Se você é daqueles que abrem o ChatGPT antes mesmo do navegador carregar, prepare-se para ver algo novo na tela: anúncios patrocinados. A OpenAI iniciou, nos Estados Unidos, o primeiro teste público de publicidade dentro do chat na segunda-feira (9). O objetivo é simples — mas crucial para a empresa —: criar uma fonte de receita capaz de bancar o alto custo de rodar modelos cada vez mais robustos, como o recente GPT-5.2.
Por que a OpenAI decidiu mostrar anúncios agora?
Rodar inteligência artificial generativa em escala não é barato. Estimativas de mercado apontam que cada interação com um modelo de linguagem de última geração pode custar de US$ 0,01 a US$ 0,36, dependendo da complexidade. Somado a isso, a OpenAI planeja lançar o GPT-6 nos próximos 12 meses, o que deve pressionar ainda mais o caixa. Publicidades contextuais surgem, então, como a forma menos agressiva de manter o produto gratuito — caminho semelhante ao que Google e Meta trilham há anos.
Como os anúncios vão aparecer no ChatGPT?
Os links patrocinados ficarão na parte inferior da interface, sempre identificados pela etiqueta “Patrocinado”. O algoritmo tentará casar a oferta com o assunto da conversa: pediu dicas de teclado mecânico? Espere ver ofertas de periféricos gamers logo abaixo da resposta. Segundo a OpenAI, a publicidade não interferirá no texto gerado pelo chat — o conteúdo permanece neutro, com anúncios exibidos apenas como blocos visuais separados.
Planos, preços e quem verá anúncios
A empresa reorganizou sua prateleira de assinaturas para deixar a decisão nas mãos do usuário. Confira:
- Free – R$ 0,00/mês: acesso limitado ao GPT-5.2 e exibição de anúncios.
- Go – R$ 39,99/mês: mais mensagens diárias, upload de arquivos e publicidade ativada.
- Plus – R$ 99,90/mês: sem anúncios, acesso ao Sora e modelos avançados de raciocínio.
- Pro – R$ 999,90/mês: GPT-5.2 Pro, uploads ilimitados e zero publicidade.
- Business – R$ 134,99 por usuário/mês (cobrança anual): workspace dedicado, compliance de privacidade e ambiente livre de anúncios.
Quem permanecer no plano gratuito ainda poderá desligar completamente a publicidade, mas com uma contrapartida: o número de mensagens diárias cai drasticamente. É a versão IA do “ou você paga com dinheiro ou paga com tempo”.
E a privacidade das minhas conversas?
A OpenAI garante que anunciantes não terão acesso a chats individuais. Eles receberão apenas dados agregados — como cliques e impressões — para medir performance. Além disso, o usuário poderá:
- desativar a personalização baseada em interações anteriores;
- limpar o histórico comercial;
- enviar feedback avaliando a relevância do anúncio.
Menores de 18 anos e temas sensíveis (política, saúde, saúde mental) estão fora do escopo de monetização, uma tentativa de evitar influência indevida em decisões críticas.
Imagem: Internet
Concorrência de olho: Anthropic cutuca, Google observa
A Anthropic, criadora do Claude, não perdeu tempo: durante o último Super Bowl, veiculou comerciais ironizando “IA com anúncios”. Sam Altman, CEO da OpenAI, respondeu chamando a campanha de “divertida, porém desonesta”. Enquanto isso, o Google — mestre no assunto publicidade — segue testando formatos menores dentro do Gemini (ex-Bard), mas ainda sem liberar globalmente.
O que isso muda para quem usa o ChatGPT no dia a dia?
Para tarefas rápidas — como comparar processadores Ryzen e Intel antes de clicar em um link da Amazon, por exemplo — nada muda no texto da resposta. No entanto, os novos blocos patrocinados podem facilitar um atalho direto para ofertas relevantes, poupando a busca manual. Se você valoriza uma interface limpa ou utiliza o chat profissionalmente, o Plus continua sendo o ponto doce em custo-benefício.
No fim das contas, a OpenAI aposta que a utilidade da IA vai falar mais alto do que o incômodo visual, transformando publicidade em um “mal necessário” para manter o acesso gratuito vivo — e, claro, preparar terreno para a próxima geração de modelos que promete elevar ainda mais o patamar das conversas com máquinas.
Com informações de Mundo Conectado