O novo MacBook Neo finalmente chegou às prateleiras brasileiras, mas uma pergunta não sai da cabeça dos entusiastas de hardware: por que a Apple não utilizou o mais recente chip A19 Pro no notebook de entrada? A resposta envolve gargalos na cadeia de suprimentos, decisões de engenharia e, claro, estratégia de mercado — fatores que podem influenciar diretamente quem está de olho no próximo upgrade ou comparando o Neo com opções Windows de preço similar.
O que Tim Cook disse (e quase ninguém percebeu)
Durante a conferência de resultados do primeiro trimestre fiscal de 2026 — o melhor da história da Apple, com receita de US$ 143,8 bilhões — Tim Cook admitiu que a demanda por iPhones 17 Pro superou a capacidade de produção na TSMC. “Estamos vendo menos flexibilidade na cadeia de suprimentos do que o normal”, declarou o CEO, referindo-se especificamente aos nós de litografia mais avançados que fabricam o A19 Pro.
Traduzindo: a Apple priorizou os iPhones topo de linha e, mesmo assim, não recebeu chips suficientes. Sobrou pouca ou nenhuma folga para equipar um Mac de entrada com o silício mais recente.
A arquitetura que limita (e explica) os 8 GB de RAM
Nem tudo é culpa da logística. O A18 Pro utiliza um empacotamento InFO-POP, no qual CPU, GPU e memória DRAM dividem o mesmo substrato. Essa solução economiza espaço e energia, mas torna praticamente inviável alterar a quantidade de RAM depois que o projeto vai para a fábrica. Resultado: o Neo chega trancado em 8 GB de memória unificada.
O A19 Pro, por outro lado, foi desenhado desde o princípio com 12 GB LPDDR5X. Para fluxos de trabalho de inteligência artificial, edição de vídeo 4K ou múltiplas abas do Chrome, esses 4 GB extras fazem diferença perceptível. Se você lida com IA generativa localmente ou editiona no DaVinci Resolve, a RAM adicional poderia estender a vida útil do equipamento por mais alguns anos.
Comparando com a concorrência e gerações anteriores
No mesmo segmento de preço, ultrabooks Windows com Intel Core Ultra ou Ryzen 7 7840U trazem 16 GB padrão e, em muitos casos, slots SO-DIMM que permitem expansão. Para quem precisa de longevidade ou roda máquinas virtuais, isso pesa — embora as otimizações de macOS e do chip A18 Pro ainda garantam um ótimo desempenho em tarefas diárias e jogos casuais via Apple Arcade.
Vale lembrar que o último MacBook Air (M5) alcança pontuações semelhantes ao A18 Pro em single-core, mas oferece 10-cores de GPU dedicados e melhor eficiência térmica. Já o MacBook Pro com M5 Pro salta para até 18 cores de GPU, custando o dobro. Ou seja, o Neo mira o usuário que prioriza preço de entrada dentro do ecossistema Apple, mesmo sacrificando RAM.
Quando (e se) veremos o MacBook Neo com A19 Pro
O analista Ming-Chi Kuo projeta um sucessor do Neo para 2027, quando a Apple pretende migrar parte da linha para nós de fabricação de 2 nm na TSMC. A expectativa é que, com maior maturidade produtiva, o A19 Pro (ou um eventual A20) esteja disponível em volume suficiente para chegar às máquinas de entrada com, no mínimo, 12 GB de unificada — algo crucial à medida que o macOS integra cada vez mais recursos de IA on-device.
Imagem: Internet
Vale a pena comprar o MacBook Neo agora?
Se o seu workflow cabe confortavelmente em 8 GB e você quer a experiência macOS pelo menor custo de entrada oficial, o Neo continua competitivo — principalmente em comparação a ultrabooks equivalentes que usam SSD PCIe 4.0 menores ou painéis LCD de resolução inferior.
Por outro lado, se você:
- trabalha com IA ou grandes bibliotecas de fotos/vídeos,
- pretende manter o notebook por cinco anos ou mais,
- ou valoriza possibilidades de upgrade de RAM e GPU externa via Thunderbolt,
vale a pena considerar modelos com 16 GB nativos ou esperar a próxima geração — seja o futuro Neo com A19 Pro ou concorrentes Windows que trazem placas dedicadas como a RTX 4060 Laptop (encontrada com frequência em promoções na Amazon).
Independentemente da escolha, o episódio deixa uma lição: nem sempre a melhor engenharia vence; às vezes quem manda é a fila na fábrica.
Com informações de Mundo Conectado