Antes mesmo de “smartphone” virar sinônimo de internet no bolso, a Motorola já escrevia capítulos decisivos da tecnologia móvel. De rádios automotivos na década de 1930 ao DynaTAC 8000X — o primeiro celular comercial do planeta — a marca foi responsável por conectar astronautas à Terra, executivos a planilhas e gamers a partidas online. Hoje, sob o guarda-chuva da Lenovo, a empresa mira novamente o topo com telas dobráveis e inteligência artificial, sem abandonar o charme custo-benefício que consagrou a linha Moto G.
Como tudo começou: som em movimento
Em 1928, os irmãos Paul e Joseph Galvin abriram as portas da Galvin Manufacturing em Chicago com um objetivo simples: substituir pesadas baterias por eliminadores mais leves. A virada veio em 1930, quando lançaram o primeiro rádio automotivo de massa. O nome escolhido, Motorola, mesclava “motor” a “ola”, sufixo popular em produtos de áudio. A ideia de som em movimento seria o DNA de todas as inovações que viriam a seguir.
Do rádio ao espaço: conquista da Lua e do 1º celular
Nos anos 1960, a Motorola já era sinônimo de confiança no mercado aeroespacial e forneceu o transmissor que levou a frase “Um pequeno passo para o homem” da Lua direto para milhões de televisores. Quatro anos depois, em 1973, o engenheiro Martin Cooper realizou a primeira ligação móvel do mundo, usando um protótipo que pesava quase 1,5 kg. O modelo comercial chegaria só em 1983, mas o DynaTAC 8000X já implantava a semente de algo que, décadas depois, você compraria em alguns cliques na Amazon.
Razr V3: o celular que virou ícone pop
Se você viveu o início dos anos 2000, provavelmente sonhou em abrir e fechar um Razr V3 na frente dos amigos. Ultrafino, acabamento metálico e uma luz azulada que parecia saída de um filme de ficção, o aparelho vendeu mais de 130 milhões de unidades. Para muitos especialistas, ele marcou a última grande era dos celulares “dumb phones” antes da avalanche de smartphones iniciada pelo iPhone (2007) e pelo sistema Android (2008).
Divisão de águas: Motorola Solutions x Motorola Mobility
Em 2011, a companhia se partiu em duas frentes distintas:
- Motorola Solutions — segue independente, atendendo governos e indústrias com rádios de missão crítica, câmeras corporais e redes 5G privadas.
- Motorola Mobility — responsável pelos smartphones. Passou brevemente pelo Google (2012-2014) até ser comprada pela Lenovo, que mantém centro de P&D em Chicago e linhas de montagem no Brasil.
Moto G e Moto E: fórmula do custo-benefício que virou referência
Lançado em 2013, o Moto G acertou em cheio ao combinar Android “quase puro”, bateria duradoura e preço camarada. O sucesso foi tanto que o segmento intermediário nunca mais foi o mesmo; hoje a família rivaliza diretamente com modelos como Galaxy A34 ou Redmi Note 12, mas mantendo um apelo para quem quer “pegar, ligar e usar” sem camadas de software pesadas.
Razr 40 Ultra e Edge 40 Pro: a nova ofensiva premium
Para reconquistar o consumidor que busca design e poder de fogo, a Motorola relançou seu clássico no formato dobrável. O Razr 40 Ultra aposta em uma tela externa AMOLED de 3,6”, ideal para responder WhatsApp ou controlar Spotify sem abrir o aparelho. Já o Edge 40 Pro chega com Snapdragon 8 Gen 2 e taxa de atualização de 165 Hz, números comparáveis aos do Galaxy S23 Ultra e do iPhone 15 Pro Max.
Imagem: Vitor Pádua
Mesmo sem “empurrar” a compra, vale ficar de olho: ambos já aparecem em promoções relâmpago na Amazon com descontos que superam 20 % em datas como Prime Day e Black Friday — oportunidades em que a relação hardware x preço costuma ficar ainda mais agressiva.
Concorrentes de peso: quem briga com a Motorola hoje?
No mundo Android, a principal batalha acontece contra a Samsung, líder global graças à linha Galaxy. Em mercados emergentes, Xiaomi, Realme e Oppo apertam os preços e disputam cada centavo do consumidor. Já no topo da pirâmide, a Apple segue soberana no ecossistema fechado do iPhone, forçando a Motorola a inovar em câmeras e IA para convencer quem pensa em migrar.
Por que essa história ainda importa para você?
Cada grande movimento da Motorola ajudou a moldar padrões que você vê nos smartphones atuais: portabilidade, design ultrafino, bateria de longa duração e, agora, telas dobráveis. Se você pretende trocar de aparelho em 2024, entender essa trajetória ajuda a avaliar mais do que especificações; mostra a capacidade da marca de reinventar conceitos — algo crucial quando pensamos em suporte, atualizações e futuro do dispositivo que vai ficar com você pelos próximos anos.
Em resumo, a Motorola saiu do porta-luvas para o seu bolso, passou pela Lua e, quase cem anos depois, continua brigando por relevância com a mesma receita: inovação prática, um toque de ousadia no design e preços que, na grande maioria das vezes, cabem no cartão.
Com informações de Tecnoblog