A Xiaomi aproveitou o palco da Mobile World Congress 2026 para deixar claro que, a partir de agora, não basta ter um celular potente no bolso. A empresa quer estar em cada milímetro do seu dia — do relógio inteligente que acorda você até o carro que abre o portão da garagem sozinho. A estratégia, batizada de Human-Car-Home, combina hardware diversificado, software unificado e inteligência artificial local para criar um ecossistema que concorre diretamente com as visões integradas de Apple, Samsung e Huawei.
Carro esportivo, scooter urbana e até conceito de 1.900 cv
O maior centro de atenções do estande foi o Xiaomi SU7 Ultra, esportivo elétrico que já soma mais de 600 mil unidades vendidas na China. Além do design agressivo, o modelo conversa nativamente com celulares, relógios e notebooks da marca, permitindo que configurações de rotas, ar-condicionado e entretenimento sejam sincronizadas via app.
Para quem prefere adrenalina virtual, o Xiaomi Vision GT chegou como conceito de 1.900 cv que estreia primeiro em Gran Turismo, no PlayStation, antes de ganhar as ruas. Já a mobilidade diária ganha fôlego com a Electric Scooter 6 Ultra, que promete 75 km de autonomia e compatibilidade com a rede Find My da Apple — um aceno a usuários que não vivem presos a um único sistema.
Mioc e MIMO: duas siglas, um cérebro para tudo
No campo do software, a Xiaomi apresentou o Mioc (Mobile Integrated On-device Copilot), um “copiloto” que gerencia rotinas e automatizações. Ele se apoia na MIMO, LLM (modelo de linguagem) proprietária que roda localmente, preservando privacidade e reduzindo latência. Em outras palavras: os comandos da sua voz não precisam dar a volta na nuvem para a luz da sala acender.
Exemplo prático? Ao detectar que o SU7 Ultra está a 500 metros de casa, o Mioc envia sinal para abrir a garagem, ligar o ar e ajustar a iluminação. Esse grau de integração ainda é raro mesmo em ecossistemas maduros como o HomeKit da Apple ou o SmartThings da Samsung.
Xiaomi 17 Ultra coloca zoom óptico de 10× no bolso
No segmento que tornou a marca famosa, o Xiaomi 17 Ultra atualiza a aposta fotográfica iniciada no 14 Ultra:
- Sensor principal de 1 polegada (o mesmo tamanho de câmeras compactas premium);
- Lente periscópica de 200 MP com zoom óptico de até 10× — o dobro do 5× oferecido no Galaxy S26 Ultra;
- Conjunto ótico assinado pela Leica, reforçando a parceria iniciada em 2023.
Para quem prioriza fotografia acima de tudo, o Leica LUX Phone powered by Xiaomi resgata o charme das câmeras M3 e M9 em um corpo de smartphone. Destaque para o anel mecânico que controla zoom e velocidade, algo inexistente nos rivais Pixel 10 Pro ou iPhone 17 Pro Max.
Acessório obrigatório para criadores de conteúdo, o Photography Kit Pro acrescenta gatilhos físicos de obturador, roletes de foco e mesmo botão dedicado de vídeo, transformando o aparelho em uma câmera quase profissional.
Relógio com Google Gemini, tablet e áudio imersivo
O Xiaomi Watch 5 estreia o chatbot Google Gemini diretamente no pulso, automatizando traduções, agendas e sugestões de treino sem precisar do celular por perto. As tags de rastreamento desbloqueiam localização tanto no app Xiaomi quanto no Find My, diminuindo a dor de cabeça de quem alterna entre ecossistemas.
Imagem: Divulgação
Completam o line-up o Xiaomi Pad 8, que chega com tela de 12,4” e chip Snapdragon 8 Gen 4, e os Buds 8, fones TWS com cancelamento ativo de ruído de 55 dB — número que ultrapassa os 46 dB dos AirPods Pro 2.
O que isso muda para você?
1. Menos apps, mais automação. Comprar produtos da mesma marca passa a render sinergias reais: bateria do relógio exibida no painel do carro, câmeras que viram retrovisores, casco da scooter localizado pelo smartphone.
2. Privacidade sem sacrificar a velocidade. A IA local da Xiaomi evita enviar dados sensíveis para a nuvem, algo que Apple e Google também perseguem, mas ainda limitam aos seus chips mais caros.
3. Fotografia profissional no bolso. Se você cria conteúdo para redes sociais ou trabalha com vídeo, o Xiaomi 17 Ultra e o Leica LUX Phone surgem como rivais diretos de câmeras mirrorless de entrada — com a vantagem de permitir postar em segundos.
Com carros elétricos, wearables, home kits e smartphones de ponta, a Xiaomi mira não apenas especificações, mas a experiência completa. Resta saber se, na prática, a promessa de um ecossistema homogêneo e inteligente convencerá usuários a migrar por inteiro — ou se bastará adquirir o dispositivo que mais faz sentido para o seu dia a dia.
Com informações de Mundo Conectado