Se você costuma garimpar mouses gamer, switches mecânicos ou placas de vídeo em lojas internacionais como AliExpress, Shopee ou mesmo na Amazon global, marque 1º de janeiro de 2027 no calendário. A partir dessa data, toda e qualquer compra feita fora do país – mesmo as abaixo de US$ 50 – voltará a ser tributada pelo governo brasileiro. O novo imposto virá na forma da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá a atual tarifa de importação de 20% para remessas de pequeno valor.
O que muda na prática?
Hoje, graças ao programa Remessa Conforme, encomendas de até US$ 50 pagam apenas o ICMS estadual (17% a 20%) – e nada de imposto federal. Em 2027, além desse ICMS, entrará a CBS, cuja alíquota cheia deve ficar em torno de 9,43%, segundo projeção da consultoria Roit. Ou seja, um teclado custom de US$ 45 que hoje chega com ICMS de ~R$ 45 pode passar a custar quase R$ 60 em tributos federais extras – sem contar frete e eventuais taxas de despacho postal.
Por que 9,43% e não 20% como antes?
A CBS nasce dentro da reforma tributária aprovada no fim de 2023, que unifica vários impostos federais sobre consumo. O percentual de 9,43% considera desonerações para carnes e medicamentos, mas vale, em tese, para qualquer item de tecnologia. Ainda assim, o número definitivo será fixado apenas em dezembro de 2026 pelo Senado, com base em estudos da Receita Federal e do TCU.
Calendário de transição
- Maio de 2026: Medida Provisória extingue a taxa de 20% sobre remessas até US$ 50.
- Dezembro de 2026: Senado define a alíquota final da CBS.
- 1º de janeiro de 2027: CBS passa a ser cobrada sobre todas as importações.
- 2029–2032: ICMS e ISS migram gradualmente para o novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
- Pós-2032: combinação de IBS + CBS sobre produtos importados pode chegar a 26,5%.
Impacto no bolso do gamer e do entusiasta de hardware
Uma das maiores vantagens de importar periféricos ou componentes era justamente aproveitar cupons agressivos e a atual isenção federal para valores baixos. Com a CBS:
- Mouses e teclados de entrada (US$ 20–30) devem ficar até 30% mais caros na entrega final.
- GPUs de geração passada, frequentemente vendidas por US$ 200–300 em promoções, ganharão um acréscimo que pode ultrapassar R$ 300 somente em tributos.
- Processadores low-cost que hoje chegam competitivos frente aos nacionais podem perder totalmente essa vantagem.
Isso significa que importar continuará valendo a pena apenas em ofertas realmente agressivas ou em itens raros, como keycaps personalizados ou sensores de mouse que não são vendidos oficialmente no Brasil.
Varejo brasileiro comemora
Para o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) – que representa nomes como Magazine Luiza, Renner e Casas Bahia – a cobrança da CBS “corrige assimetrias de concorrência” com plataformas estrangeiras. Segundo nota da entidade, o imposto ajuda a equalizar custos e “protege as operações do mercado local”. Em 2025, a antiga taxa sobre remessas de pequeno valor rendeu R$ 5 bilhões aos cofres públicos; apenas de janeiro a abril de 2026, já eram R$ 1,78 bilhão.
Imagem: William R
Vale a pena antecipar compras?
Se você está de olho em um upgrade – especialmente em componentes leves (como SSDs M.2, memórias RAM ou coolers) que costumam ficar abaixo do limite de US$ 50 –, 2026 pode ser o último ano para aproveitar a combinação de dólar relativamente estável e isenção federal. Depois disso, prepare-se para calcular uma fatia extra de quase 10% no checkout.
No cenário macro, a mudança reforça a tendência de equilibrar o jogo tributário entre varejistas locais e gigantes internacionais, mas para o consumidor final o recado é claro: importar ficará mais caro, e o preço final dos produtos de tecnologia deve se aproximar ainda mais do que já é praticado no mercado nacional.
Com informações de Hardware.com.br