O relógio da inteligência artificial não para, e Mark Zuckerberg sabe disso. Menos de um ano depois de admitir que o Llama 4 ficou aquém das expectativas, a Meta colocou em operação os primeiros protótipos de uma nova geração de modelos — codinomes Avocado (texto) e Mango (imagem e vídeo). Os sistemas começaram a ser testados internamente em janeiro, revelados pelo diretor-de-tecnologia Andrew Bosworth durante o Fórum Econômico Mundial de 2026, em Davos.
Por que isso importa para você?
Modelos de linguagem mais potentes não afetam apenas chatbots: eles tendem a turbinar filtros de rede social, assistentes de produtividade e até algoritmos de recomendação que decidem o que aparece no seu feed. Em outras palavras, melhores IAs impactam seu dia a dia — do jogo que você roda na nuvem ao preço do teclado gamer que você pesquisa na Amazon.
Avocado x Mango: o que sabemos até agora
Avocado é focado em processamento de texto e diálogo, campo em que o ChatGPT-4o da OpenAI e o Gemini 1.5 do Google dominam. Já o Mango mira geração e manipulação multimídia, território onde o DALL-E 3 e o Midjourney V6 vêm se destacando.
Embora a Meta não divulgue parâmetros ou tamanho do dataset, fontes próximas ao projeto falam em modelos acima dos 400 bilhões de parâmetros. Isso colocaria Avocado lado a lado com a classe “frontier models”, que requerem clusters de GPUs H100/H200 ou ASICs internos, comparáveis às fazendas de IA usadas pela OpenAI.
Meta Superintelligence Labs: seis meses que valem bilhões
Criado em 2025 a partir de uma reengenharia total da divisão Reality Labs, o Meta Superintelligence Labs recebeu sinal verde para contratar veteranos da OpenAI, Anthropic e Google DeepMind. Segundo Bosworth, a equipe teve apenas “seis meses de trabalho efetivo” até chegar ao estágio atual — sinal de que investimentos em infraestrutura (energia, data centers e rede óptica proprietária) estão no pico.
Calendário: quando essa IA chega até você?
A Meta projeta a virada de 2026 para 2027 como janela de lançamento público. Antes disso, 2025 será dedicado a:
- Escalar hardware: mais placas NVIDIA Blackwell B200 e superchips Grace Hopper.
- Refinar segurança: filtros anti-alucinação, mitigação de vieses e conformidade regulatória (EU AI Act).
- Integrar produtos: WhatsApp, Instagram, Oculus/Meta Quest e — não menos importante — anúncios dinâmicos que podem recomendar desde um mouse sem fio de baixo custo até a GPU topo de linha que você vem namorando.
Comparativo rápido: Avocado versus concorrentes
| Avocado (rumor) | ChatGPT-4o | Gemini 1.5 Pro | |
|---|---|---|---|
| Parâmetros | ≈400 B | desconhecido (multi-mixtura) | 540 B |
| Contexto máximo | ≥128k tokens | 128k tokens | 1 milhão de tokens |
| Integração multimodal | Limitada (texto + visão) | Texto, visão, áudio | Texto, visão, voz |
| Status | Teste interno | Disponível (API e web) | Beta fechado |
Se confirmado, Avocado já nasceria competindo de igual para igual em contexto e escala, ponto crítico para aplicações que resumem horas de streaming ou códigos-fonte gigantes. Para o consumidor gamer, isso pode significar NPCs que realmente entendem sua fala ou assistentes que otimizam overclock do seu Ryzen 9 em linguagem natural.
Imagem: William R
O poder do Mango nos filtros e na criação de conteúdo
No campo visual, Mango entra em uma disputa onde Midjourney e DALL-E reinam. Se o modelo da Meta entregar imagens e vídeos em 4K ou 8K com latência baixa, espere ver Stories, Reels e campanhas publicitárias criadas em segundos. Influenciadores, designers de periféricos e até fabricantes de placas-mãe podem gerar mockups fotorrealistas sem sair do Instagram.
Zuckerberg não pode perder essa corrida
Enquanto OpenAI e Anthropic atraem rodadas bilionárias, a Meta corre contra o tempo para mostrar que tem tração real em IA. Falhar significaria depender de APIs rivais — impensável para quem vive de dados e anúncios. Para os usuários, a competição é boa: mais opções, preços mais baixos e recursos que podem ajudar na escolha daquele mouse ergonômico com RGB ajustável ou do teclado mecânico hot-swap que você guarda na lista de desejos.
O próximo ano trará respostas concretas: desempenho público, benchmarks independentes e — quem sabe — um lançamento “one more thing” no Meta Connect 2026. Até lá, Avocado e Mango ficam em estufa, evoluindo para assumir o posto que o Llama 4 jamais alcançou.
Com informações de Hardware.com.br