A Intel prepara um novo salto no seu portfólio de placas de vídeo profissionais. Documentos de driver revelaram o chip BMG-G31, que dará vida à Arc Pro B70, modelo pensado para acelerar workloads de inteligência artificial, CAD, animação 3D e edição de vídeo pesada. O foco? Oferecer muito mais memória que as GPUs voltadas a jogos e, assim, eliminar gargalos em cenas complexas ou lotadas de texturas.
Por que isso importa para quem trabalha (e joga) com gráficos?
A quantidade de VRAM é, hoje, a principal fronteira entre placas gamers e profissionais. Enquanto as GPUs de consumo travam na faixa de 8 GB a 16 GB, a Arc Pro B70 chega com 32 GB de GDDR6 em barramento de 256 bits. Na prática, isso significa:
- Modelos 3D detalhados carregados inteiramente na memória, evitando ir e voltar do SSD.
- Inferência de IA local — como geração de imagens, modelos de linguagem ou denoising — sem recorrer ao servidor na nuvem.
- Renderizações mais rápidas em engines como Blender Cycles ou Autodesk Arnold, que escalam quase linearmente com VRAM.
Arc Pro B70 em números
Além do arsenal de memória, o chip traz 32 núcleos Xe2, equivalentes a 4 096 shaders FP32 — o dobro da atual Arc Pro B60. A Intel estima consumo próximo de 300 W, similar ao que vemos na linha NVIDIA RTX A-series.
Um irmão menor, chamado Arc Pro B65, deve compartilhar o mesmo barramento, porém com 20 a 32 núcleos Xe2 habilitados. Essa estratégia de segmentação lembra o que a NVIDIA faz com as versões 4000 ADA e 4500 ADA, oferecendo várias faixas de preço dentro do portfólio profissional.
Comparativo rápido: Intel x NVIDIA x AMD
Embora benchmarks oficiais ainda não existam, já dá para traçar um cenário:
- NVIDIA RTX A5000: 24 GB de GDDR6 ECC, 8 960 CUDA cores; domínio consolidado em ISVs (Autodesk, Dassault, Adobe), mas preço elevado.
- AMD Radeon Pro W7800: 32 GB de GDDR6, 70 CUs RDNA 3; ótima em OpenCL e renderizadores que adotam HIP.
- Intel Arc Pro B70: 32 GB de GDDR6, 4 096 shaders; expectativa de custo agressivo e integração com CPUs Core Ultra (Meteor/Arrow Lake) via driver unificado.
Se a Intel repetir a tática de preço da linha Arc Alchemist, podemos ver uma placa com 32 GB de VRAM custando o mesmo ou menos que concorrentes de 24 GB, o que chacoalharia o mercado de workstations.
Imagem: William R
E a versão gamer B770?
Os fãs de FPS altos terão de esperar. Fontes ligadas à cadeia de suprimentos falam em escassez de chips GDDR6, tornando financeiramente inviável lançar a Arc B770 para jogos em 2024–2025. Por ora, a Intel foca onde a margem é maior: aplicações profissionais e IA, onde VRAM extra é um diferencial claro e empresas pagam o prêmio.
Linha do tempo: quando chega?
Os parceiros OEM já testam samples da Arc Pro B70, e os drivers públicos da Intel listam o dispositivo desde o último update. A expectativa de mercado indica lançamento no primeiro semestre de 2026, possivelmente alinhado ao refresh Arrow Lake (Core Ultra 200K+). Se o cronograma se mantiver, veremos anúncios oficiais na primavera do hemisfério norte (março ou abril).
Em resumo, a Arc Pro B70 promete sacudir o segmento profissional ao combinar 32 GB de VRAM, arquitetura Xe2 de segunda geração e consumo controlado. Para quem depende de renderização 3D, treinamento leve de IA ou edição de vídeos 8K, vale ficar de olho: ela pode entregar a elasticidade de memória de uma placa topo de linha da NVIDIA, mas por um valor mais amigável — e isso, claro, é música para qualquer profissional (e entusiasta) de tecnologia.
Com informações de Hardware.com.br