da tecnologia para monitorar variações de preço. Enquanto isso, o algoritmo segue fazendo o que faz de melhor: cobrar mais quando pode.
Com informações de Hardware.com.br