Quem olha para o Apple Watch Series 9 imagina um aliado fitness, não um console portátil de 1998. Entretanto, o desenvolvedor conhecido como Game of Tobi derrubou esse preconceito ao portar The Legend of Zelda: Ocarina of Time de forma totalmente nativa para o relógio da Apple. O resultado? Hyrule cabe — e roda surpreendentemente bem — em uma telinha de 45 mm.
Do Nintendo 64 ao pulso: o que muda nessa versão
Diferente de soluções baseadas em emuladores, que costumam sofrer com lag e queda de frames, Tobi recompilou o jogo para o watchOS. Isso significa que o processador Apple S9 SiP (5 nm, 4 núcleos GPU) executa diretamente o código de Zelda, sem camadas de interpretação.
Na prática, o desempenho fica próximo dos 20–30 fps — o mesmo patamar do Nintendo 64 original. Para efeito de comparação, emuladores como o RetroArch no Series 7 raramente ultrapassam 10 fps em títulos 3D.
Ship of Harkinian: a chave do porte
A façanha só foi possível graças ao projeto open source Ship of Harkinian, que decompilou integralmente o cartucho de Ocarina of Time. Com o código limpo, Tobi adaptou renderização, áudio e entrada de dados ao SceneKit, a engine 3D oficial da Apple. Há até opção para preencher a tela quadrada do relógio ou manter o aspecto 4:3 clássico.
Jogabilidade em centímetros quadrados
O Apple Watch oferece apenas touch e a Coroa Digital, então Tobi programou botões virtuais semitranslúcidos para ações como atacar, rolar e usar itens. Segundo ele, após alguns minutos o cérebro “aprende” onde cada comando está, minimizando a obstrução da tela pelos dedos.
Preferência por controles físicos? É possível parear um gamepad Bluetooth — o mesmo que você usaria em um iPhone ou Apple TV. A experiência é curiosa: com o relógio preso ao braço, você segura o controle com as duas mãos, enquanto a ação acontece a alguns centímetros do seu pulso.
Imagem: William R
Limitações e próximos passos
Apesar do êxito, ainda há bugs de renderização em textos e diálogos, tornando placas e NPCs difíceis de ler. Nada que impeça uma speedrun casual, mas Tobi pretende otimizar fontes e iluminação em atualizações futuras. Vale lembrar que o desenvolvedor já levou Super Mario 64 ao Apple Watch no passado, sinal de que melhorias costumam chegar rápido.
Por que isso importa para gamers e entusiastas?
O caso vai além da curiosidade: demonstra o avanço de chips de baixo consumo em dispositivos vestíveis. Se um relógio já executa um clássico 3D de 32 MB, imagine como títulos indie ou cloud gaming podem evoluir nos próximos anos. Para quem avalia um novo Apple Watch — ou mesmo acessórios como pulseiras com bateria estendida e suportes de carregamento magnético — esse tipo de hack reforça o potencial do gadget muito além das notificações.
No fim das contas, Tobi prova que nostalgia e engenharia podem andar lado a lado — ou melhor, pulso a pulso.
Com informações de Hardware.com.br