Trocar de canal e, antes da imagem aparecer, ser obrigado a assistir a um anúncio não pulável. Parece exagero, mas é exatamente o que proprietários de Smart TVs Hisense vêm relatando em fóruns como o Reddit desde 2022 — com maior intensidade nas últimas semanas. O problema atinge principalmente modelos de entrada equipados com o sistema operacional VIDAA (U) — rebatizado recentemente para “Home OS” — e, segundo os usuários, ocorre mesmo após todas as opções de publicidade estarem desativadas nas configurações.
O que está acontecendo?
Relatos vindos da Espanha, Alemanha, Austrália e América do Norte descrevem anúncios aparecendo em quatro momentos críticos da experiência de uso:
- Ao ligar a TV;
- No carregamento da tela inicial;
- Ao mudar a porta HDMI ou outra entrada;
- Ao trocar de canal de TV ao vivo.
Em alguns casos, o banner ocupa toda a tela por aproximadamente 5 segundos sem opção de pular. A prática foi considerada agressiva porque interfere em tarefas que, tradicionalmente, não passam pelo middleware de publicidade.
Modelos e marcas impactados
Além da própria Hisense, o sistema VIDAA também é licenciado para Schneider, Akai, Loewe e até algumas linhas da Toshiba. Pelo menos um usuário com TV Toshiba relatou o mesmo comportamento invasivo.
Os relatos mais numerosos envolvem aparelhos de entrada — categoria em que a Hisense se posiciona com forte apelo de preço, competindo com linhas como Samsung Crystal UHD, TCL P635 e LG UR7800.
Hisense se explica (e não convence)
Procurada pelo jornal espanhol La Razón, a empresa confirmou que houve um “teste pontual” de novos formatos publicitários na Espanha, alegando que:
“Em nenhuma circunstância o dispositivo obrigou o usuário a assistir anúncios para utilizá-lo normalmente”.
O comunicado afirma ainda que o experimento já foi encerrado. Porém, a existência de reclamações em múltiplos países e ao longo de três anos contradiz a narrativa de um teste recente e restrito. Para completar, um e-mail de suporte australiano ([email protected]) tem sido usado para desativar remotamente os anúncios caso o usuário forneça o ID da TV — sinal de que a distribuição publicitária é controlada por servidor de forma granular.
Por que isso importa para você?
Além do incômodo óbvio, a inserção de publicidade em ações básicas reforça o debate sobre a chamada “enshittification” de dispositivos conectados — quando o produto comprado degrada a experiência para gerar receita extra via software. No cenário das Smart TVs, isso pode significar:
- Latência maior entre trocas de canal;
- Consumo extra de dados, relevante para quem usa internet limitada;
- Atualizações capazes de alterar a TV sem seu consentimento.
Para quem joga em consoles ou usa PCs conectados via HDMI, cada troca de entrada interrompida por propaganda representa alguns segundos de atraso — tempo suficiente para perder um lobby em Fortnite ou tomar um gol no FC 24.
Imagem: Internet
Como remover (ou ao menos mitigar) as propagandas
Usuários listam três caminhos, cada um com benefícios e efeitos colaterais:
- Alterar o DNS para bloquear domínios de anúncios
✅ Fácil de reverter
❌ Pode quebrar apps de streaming - Desconectar a TV da internet
✅ Bloqueia 100 % dos anúncios
❌ Você perde Netflix, Prime Video, atualizações e até a sincronia de HDR - Acionar o suporte Hisense com o ID da sua TV
✅ Solução oficial; clientes relatam sucesso em poucas horas
❌ Processo burocrático e não há garantia de que o bloqueio será permanente
Como as rivais lidam com anúncios?
Quase todas as plataformas atuais monetizam de alguma forma, mas há diferenças importantes:
- Samsung Tizen exibe banners na home, mas não durante a troca de canal;
- LG webOS aposta em linhas de conteúdo patrocinado na barra de apps, sem tela cheia até o momento;
- Google TV e Roku priorizam recomendações pagas na tela inicial, embora existam relatos pontuais de pop-ups.
Se você pensa em comprar uma TV nova ainda em 2026, vale considerar não só a qualidade de imagem (painéis QLED, Mini LED, OLED, taxa de 120 Hz) mas também o quão intrusivo é o software. Um bom painel pode durar 10 anos; políticas de anúncios podem mudar do dia para a noite.
Vale a pena apostar na Hisense?
O custo-benefício continua atraente: a Hisense U6K, por exemplo, entrega Mini LED e Dolby Vision por menos que modelos equivalentes da Samsung ou TCL. No entanto, o histórico de propagandas invasivas coloca na balança um fator de “custo de experiência” difícil de mensurar.
Se a sua prioridade absoluta é preço por polegada e recursos de imagem, a marca segue competitiva. Mas, se você valoriza uma interface limpa — especialmente para jogos de baixa latência ou sessões longas de streaming —, talvez seja hora de comparar também opções da LG C3 ou da Samsung CU8000, que até aqui limitam anúncios à tela inicial.
No fim das contas, a polêmica reforça que, em 2026, escolher uma TV vai além do painel: é escolher um ecossistema sobre o qual você tem pouco controle. Fique de olho nas políticas de privacidade, nas atualizações obrigatórias e, claro, no que realmente aparece na tela entre você e o conteúdo que pagou para assistir.
Com informações de Mundo Conectado