A promessa de uma Siri finalmente inteligente, capaz de entender contexto e executar ações dentro dos apps, pode ficar mais distante do que a Apple sugeriu na última WWDC. De acordo com o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, falhas de confiabilidade e lentidão na resposta devem forçar a empresa a escalonar — e não mais lançar em bloco — as novidades baseadas no modelo Google Gemini.
Do iOS 18 para “quando estiver pronto”
Internamente, a Apple planejava liberar a nova Siri já no iOS 18.4, previsto para chegar aos iPhones na próxima primavera do hemisfério norte (outono no Brasil). Agora, o roteiro mudou: os recursos serão distribuídos em atualizações pontuais ao longo de 2024 e possivelmente 2025.
Os principais gargalos encontrados nos testes envolvem três pontos críticos:
- Precisão das respostas: o assistente ainda erra em comandos simples, o que mina a confiabilidade do recurso.
- Tempo de latência: a Siri demora mais que o Google Assistant e o Alexa para retornar uma resposta — algo inaceitável em 2024.
- Contexto pessoal: usar dados do calendário, e-mails e mensagens para gerar respostas contextualizadas mostrou-se mais complexo do que o previsto.
Por que isso importa para você?
Se você usa o iPhone como central de produtividade — ou curte automação residencial com HomeKit —, o atraso significa que rotinas de voz mais avançadas, como “Siri, resuma meus e-mails” ou “Siri, edite essa foto e poste no Instagram”, ainda não chegarão tão cedo. Para quem pensa em trocar de aparelho, vale considerar que modelos futuros como o iPhone 16 (ou 17e) deverão vir com chips A18 Pro ainda mais otimizados para IA, o que pode colocar os dispositivos atuais — iPhone 13 ou anteriores — em desvantagem de performance.
Concorrência não vai esperar
Enquanto a Apple faz ajustes, Google Pixel 8 Pro e Samsung Galaxy S24 já oferecem recursos generativos on-device, como tradução simultânea e edição inteligente de fotos. Esse hiato cria um vácuo que pode impactar as vendas do ecossistema Apple, principalmente entre usuários que priorizam IA no dia a dia.
Estratégia de “melhor plataforma para IA pessoal”
Tim Cook vem repetindo que a Apple quer entregar IA privada, processada no próprio dispositivo. Isso exige otimizações especiais de hardware (como o Neural Engine nos chips Apple Silicon) e coloca a empresa em posição distinta de rivais que dependem fortemente da nuvem. A abordagem é mais segura, mas também mais lenta — e o consumidor sente a demora.
Expectativa para a WWDC 2024
Mesmo com o cronograma revisado, analistas apostam que a Apple mostrará algum “gostinho” da nova Siri na conferência de desenvolvedores em junho. Funcionalidades limitadas, como geração de legendas em tempo real no iPhone e comandos de voz para apps nativos (Fotos, Mail, Apple Music), podem aparecer como beta.
Imagem: Jny Evans
Impacto no ecossistema Apple que você já possui ou pretende comprar
• Apple Watch Series 9 e Ultra 2: sensores de saúde avançados, mas a integração profunda com Siri contextual só virá em updates futuros.
• Macs com M3: devem ganhar ferramentas de IA locais parecidas com as que já equipam apps de produtividade do Windows 11 Copilot.
• HomePod 2ª geração: sem a Siri turbinada, alto-falantes inteligentes da Apple continuam atrás dos Echo em flexibilidade de automação.
Vale esperar ou comprar agora?
Se você prioriza privacidade e integração profunda entre dispositivos, mesmo a Siri atual continua funcional para tarefas básicas. Porém, se a ideia é investir em IA de última geração, pode ser prudente aguardar os próximos anúncios — especialmente porque os novos chips devem destravar recursos exclusivos que modelos antigos não terão.
No fim das contas, o atraso reflete mais cautela do que incompetência: a Apple prefere postergar o lançamento a entregar um produto inconsistente. A grande questão é saber se, até lá, o mercado de IA já terá avançado mais um ou dois grandes passos à frente.
Com informações de Computerworld