Você provavelmente já ouviu que a Inteligência Artificial vai “roubar” empregos, mas um novo conjunto de pesquisas indica que o perigo é real – e mais sofisticado do que simplesmente substituir profissionais por robôs. De acordo com economistas da London Business School e da Columbia University, **as funções que podem ser “desmembradas” em tarefas isoladas são as que correm maior risco.**
O que significa “desmembrar” um trabalho?
No estudo conduzido por Luis Garicano, Jin Li e Yanhui Wu, os pesquisadores explicam que muitos cargos são compostos por blocos de tarefas. Se essas tarefas puderem ser separadas – transferindo as partes mais rotineiras para a IA e mantendo o restante com o humano – o emprego como conhecemos hoje tende a encolher.
Já em funções onde as etapas são inseparáveis – por dependerem de contexto compartilhado, responsabilidade única ou necessidade de coordenação em tempo real – a IA atua mais como aumento de produtividade do que como substituta, preservando a vaga.
As profissões mais ameaçadas, segundo a pesquisa
Outro levantamento, conduzido pelo Digital Planet da Tufts University, quantificou o impacto:
- Escritores e autores: 57% das atividades podem ser automatizadas.
- Programadores de software: 55%.
- Designers de interfaces web e digitais: 55%.
Em termos de perda de renda total, desenvolvedores de software, analistas de gestão e analistas de pesquisa de mercado aparecem no topo.
Por que programadores deveriam se preocupar (e se atualizar)
Para quem trabalha com código, a ameaça vai além de scripts básicos gerados por ChatGPT. Ferramentas de pair programming, como GitHub Copilot, já escrevem funções inteiras, realizam debugging e até sugerem testes unitários. **Se a maior parte do seu dia é composta por tarefas “fragmentáveis”, o alerta é maior**.
No entanto, há uma saída: especializar-se em áreas onde a expertise humana ainda é imprescindível, como arquitetura de sistemas, segurança e otimização de desempenho para cargas de IA. Dominar GPUs de última geração (RTX 40 Series), CPUs com instruções AVX-512 ou NPU dedicada e frameworks de aprendizado profundo coloca o profissional na “parte protegida” do bundle – justamente aquela em que a IA complementa, não substitui.
Imagem: Maxwell Cooter
E para redatores e designers?
Ferramentas de geração de texto e imagem já criam rascunhos com velocidade impressionante. O ponto crítico é que o “cérebro” que conecta tom, contexto e estratégia de marca continua, por enquanto, humano. Assim como no desenvolvimento de software, **quem dominar ferramentas e direcionar a IA para entregar resultados específicos** aumenta a própria relevância.
Como as empresas devem reagir
Pelos dados, não basta demitir para reduzir custos: separar quais tarefas podem virar IA e quais devem ficar com a equipe exige mapeamento de processos, treinamento e, muitas vezes, investimento em hardware. Um servidor equipado com GPUs focadas em IA ou até estações de trabalho com **processadores Ryzen 7000 e placas-mãe AM5** já permite testar modelos menores internamente, garantindo privacidade e velocidade.
O futuro imediato: colaboração, não substituição total
A conclusão dos pesquisadores é clara: a IA melhora significativamente a produtividade onde a separação de tarefas é inviável – protegendo esses empregos. Na prática, **a adoção responsável da tecnologia implica redesenhar funções, não simplesmente extingui-las**. Profissionais que aprenderem a orquestrar a IA terão vantagem competitiva, enquanto quem insistir apenas no trabalho mecânico corre sério risco.
No fim das contas, a pergunta não é se a IA vai afetar seu trabalho, mas qual parte dele você consegue transformar em algo que só você pode fazer.
Com informações de Computerworld