A Apple parece disposta a transformar a Siri de assistente simpática em um chatbot de respeito, capaz de rivalizar com ChatGPT e Google Gemini – mas só em 2026, com o futuro iOS 27. A informação, antecipada pela Bloomberg, chega em meio à expectativa para a WWDC 2025 (que acontece em junho) e revela um movimento estratégico: lançar mais tarde para lançar melhor.
O que realmente muda na Siri
De acordo com as fontes, a atualização prevista para o iOS 27 inclui:
- App dedicado da Siri, separado do sistema, mas profundamente integrado a ele;
- Substituição (ou fusão) com a busca Spotlight, tornando o comando de voz o ponto central de navegação;
- Modelos de linguagem rodando on-device, com dados pessoais processados localmente para reforçar privacidade;
- Integração híbrida com o Google Gemini: tarefas simples acontecem no aparelho, enquanto consultas complexas escalam para a nuvem.
Por que demorar pode ser vantagem
A Apple já ficou para trás na corrida do hype da IA generativa – e isso pode ter sido um golpe de sorte. Enquanto Microsoft, Google e OpenAI despejam bilhões em datacenters, a empresa de Cupertino investiu naquilo que mais domina: hardware otimizado. O resultado é um ecossistema de chips A-series (iPhone/iPad) e M-series (Mac) que consegue rodar modelos de IA com menos consumo de energia e sem depender de conexões constantes.
M5 Max: a suposta “máquina de 90 bi”
Rumores apontam que um futuro MacBook Pro com chip M5 Max – sucessor natural do atual M3 Max – já processa modelos de até 90 bilhões de parâmetros. Para efeito de comparação, notebooks gamer com GPU NVIDIA RTX 4090, somados ao novo NPU da Intel Core Ultra, lidam hoje com cerca de 40 bilhões de parâmetros em laptops parrudos de mais de 2,5 kg. Se a meta da Apple vingar, veremos workstations ultrafinas entregando a mesma potência, mas com ventiladores praticamente silenciosos.
Impacto prático para quem joga e cria
• Jogos: IA local significa frame generation inteligente no Metal (API gráfica da Apple), menor latência em jogos competitivos e upscaling mais eficiente, algo que hoje depende de DLSS ou FSR em placas de vídeo dedicadas.
• Edição de vídeo e áudio: transcrição, remoção de ruídos e color grading assistidos por IA ocorreriam em tempo real no Final Cut Pro e Logic, sem enviar arquivos gigantes para a nuvem.
• Produtividade: comandos em linguagem natural para buscar documentos, resumir PDFs ou gerar apresentações poderão acontecer mesmo se você estiver em um voo sem Wi-Fi.
E os PCs Windows com Copilot?
Máquinas com processadores AMD Ryzen 8040 e Intel Core Ultra já exibem NPUs dedicados a IA, e a Microsoft integrou o Copilot diretamente no Windows 11. Ainda assim, muitos fluxos dependem de servidores externos da OpenAI, o que adiciona latência e consome banda larga. A Apple aposta justamente no contrário: reduzir a dependência da nuvem e, de quebra, usar isso como argumento de privacidade.
Imagem: Jny Evans
Cronograma provável
• iOS 26.5 (outono de 2025): primeiras funções de IA híbrida, mas ainda limitadas.
• WWDC 2026: apresentação oficial da “nova Siri” e do iOS 27.
• Setembro 2026: lançamento dos iPhones 18 e da linha MacBook Pro M5, já preparados para rodar os modelos locais de 90 bi.
Vale a pena esperar?
Se você precisa de IA hoje, notebooks com NVIDIA RTX 40-series ou desktops com placas Ada Lovelace seguem imbatíveis no ecossistema Windows. Mas se o seu fluxo de trabalho gira em torno de macOS ou iOS, faz sentido adiar a troca de dispositivo até 2026 – especialmente se quer leveza, bateria longa e privacidade on-device. Para muitos criadores, esse combo pode ser mais valioso do que a força bruta de uma GPU dedicada.
No fim das contas, a Apple pode ter ficado para trás na largada, mas guarda um trunfo: entregar IA pessoal de alto desempenho sem sacrificar a experiência que tornou o iPhone e o Mac tão populares. Se der certo, a empresa não só recupera terreno, como redefine o padrão de IA móvel – exatamente como fez com o chip M1 em 2020.
Com informações de Computerworld