O Disney+ quer ocupar o mesmo espaço que hoje você dedica a rolar o feed do TikTok ou do Instagram Reels. Durante a CES 2026, a companhia confirmou que lançará um feed de vídeos verticais no aplicativo de streaming, começando pelos Estados Unidos e expandindo gradualmente para outros mercados.
Por que a Disney entrou na onda do vídeo vertical?
Os curtas em formato 9:16 viraram o padrão de consumo rápido nos smartphones, impulsionados por TikTok, YouTube Shorts e Reels. Só que, diferente de redes sociais abertas, o Disney+ trabalha com um catálogo premium e curado. A aposta é usar esse mesmo formato para:
- Aumentar o tempo diário que o assinante passa no app;
- Promover séries e filmes do catálogo de forma menos intrusiva do que banners tradicionais;
- Atrair usuários que preferem assistir em telas menores, como iPhone, Galaxy ou mesmo o Fire TV Stick no modo tela cheia.
A estratégia não surgiu do nada. Em agosto de 2025, a empresa testou o recurso “Verts” dentro do aplicativo da ESPN. O engajamento acima da média confirmou que a navegação em formato vertical pode se tornar um hábito diário, algo que Netflix e Amazon Prime Video também perseguem com iniciativas como “Fast Laughs” e “MiniTV”.
Como o recurso vai funcionar no app?
Segundo Erin Teague, vice-presidente executiva de produtos da Disney Entertainment e ESPN, não se trata de um “repositório de trailers”. O feed trará quatro tipos principais de conteúdo:
- Produções originais de curta duração (mini-episódios e esquetes);
- Clipes sociais reaproveitados das contas oficiais de Marvel, Star Wars, Pixar e National Geographic;
- Cenas reeditadas de episódios ou filmes longos, pensadas para quem quer apenas um “gostinho” antes de dar play na obra completa;
- Conteúdos híbridos, misturando bastidores, entrevistas e curiosidades em poucos segundos.
O feed será 100% curado, sem uploads de usuários. A curadoria busca garantir que cada swipe entregue algo relevante, evitando o efeito “rolagem infinita vazia” típico de redes sociais.
O que muda para você que assiste no celular — ou na TV?
Na prática, o novo formato promete:
- Navegação instantânea para maratonar curtinhas na fila do banco ou no intervalo do trabalho;
- Descoberta rápida de novos episódios, facilitando o “gancho” para a reprodução completa em tela cheia;
- Integração com dispositivos: quem usa dongles como o Fire TV Stick 4K Max ou TVs que rotacionam a tela (caso da Samsung Sero) pode experimentar o vertical sem perder qualidade.
Se você consome Disney+ em monitores ultrawide ou na televisão tradicional, nada muda: os filmes e séries continuam disponíveis no clássico 16:9. O feed vertical ficará restrito às versões mobile e a alguns dispositivos que aceitam rotação.
Imagem: Internet
De olho no futuro: inteligência artificial no backstage
O anúncio veio poucas semanas após a Disney fechar acordo de licenciamento com a OpenAI para usar o Sora, modelo de geração de vídeo por IA. A empresa garante que o plano para vídeos verticais vai além do conteúdo gerado artificialmente, mas não descarta usar a tecnologia para criar compilações automáticas ou recortes inteligentes — algo que pode acelerar a produção de clipes focados em personagens, por exemplo.
Concorrência cada vez mais acirrada
Com Netflix testando planos com anúncios e a Amazon redesenhando toda a interface do Fire TV, a briga pela atenção do assinante nunca foi tão forte. Ao trazer o formato que dominou as redes sociais para dentro de um ambiente premium, o Disney+ sinaliza que o futuro do entretenimento doméstico será híbrido: metade cinema em 4K, metade experiência vertical e imediata.
Para o usuário final, a novidade é uma vitória: mais conteúdo adaptado ao jeito que realmente usamos o smartphone e, possivelmente, mais razões para abrir o aplicativo diariamente — seja para maratonar a última temporada de The Mandalorian ou apenas conferir um clipe inédito do Homem-Aranha enquanto espera o café ficar pronto.
Com informações de Mundo Conectado