A Inteligência Artificial já saiu da fase de hype e entrou de vez no cotidiano das empresas. Mas, enquanto as ferramentas ganham espaço na rotina de trabalho, um debate permanece aceso: a tecnologia vai eliminar ou criar empregos? Um levantamento divulgado pelo National Bureau of Economic Research (NBER) revela que, nesse ponto, chefes e trabalhadores enxergam futuros bem diferentes.
O que diz a pesquisa
O estudo ouviu 6 mil empresas nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Austrália. Entre os principais achados, três números chamam a atenção:
- 69 % das organizações já usam alguma forma de IA, principalmente para geração de texto.
- Nos últimos três anos, **80 % dos executivos** não viram impacto significativo em produtividade ou quadro de funcionários.
- Para os próximos três anos, porém, a previsão dos executivos muda: **+1,4 % em produtividade, +0,8 % em produção e –0,7 % em número de empregados**.
Curiosamente, os trabalhadores projetam o oposto no quesito empregos: um leve aumento de 0,5 % nas contratações.
Por que os chefes falam em cortes?
Historicamente, ondas de automação – da linha de montagem ao e-commerce – tendem a enxugar posições repetitivas antes de criar funções mais especializadas. Com a IA generativa, o primeiro alvo são tarefas entry level em áreas como atendimento, marketing de conteúdo e até programação simples. O raciocínio dos gestores é pragmático: se o ChatGPT ou ferramentas como o Copilot conseguem rascunhar código, relatórios ou e-mails em minutos, menos horas-homem serão necessárias.
Outro fator é o custo de infraestrutura. Adotar IA em escala exige servidores robustos e GPUs de alto desempenho – pense em placas como as NVIDIA RTX 40 ou aceleradores H100. Muitas empresas preferem canalizar investimento para hardware e serviços em nuvem, compensando a conta com redução de headcount.
E por que os funcionários apostam em mais vagas?
Do ponto de vista do colaborador, a IA surge como um “companheiro de produtividade”. Se uma planilha complexa, que antes tomava uma tarde inteira, agora fica pronta em minutos com ajuda de IA, sobra tempo para assumir novos projetos ou funções mais estratégicas. Para profissionais de TI, por exemplo, as horas economizadas podem ser redirecionadas para tarefas de segurança, arquitetura de sistemas ou otimização de desempenho — áreas que continuam demandando experiência humana.
Além disso, novas carreiras estão florescendo: prompts engineers, analistas de ética em IA, treinadores de modelos proprietários e especialistas em otimização de LLMs. Todas exigem habilidades que vão além da simples automação e prometem salários competitivos.
O que dizem estudos anteriores
Pesquisas acadêmicas recentes reforçam o pessimismo dos executivos. Relatórios do MIT e da Universidade de Stanford indicam que a IA já reduziu em até **5 %** a oferta de vagas juniores em determinados setores. Entre profissionais de TI, um levantamento da Gartner mostra que **52 %** temem impacto direto em suas funções até 2026.
Imagem: Maxwell Cooter
Em contrapartida, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) argumenta que, no longo prazo, o saldo tende a ser positivo, desde que governos e empresas invistam em requalificação. Ou seja, o curto prazo pode ser turbulento, mas a criação de novos mercados — vídeo-conferências tridimensionais, computação de borda e até wearables voltados a IA — pode equilibrar a balança.
Como isso atinge você — e seu setup
Seja você desenvolvedor, criador de conteúdo ou gamer, a onda de IA já afeta suas decisões de hardware. Ferramentas como o Stable Diffusion demonstram que a escolha da placa de vídeo define a velocidade — e o custo energético — do seu fluxo de trabalho. Modelos com núcleos Tensor dedicados, caso das RTX 4060, 4070 e 4080, entregam aceleração nativa para inferência de IA.
No escritório, teclados mecânicos com macro e mouses programáveis viraram aliados dos novos fluxos automatizados. Configurar uma macro que invoque um script de IA pode cortar segundos preciosos em processos repetitivos, fazendo toda a diferença em grandes volumes de trabalho.
Prepare-se para o cenário híbrido
A mensagem central do estudo do NBER é inequívoca: a IA já não é mais opcional. Mesmo que a previsão de cortes se confirme, profissionais que dominarem o uso prático dessas ferramentas terão vantagem competitiva imediata. Do lado das empresas, líderes que combinarem automação com políticas sólidas de capacitação tendem a colher melhor retorno em produtividade e retenção de talentos.
No fim das contas, a resposta à pergunta “IA cria ou elimina empregos?” pode ser todas as anteriores. O saldo final dependerá do seu nível de preparo — técnico e estratégico — para navegar nesta nova fase da revolução digital.
Com informações de Computerworld