Depois de enfrentar uma tempestade de críticas nas redes sociais, no Congresso e até dentro da base aliada, o Governo Federal voltou atrás no aumento das tarifas de importação para produtos de informática e telecom. A decisão, publicada pelo Comitê Executivo de Gestão da Camex (Gecex), restabelece as alíquotas antigas — e isso significa alívio imediato para quem acompanha a variação de preços de notebooks, smartphones, placas-mãe, mouses, memórias SSD e gabinetes com fonte.
Quanto cada categoria volta a pagar de imposto?
• Smartphones e notebooks: retornam à alíquota de 16% (a proposta anterior elevaria para até 20%).
• Placas-mãe, mouses, gabinetes com fonte, mesas digitalizadoras e SSDs: voltam para 10,8% (na resolução revogada, chegariam a 14%).
Na prática, um SSD NVMe de 1 TB que poderia saltar de R$ 450 para quase R$ 520, deve permanecer — ou até recuar — na faixa dos R$ 450, dependendo da cotação do dólar e da concorrência entre lojistas. Para gamers e criadores de conteúdo, isso mantém o custo-benefício de upgrades essenciais como placas de vídeo e processadores importados, que acabariam contaminados por aumentos em toda a cadeia.
Por que o governo deu meia-volta tão rápido?
A ofensiva tributária vinha na Resolução Gecex nº 852/2026, assinada pelo vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin. O objetivo oficial era “proteger a indústria nacional”, mas o efeito colateral foi uma enxurrada de reclamações de consumidores, varejistas on-line e até fabricantes que dependem de componentes externos.
De acordo com a mais recente pesquisa Quaest, a aprovação do governo caiu para 45%, enquanto a desaprovação mantém 49%. Assessores no Palácio do Planalto temeram repetir o desgaste da discussão sobre “taxar o Pix” e pressionaram por um recuo antes que a oposição — que já havia protocolado o PDL nº 42/2026 — transformasse o tema em derrota legislativa.
Zero imposto para 105 itens de alto valor
Além de restaurar as alíquotas antigas dos eletrônicos de consumo, a Camex aplicou o mecanismo ex-tarifário e zerou temporariamente o imposto de 105 bens de capital e de informática. Entre eles estão equipamentos de rede corporativa, servidores de data center e componentes de automação industrial. Embora não apareçam nas prateleiras físicas, esses itens têm impacto indireto nos preços de hardware vendido ao consumidor final.
Impacto imediato nos preços: o que monitorar?
1. Variações no varejo on-line – Amazon, Mercado Livre e grandes redes costumam refletir as mudanças tributárias em 7 a 10 dias úteis. Fique de olho em promoções relâmpago de mouses gamer, teclados mecânicos e SSDs.
2. Reposição de estoque – Distribuidores que já haviam encomendado lotes sob alíquota maior podem liquidar o inventário rapidamente, gerando descontos agressivos nas próximas semanas.
3. Dólar vs. Real – Mesmo com o imposto menor, oscilações cambiais podem neutralizar parte do alívio. Use alertas de preço e programas de cashback para capturar as melhores ofertas.
Imagem: William R
Concorrentes e gerações anteriores: vale esperar ou comprar já?
• Notebooks: modelos com Intel Core 13ª geração e Ryzen 7000 tendem a cair primeiro, pois os estoques ainda são altos. Se você busca um upgrade para estudos ou edição de vídeo, aguarde o ajuste de preço antes de decidir.
• SSD NVMe Gen4: opções como Kingston KC3000 e Samsung 990 Pro já estavam em queda; o recuo fiscal pode acelerar promoções para 1 TB abaixo de R$ 400.
• Mouses e teclados gamer: itens leves e de ticket médio menor sentem o efeito quase que integral do imposto. Produtos como Logitech G502 X Lightspeed e Redragon Fizz V3 podem aparecer em bundles especiais.
O que esperar nos próximos meses?
Embora a derrota tributária alivie o bolso do consumidor, o governo sinalizou que reavaliará tarifas caso considere que a produção local possa suprir a demanda. Ou seja: o tema pode voltar à pauta. Até lá, quem planeja montar ou atualizar o PC ganha uma janela de oportunidade para pesquisar ofertas, reviews e comparativos antes do próximo reajuste.
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Com informações de Hardware.com.br