O Google acaba de receber um recado claro de Bruxelas: **compartilhe seus dados de busca ou enfrente sanções pesadas**. A Comissão Europeia enviou nesta semana um conjunto de medidas que, se aprovado, obrigará a gigante a ceder informações de ranking, cliques e visualizações a buscadores concorrentes como Qwant (França), Mojeek (Reino Unido), Swisscows (Suíça), além das alemãs Ecosia, Good e MetaGer. A iniciativa se apoia no Digital Markets Act (DMA), lei que tenta equilibrar o jogo entre big techs e empresas menores no Velho Continente.
O que, na prática, a UE está pedindo?
Segundo o documento preliminar, o Google teria que:
- Compartilhar dados de consulta, ranking e taxa de cliques de maneira contínua.
- Oferecer essas informações em condições FRAND (justas, razoáveis e não discriminatórias).
- Estabelecer preços transparentes para o acesso aos dados.
- Manter frequência e formato padronizados de entrega para facilitar a integração por terceiros.
O texto ainda aguarda comentários de “interessados” até 1º de maio. A decisão final, se confirmada, será vinculante e deve entrar em vigor até 27 de julho.
Google contra-ataca: “Excesso que põe a privacidade em risco”
Clare Kelly, conselheira sênior de concorrência do Google, disparou: “Cem milhões de europeus confiam no Google para pesquisas sensíveis, de saúde a finanças. Entregar esses dados a terceiros, com proteções de privacidade ineficazes, é perigoso”. A empresa promete “defender-se vigorosamente de um excesso regulatório que extrapola o mandato original do DMA”.
A visão dos concorrentes: “Ainda é pouco”
Embora enxerguem progresso, alguns rivais dizem que a medida não resolve o problema central. Phil Höfer, do MetaGer, argumenta que **sem acesso ao índice completo do Google**, a UE continuará dependente da infraestrutura americana. Ele sugere que Bruxelas invista no projeto European Open Web Index para criar uma base de busca 100% europeia.
Por que sua empresa deve se importar?
Para profissionais de marketing, e-commerce e TI, a mudança pode ser sísmica:
Imagem: Paul Barker
- SEO mais fragmentado: otimizar para “o Google” pode deixar de ser suficiente. Conteúdos precisarão performar bem em múltiplos algoritmos com regras diferentes.
- Nichos valorizados: analistas como Brian Jackson (Info-Tech) acreditam que verticalizações — viagens, hardware, finanças — ressurgirão com buscadores especializados.
- Risco de inconsistência: o mesmo artigo pode aparecer (ou sumir) dependendo do motor de busca ou do copiloto de IA que o interpreta, alerta Sanchit Vir Gogia (Greyhound Research).
- Alimentação de IA: dados de busca são matéria-prima para grandes modelos de linguagem. Abrir o acesso pode acelerar treinamentos europeus e reduzir dependência de APIs externas.
Impactos práticos para quem vende tecnologia
Se você gere uma loja ou blog de afiliados — seja de placas de vídeo, mouses gamer ou processadores — prepare-se para:
- Monitorar novos relatórios de tráfego vindos de motores menores.
- Revisar estrutura de conteúdo para permanecer relevante em resumos gerados por IA (onde a fonte nem sempre é exibida).
- Investir em autoridade e confiabilidade: sinais de E-E-A-T (experiência, especialização, autoridade e confiabilidade) ganharão peso quando múltiplos sistemas avaliam qualidade.
O que vem a seguir?
• Até 1º de maio: período de consulta pública.
• Julho de 2024: prazo final para adoção das regras.
• Multas potenciais: até 10% do faturamento global do Google se descumprir o DMA (podendo chegar a 20% em reincidência).
Se a UE avançar, veremos um ecossistema de busca mais plural — com benefícios para inovação, mas novos desafios de governança e segurança. Para empresas e criadores de conteúdo, o recado é claro: **diversifique suas fontes de tráfego e fortaleça sua marca própria** antes que o antigo “monopólio do clique” se fragmente de vez.
Com informações de Computerworld