A contagem regressiva começou: a Apple confirmou que o macOS 28, previsto para 2027, será o primeiro sistema da empresa a não incluir o Rosetta 2, camada de tradução que permite rodar aplicativos compilados para processadores Intel nos Macs com Apple Silicon. Na prática, isso significa que, se a sua empresa — ou você, usuário doméstico — ainda depende de algum software legado, é hora de colocar a migração no topo da lista de prioridades.
O que muda na linha do tempo oficial da Apple
• macOS 26 (lançamento previsto para 2025) será a última versão compatível com qualquer Mac Intel.
• macOS 28 (previsto para 2027) eliminará o Rosetta 2; apps Intel deixarão de abrir mesmo em Macs M-series.
• Modelos Intel receberão apenas atualizações de segurança pontuais por até dois anos após 2025 — nada de novos recursos.
Em outras palavras, 2027 é o limite absoluto para quem ainda roda software x86 em hardware Apple. Contando a partir de hoje, há de 12 a 18 meses para planejar, testar e implantar substitutos.
Por que a Apple pode se dar ao luxo de encerrar o suporte?
Os primeiros Macs com Apple Silicon chegaram em 2020. Desde então, os processadores M-series evoluíram do M1 aos atuais M3, com rumores quentíssimos sobre o M5 chegando em 2025. Segundo estimativas da IDC e da Canalys, mais de 50% dos “AI PCs” já são Macs, e a linha vende em volumes recordes trimestre após trimestre.
Essa adoção em massa tornou o Rosetta 2 um recurso de transição — e não mais de necessidade. Desenvolvedores tiveram sete anos para recompilar seus apps; quem não o fez provavelmente não planeja fazê-lo, principalmente em categorias de softwares proprietários muito específicos.
Intel × Apple Silicon: números que justificam a troca
• Desempenho bruto: o M3 Max entrega até 80% mais performance multicore que o Core i9-12900HK presente em MacBook Pro 16” 2021.
• Eficiência energética: notebooks M-series oferecem até 18 horas de bateria — o dobro dos modelos Intel.
• GPU integrada: Metal FX Upscaling, Ray Tracing em hardware (a partir do M3) e suporte nativo ao AV1.
• IA on-device: Neural Engine com até 38 TOPS, recurso inexistente em Macs Intel.
Se você trabalha com edição de vídeo em 4K, compilação de código ou simplesmente quer jogar Resident Evil Village no Mac sem engasgos, o ganho prático é imediato.
Passo a passo para descobrir se você ainda depende de apps Intel
1. Abra o Menu Apple () segurando Option e clique em Informações do Sistema.
2. No painel esquerdo, selecione Aplicativos em “Software”.
3. Verifique a coluna Tipo (Kind).
• “Apple Silicon” ou “Universal” → está tudo certo.
• “Intel” → programe a substituição.
Admins de TI que usam MDM (Jamf Pro, Kandji, Mosyle, etc.) podem automatizar a varredura com o comando mdfind ou recorrer a ferramentas como o iMazing para gerar relatórios em lote.
Imagem: Jny Evans
Estratégias para migrar sem traumas
1. Atualização gratuita: muitos apps populares — Microsoft 365, Adobe Creative Cloud, Blender, Affinity Suite — já oferecem binários universais. Basta instalar a versão mais recente.
2. Alternativas na App Store: se o desenvolvedor abandonou o projeto, busque soluções equivalentes. O ecossistema Apple cresceu 40% em cinco anos, com softwares otimizados para GPU integrada e Neural Engine.
3. Virtualização ou contêiner: quando não há saída, avalie rodar o app legado em uma VM Linux/Windows x86 hospedada em nuvem ou em um Mac Intel isolado, apenas para tarefas pontuais. Custa mais, mas mantém o fluxo de trabalho enquanto o substituto é desenvolvido.
Hora de convencer a diretoria (ou seu bolso)
Para departamentos de TI, o fim do suporte Intel é um argumento orçamentário poderoso. Macs M-series reduzem custos com energia, ganham mais ciclos de updates de segurança e entregam desempenho que dispensa GPUs discretas em muitos cenários. Usuários domésticos, por sua vez, têm hoje opções a partir do MacBook Air M2, já frequentemente em promoção na Amazon Brasil, até workstations Mac Studio M2 Ultra que rivalizam com PCs high-end equipados com RTX 4080.
O que esperar dos próximos anos
Ainda que a Apple prometa patches de segurança para alguns Macs Intel até 2027, o cronômetro corre. A cada WWDC, novos recursos, especialmente de IA on-device e jogos AAA, dependerão cada vez mais do Apple Silicon. Ignorar a migração agora é adiar o inevitável — e arriscar ficar sem atualizações críticas lá na frente.
Resumo em uma linha: se seu fluxo de trabalho ou lazer ainda gira em torno de apps Intel, use 2024-2025 para migrar. Depois disso, o legado vira dor de cabeça — e potencial risco de segurança.
Com informações de Computerworld