Se você ainda acha que inteligência artificial é assunto de laboratório, a EY e a Lumen provam o contrário. As duas gigantes já tiram proveito de modelos de linguagem, agentes autônomos e governança de dados para cortar custos, acelerar processos e — detalhe importante — preparar terreno para novas ondas tecnológicas, como computação quântica. Enquanto a EY adota uma postura “segura e regulada”, a Lumen mergulha de cabeça em uma cultura que coloca IA na mão de todo colaborador desde o primeiro dia.
Por que a maioria dos projetos de IA morre na praia?
Só em 2024, 83% das empresas pesquisadas pela EY admitiram não ter a base de dados adequada para escalar IA. Sem dados limpos e governados, pouco adianta contratar clusters de GPUs NVIDIA H100 ou instâncias Amazon EC2 P5 — o protótipo não sai do slide.
EY: cautela, mas com frameworks portáteis
Com 30 milhões de processos internos documentados e 41 mil agentes de IA em produção, a EY faz do próprio “laboratório” um guia para clientes do setor financeiro e tributário, onde qualquer deslize gera multas. O CTO global Joe Depa resume o modelo:
- Governança desde o dia zero — políticas de IA responsável reduzem risco e criam sandboxes para experimentação sem travar a inovação.
- Treinamento pontual — nada de cursos genéricos. O colaborador aprende a ferramenta no momento em que precisa aplicá-la, maximizando retenção.
- Visão de longo prazo — da IA generativa para a “agente” e depois para a “física”, com computação quântica no radar. Ou seja, a infraestrutura precisa escalar hoje e suportar amanhã.
O resultado? Projetos que viram produtos reais e criam valor mensurável — e que, por tabela, demandam hardware de ponta e serviços cloud parrudos, segmentos quentes na Amazon.
Lumen: IA para todos, do estagiário ao CEO
Se a EY puxa o freio, a Lumen pisa fundo. A empresa de telecom transformou IA em prioridade de conselho. Segundo Sean Alexander, VP de ecossistemas conectados, a filosofia é clara: “Cultura devora estratégia no café da manhã”. E isso se traduz em ações:
- Copilot Studio liberado para 100% da força de trabalho — novos funcionários reduzem o ramp-up de seis para quatro meses.
- Programas ‘Copilot em um dia’ — metade do tempo em treinamento, metade em hack, validando metas de negócio antes do deploy.
- Agentes especialistas — de migração de serviços legados a suporte técnico, sempre com humano no loop para garantir qualidade.
- ROI tangível — o recurso “Ask Greg”, nascido como hackathon, já poupa US$ 10 milhões/ano em atendimento.
O que isso significa para você, profissional ou entusiasta?
1. Dados primeiro: investir em SSDs NVMe rápidos, storage em nuvem escalável e ferramentas de ETL pode ser mais decisivo do que comprar a GPU mais cara agora.
2. Governança não é moda: frameworks como AWS AI Service Cards ou Azure Responsible AI ajudam a ganhar velocidade com segurança — essencial se seu projeto envolve informações sensíveis.
Imagem: Agam Shah Seni
3. Treine na prática: cursos teóricos são úteis, mas nada substitui pôr a mão na massa em ambientes controlados. Kits com Raspberry Pi 5 ou Jetson Nano podem ser ponto de partida barato para aprender visão computacional em casa.
Olho no futuro: IA agente, IA física e além
Depa aposta que estamos a poucos passos de agentes físicos — braços robóticos cirúrgicos governados por modelos de linguagem — e da computação quântica acessível. Se isso se concretizar, veremos uma explosão de demanda por redes 800 GbE, módulos de memória HBM4 e CPUs dedicadas a IA. Vale acompanhar lançamentos como:
- Processadores AMD EPYC “Turin” com extensões AVX-512;
- Placas de vídeo NVIDIA Blackwell B200 para data center;
- Switches ópticos de baixa latência com porte para clusters quânticos.
Em outras palavras, as histórias de EY e Lumen sinalizam o que vem aí: empresas que combinam governança, cultura de experimentação e infraestrutura elástica estão colhendo dividendos antes dos concorrentes. E, para o leitor que busca vantagem competitiva — seja montando um PC para machine learning ou avaliando serviços em nuvem —, entender esses movimentos é meio caminho andado para investir com precisão.
Com informações de Computerworld