A parceria que prometia injetar inteligência artificial de ponta em cada iPhone, iPad e Mac pode terminar nos tribunais. Segundo o respeitado jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, a OpenAI avalia processar a Apple por quebra de contrato depois de dois anos de colaboração. O motivo? A gigante de Cupertino teria limitado a integração do ChatGPT a ponto de frustrar as expectativas de receita da startup de Sam Altman.
O que motivou o atrito?
Quando o acordo foi assinado, a OpenAI sonhava alto: o ChatGPT seria incorporado à Siri, apareceria em destaque nos apps nativos e, de quebra, converteria milhões de usuários gratuitos em assinantes do plano Plus. Na prática, a Apple optou por mostrar as respostas do chatbot em pop-ups discretos e manteve o app oficial como principal porta de entrada para conversas longas.
Pesquisas internas da própria OpenAI indicam que a adoção do plano pago não se mexeu. A startup agora afirma que “fez tudo que podia” e que a Apple “não se esforçou para promover” a solução. O próximo passo seria uma notificação formal antes de abrir uma ação judicial.
A Apple também tem queixas
O ressentimento, porém, não é unilateral. Fontes de Cupertino relatam preocupação com as políticas de privacidade da OpenAI e com a coleta de dados de usuários. Para piorar, Altman comprou a startup de hardware de Jony Ive – lendário ex-chefe de design da própria Apple – e estaria caçando engenheiros da empresa da maçã. O clima azedou de vez.
Impacto imediato: Siri pode ganhar concorrência interna
Na WWDC 2024, marcada para 8 de junho, a Apple deve anunciar oficialmente o iOS 27. A grande novidade? A exclusividade do ChatGPT será quebrada. Testes internos já integram o Claude, da Anthropic, e o Gemini, do Google, como motores alternativos de IA. Na prática, isso significa que donos de iPhone 15 Pro, iPad M2 ou até dos futuros MacBooks com chip M4 poderão escolher qual IA responde dentro da Siri.
Por que isso interessa a quem joga ou trabalha no Mac?
Modelos diferentes de IA entregam vantagens distintas:
- ChatGPT: conhecido por respostas criativas e enorme base de dados, útil para roteiros, brainstorming e código.
- Claude: destaca-se em análise de documentos extensos, ideal para quem revisa contratos ou estuda.
- Gemini: integração profunda com o ecossistema Google, prometendo pesquisas contextuais e tradução instantânea — ótimo para gamers que consomem conteúdo internacional.
Ter liberdade de escolha pode turbinar a produtividade em apps como Final Cut Pro, Logic ou mesmo nos jogos AAA que chegam com suporte a Metal 3 nos novos chips Apple Silicon.
Imagem: Vitor Pádua
Concorrência e mercado de hardware
A mudança acontece enquanto Samsung e Google já oferecem múltiplas IAs em seus flagships. Para a Apple, abrir o leque é essencial para manter o iPhone 16 Pro (previsto para setembro) competitivo diante de rivais como Galaxy S24 Ultra e Pixel 9 — ambos vendidos com assistentes generativos avançados.
No lado dos desktops, a chegada do chip M4 (rumores apontam para 2025) deve exigir parceiros de IA capazes de aproveitar núcleos neurais ainda mais potentes. Um processo judicial longo poderia atrasar esses planos.
Próximos capítulos
• A OpenAI deve decidir nas próximas semanas se envia uma notificação oficial à Apple.
• A WWDC revelará como o iOS 27 distribuirá as IAs concorrentes dentro dos ajustes da Siri.
• Qualquer litígio pode influenciar no preço das assinaturas de IA ou até no valor final de futuros iPhones e Macs.
Se você está pensando em atualizar seu setup — seja trocando o mouse, o teclado mecânico ou investindo em um MacBook Pro M3 — vale monitorar esse embate. O motor de IA nativo pode ser o novo diferencial de performance tão importante quanto ter mais núcleos de GPU ou uma tela de 120 Hz.
Com informações de Tecnoblog