A estreia da SpaceX na Bolsa de Valores mal completou uma semana e já quebrou todos os recordes: a companhia de Elon Musk saltou de uma avaliação inicial de US$ 1,7 trilhão para impressionantes US$ 2,95 trilhões, ultrapassando Amazon e Microsoft em capitalização de mercado. A disparada de 20 % na segunda-feira, seguida por mais 8 % na terça, colocou a fabricante de foguetes – e agora gigante de data centers – na lista das quatro empresas mais valiosas do planeta.
Por que investidores apostam pesado na SpaceX?
Embora o balanço de 2025 mostre receita de US$ 18,7 bilhões e prejuízo de US$ 4,9 bilhões (bem distante dos US$ 78 bilhões de lucro líquido da Amazon), o mercado enxerga na SpaceX um ativo raro: infraestrutura de hardware de IA em escala nunca vista.
- Contrato com o Google: 110 mil GPUs NVIDIA locadas por US$ 920 milhões mensais até 2029 (quase US$ 30 bilhões no total).
- Contrato com a Anthropic: uso exclusivo do data center Colossus 1, em Memphis, com 220 mil GPUs e 300 MW de potência.
Em um momento em que desenvolvedores correm atrás de cada unidade da série NVIDIA H100, a SpaceX virou sinônimo de capacidade computacional – o “novo petróleo” do Vale do Silício.
Fabricar as próprias GPUs: façanha ou estratégia?
No filing S-1 que antecedeu o IPO, a SpaceX detalha o projeto Terafab, complexo industrial em Austin (Texas) que, ao lado da Tesla e da xAI, deve conduzir todas as etapas de produção de aceleradores dedicados a IA – do design ao teste final. Não se trata de placas gráficas gamers, mas de chips feitos sob medida para LLMs, visão computacional e robótica.
Ainda não há confirmação de quem será o foundry (a Intel é cotada), mas a iniciativa coloca a SpaceX no mesmo patamar de Apple e Google, que já internalizaram parte de seus processadores para controlar custos, desempenho e propriedade intelectual.
O impacto no mercado de hardware
Para leitores que acompanham lançamentos de placas de vídeo ou processadores, a mensagem é clara: a disputa não é mais só por FPS nos games, mas por TFLOPS em treinamento de IA. Quando contratos multibilionários exigem centenas de milhares de GPUs de ponta, a produção de chips pode migrar dos consumidores finais para gigantes de nuvem e IA.
O efeito colateral? Escassez prolongada de GPUs topo de linha no varejo e pressão por novas arquiteturas que entreguem mais desempenho por watt – algo que NVIDIA, AMD e Intel já exploram com as séries Blackwell, MI300 e Gaudi-3.
Imagem: William R
Comparativo rápido: SpaceX vs. Amazonas & Microsoft
| SpaceX (2025) | Amazon (2025) | Microsoft (2025) | |
|---|---|---|---|
| Valor de Mercado | US$ 2,95 tri | US$ 1,88 tri* | US$ 2,77 tri* |
| Receita Anual | US$ 18,7 bi | US$ 717 bi | US$ 248 bi |
| Lucro Líquido | -US$ 4,9 bi | US$ 78 bi | US$ 88 bi |
| GPUs NVIDIA locadas | 330 mil+ | — | — |
*Valores aproximados, sujeitos a variação diária de mercado.
O que esperar nos próximos trimestres?
Com apenas 4 % das ações em circulação, a SpaceX controla a volatilidade enquanto amplia receita recorrente com contratos de nuvem e avança no Terafab. Se conseguir entregar GPUs próprias antes de 2028, deve reduzir custos de aquisição e ganhar margens – um movimento que acompanharíamos de perto, pois pode redefinir o padrão de hardware de IA para toda a indústria.
Para entusiastas e profissionais que montam PCs, servidores ou estações de trabalho, o recado é acompanhar de perto cada anúncio de supply da NVIDIA e eventuais parcerias de fabricação: disponibilidade e preço das GPUs de consumo serão cada vez mais influenciados por mega-clientes como a SpaceX.
No curto prazo, a empresa de Musk provou que foguetes são apenas a ponta do iceberg: o futuro está nos chips que treinam as próximas gerações de inteligência artificial.
Com informações de Hardware.com.br