Você provavelmente conhece Isaac Newton pelas Leis do Movimento ou pela maçã que o ajudou a formular a Gravitação Universal. Mas, muito além de equações que regem satélites, GPUs e até o sensor do seu mouse gamer, o cientista inglês do século XVII manteve um caderno pessoal recheado de anotações sobre profecias bíblicas. Ali, ele arriscou uma data para o “fim de uma era”: o ano de 2060.
Um gênio entre a ciência e o oculto
Newton não era apenas físico e matemático; ele também se interessava por alquimia, teologia e cronologias bíblicas. Nos manuscritos analisados pelo historiador Stephen D. Snobelen, o cientista cruzou passagens do livro de Daniel com cálculos astronômicos para chegar a um possível ponto de virada na história humana.
Ele escreveu:
“Os 2300 dias não começaram antes do surgimento do pequeno chifre do Bode… O tempo, tempos e metade de tempo não terminam antes de 2060 nem depois de 2344.”
Em linguagem moderna, Newton estava sugerindo que certos ciclos proféticos — que ele converteu de “dias” para anos — culminariam em 2060. Segundo o físico, não seria necessariamente a extinção do planeta, mas o fim de um período turbulento e o início de um reino de paz.
Como ele chegou a esses números?
Para Newton, eventos bíblicos simbólicos possuíam marcadores históricos concretos, como a destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. ou o início da supremacia papal em 800 d.C. Ele somou intervalos proféticos de 1.290, 1.335 e 2.300 “dias/anos” a esses marcos. O resultado final delimitava janelas que iam de 2060 a 2374.
Vale lembrar que converter “dia” em “ano” era uma prática comum entre estudiosos protestantes do século XVII. Mesmo assim, Newton alertou:
“Menciono isso para desencorajar conjecturas precipitadas… Cristo vem como um ladrão na noite.”
Imagem: GeorgiosArt
Impacto prático: por que ainda falamos disso em 2024?
Para a comunidade científica, os manuscritos servem como exemplo histórico de pensamento interdisciplinar. Já para o público geek, é impossível não traçar paralelos com algoritmos modernos de machine learning que também tentam prever o futuro — seja o tempo de vida de um SSD ou a demanda de placas de vídeo no próximo trimestre.
Enquanto CPUs e GPUs atuais calculam trilhões de operações por segundo, Newton fazia contas com pena e tinteiro, buscando padrões em datas e eventos. Isso reforça um ponto crucial: a busca humana por previsibilidade é atemporal. Se hoje você decide entre investir em um processador de última geração ou aguardar a próxima arquitetura, está praticando, em essência, o mesmo exercício de futurologia que intrigava Newton.
Será que ele acertou?
A ciência contemporânea não encontra fundamentos físicos para um cataclismo em 2060. Contudo, mudanças climáticas e avanço exponencial da tecnologia podem, sim, transformar profundamente a sociedade nas próximas décadas. Ou seja, talvez Newton não estivesse tão interessado no “fim do mundo” literal, mas em um ponto de inflexão civilizacional.
No mínimo, o cálculo do cientista é um lembrete de que prever o futuro continua sendo um desafio — mesmo com todo o poder computacional disponível hoje. E, convenhamos, dá um sabor extra às nossas conversas sobre qual hardware terá fôlego para a próxima grande revolução tecnológica.
Em 2060, teremos respondido? Só o tempo (e talvez uma nova geração de processadores quânticos) dirá.
Com informações de Olhar Digital