A Valve confirmou em seu relatório anual que os usuários da Steam baixaram 100 Exabytes de dados durante 2025. O número é tão astronômico que coloca a plataforma no mesmo patamar de alguns dos maiores pontos de troca de tráfego do planeta — e levanta uma pergunta prática: como esse tsunami de gigabytes afeta você, seu PC e a infraestrutura da internet?
O que é um Exabyte, afinal?
Para sair do território da ficção científica, vale a tradução: 1 Exabyte (EB) = 1.000.000.000 GB. Distribuindo os 100 EB ao longo do ano, chegamos a:
- 274 Petabytes por dia (274 milhões de GB);
- 11 Petabytes por hora;
- 190 TB por minuto.
Se um título AAA moderno ocupa em média 100 GB, estamos falando de 1 bilhão de instalações completas em apenas 12 meses.
Por que o consumo explodiu entre 2024 e 2025?
Três fatores agiram em conjunto:
- Recorde de usuários simultâneos: picos de 40 milhões ao longo de 2025, ultrapassando 42 milhões no início de 2026.
- Títulos cada vez maiores: texturas em 4K, áudio espacial e ray tracing empurraram o “padrão ouro” de 50 GB para algo próximo dos 100 GB.
- Atualizações constantes: jogos como serviço, temporadas e Early Access geram patches de vários gigabytes semanalmente.
Steam x resto do mundo: quem carrega mais dados?
Para dimensionar, compare: o DE-CIX Frankfurt, um dos maiores pontos de intercâmbio de tráfego do globo, também opera na casa dos Exabytes anuais. Ou seja, a Valve sozinha movimenta volume comparável a um backbone europeu completo. Em lançamentos de peso — pense em um GTA VI ou em expansões de Cyberpunk 2077 — a Steam pode responder por porcentagens significativas do tráfego em cabos submarinos Atlântico–Estados Unidos.
Impacto prático no seu setup gamer
Com downloads gigantescos se tornando a norma, o armazenamento rápido deixa de ser luxo e vira necessidade básica. Um SSD NVMe de 2 TB, por exemplo, comporta perto de 20 jogos AAA atuais — metade do que caberia na época dos DVDs duplos. Além disso, conexões de fibra acima de 500 Mb/s reduzem o tempo de espera de horas para minutos em lançamentos com preload liberado.
Outro ponto é a otimização de updates. Tecnologias de patching diferencial, como o SteamPipe, já economizam banda ao baixar apenas trechos alterados, mas o salto para 100 EB mostra que há limite: texturas em alta resolução não se “comprimem” sozinhas.
Imagem: William R
O legado (e a conta) de Gabe Newell
Ao migrar de simples produtora para hub de distribuição digital, a Valve construiu uma das maiores redes privadas do planeta, com servidores de cache espalhados em mais de 100 países. Esse ecossistema garante que você baixe Elden Ring em 15 minutos, mas também coloca a Steam como um player de infraestrutura ao lado de Apple, Google e Amazon Web Services.
Para o usuário final, a vantagem é clara: acesso instantâneo a bibliotecas colossais. Por outro lado, ISPs precisam investir em roteadores backbone de última geração, enquanto gamers equipam PCs com SSDs de altíssima velocidade e roteadores Wi-Fi 6/6E para acompanhar o ritmo.
Em resumo, o marco de 100 Exabytes não é apenas um feito estatístico; ele sinaliza a nova era do entretenimento digital, totalmente dependente de armazenamento rápido e conexões robustas. Se você ainda roda seu setup com HD mecânico ou Wi-Fi antigo, talvez 2025 seja o empurrão definitivo para a próxima atualização de hardware.
Com informações de Hardware.com.br