A Apple precisou pisar no freio na mais aguardada evolução da Siri, agora turbinada pelo modelo Google Gemini. A assistente reimaginada continua prevista para 2024, mas dificilmente chegará ao público na janela de “primavera” do hemisfério norte (entre março e junho), como se cogitava nos bastidores.
Por que o adiamento?
De acordo com o sempre bem-informado Mark Gurman, da Bloomberg, os testes internos detectaram três pedras no caminho:
- Confiabilidade – a nova Siri ainda falha em cenários de uso cotidiano;
- Precisão nas respostas – alguns comandos geram resultados inconsistentes;
- Lentidão – o tempo de resposta está acima do aceitável para a experiência “instantânea” prometida.
Inicialmente, as novidades deveriam estrear no iOS 17.4 (o artigo original cita “26.4”, mas a próxima grande atualização é a 17.4). Agora, a estratégia mudou: os recursos serão liberados em ondas, distribuídos ao longo do ano em atualizações menores.
O que realmente está em jogo
A demora não é apenas um tropeço de cronograma. Ela escancara a pressão que a Apple sofre para se provar relevante na corrida da IA generativa – terreno onde Google e Microsoft vêm avançando a passos largos.
Para quem usa iPhone, o pacote de melhorias promete:
- Respostas contextuais baseadas em dados pessoais (calendário, e-mails, mensagens);
- Automação por voz dentro dos apps – imagine dizer “edite essa foto como a última” ou “envie o arquivo como PDF” sem tocar na tela;
- Integração profunda com o ecossistema Apple, mantendo o foco em privacidade, um diferencial que a empresa vem martelando.
Comparativo rápido: Apple vs. concorrentes
• Google Pixel 8 Pro: já faz transcrição em tempo real e gera resumos via Gemini, mas depende fortemente da nuvem.
• Samsung Galaxy S24: aposta no Galaxy AI, capaz de traduzir chamadas e refinar fotos com um toque.
• Apple: promete processar o máximo possível on-device, sacrificando velocidade inicial por mais segurança de dados.
Como o atraso pode virar vantagem
A Apple poderá lançar recursos à medida que fiquem maduros, evitando repetir a decepção de funções mostradas no WWDC 2023 que nunca chegaram aos iPhones. Na prática, usuários devem notar pequenos saltos de usabilidade mês a mês, em vez de esperar um “grande dia” de atualização.
Imagem: Jny Evans
Impacto no ecossistema (inclusive para quem joga)
• Jogos mobile: comandos de voz mais rápidos podem simplificar streaming ou gravação de gameplay.
• Casa inteligente: a Siri contextual poderá entender rotinas complexas (“modo campeonato” liga lâmpadas RGB, fecha cortinas e inicia o console).
• Produtividade: respostas personalizadas a e-mails e criação automática de lembretes devem competir com Copilot e Bard.
O que esperar do WWDC 2024
Mesmo com atraso, Gurman aposta que a Apple mostrará uma prévia desses recursos junto de novos Macs M-series e, possivelmente, um “iPhone 17e” (ou outro modelo experimental). O foco deverá ser provar que a combinação de hardware otimizado + IA local mantém o iPhone relevante na era dos chatbots.
No fim das contas, quem ganha é o usuário: atualizações graduais significam menos bugs críticos e mais tempo para a comunidade testar, comparar e decidir se vale a pena permanecer (ou migrar para) o ecossistema da Maçã.
Com informações de Computerworld