O lendário Atari ST, micro de 16 bits que marcou os anos 80 pela música e pelos jogos, acaba de ganhar uma reencarnação do século XXI. Batizado de MiniST, o projeto criado pelo engenheiro e entusiasta Dennis Shaw comprime todo o hardware do computador original em um teclado TKL, troca o sinal analógico por HDMI e utiliza um core em FPGA para repetir, ciclo a ciclo, o comportamento do ST genuíno. Resultado: nostalgia pura sem o “fantasma” de manutenção de uma máquina de quatro décadas – e com direito a periféricos USB de hoje.
O que torna o MiniST diferente de uma simples emulação?
Em um PC comum, programas como Hatari ou Steem reproduzem o ambiente do ST via software. O MiniST vai além: o FPGA Tang Nano executa o core MiSTeryNano, que recria eletricamente a CPU Motorola 68000 de 8 MHz, o chip de som YM2149, o Blitter e toda a lógica de barramento. Isso garante compatibilidade quase absoluta com demos, jogos e, principalmente, sequenciadores MIDI que fizeram do Atari ST o “queridinho” de estúdios na era pré-DAW.
Ficha técnica resumida
• Processador: Motorola 68000 (replicado em FPGA) a 8 MHz
• Vídeo: saída HDMI com modos coloridos (320 × 200) e monocromático em alta resolução (640 × 400)
• Áudio: chip YM2149 e áudio DMA (modelos STE) saindo pelo mesmo cabo HDMI
• MIDI: portas DIN de 5 pinos (In / Out) físicas
• Armazenamento: suporte a disco rígido ASCI virtual, imagens de disquete e cartões SD
• Extras: microcontrolador RP2040 para OSD, atualizações fáceis de firmware e até quatro portas USB para teclado, mouse e joystick de última geração
Nostalgia em tamanho de teclado – e com código aberto
Todo o chassi é impresso em 3D seguindo o design “wedge” clássico do ST, mas reduzido ao formato tenkeyless. Shaw adaptou o modelo Atapi STx, originalmente pensado para Raspberry Pi, para acomodar a placa FPGA. O projeto é 100 % open source; arquivos de firmware, diagramas e modelos 3D estão no GitHub, permitindo que qualquer maker com uma impressora 3D e um pouco de paciência construa sua própria unidade.
Preço e disponibilidade: por que só cinco unidades?
A primeira tiragem terá apenas cinco exemplares, cada um por cerca de € 350 (aproximadamente R$ 2 000). O fator limitante é o trabalho artesanal: impressão, lixamento, pintura e montagem manual. A boa recepção no grupo de usuários do Atari ST no Facebook, porém, indica demanda para uma leva maior – algo que pode derrubar custos e abrir portas para revendedores globais.
Como o MiniST se posiciona frente a outras recriações retrô?
Enquanto o Commodore 64 recebeu versões como TheC64 e o Amiga ganhou o A500 Mini, o Atari ST ficou órfão. O MiniST preenche essa lacuna e compete diretamente com o MiSTer FPGA, mas em um corpo integrado (teclado + computador). Para quem se interessa por áudio, as portas MIDI físicas são um diferencial que nem mesmo o MiSTer oferece de fábrica.
Imagem: William R
Para quem vale a pena?
• Músicos e produtores que querem reviver sequenciadores lendários como Cubase 2.0 ou Notator sem latência de software.
• Retrogamers que buscam fidelidade de sinal em TVs 4K via HDMI, sem gambiarra de conversores.
• Entusiastas de hardware que gostam de projetos DIY e já possuem peças como switches de teclado, keycaps ou gamepads USB — itens fáceis de encontrar em marketplaces.
Próximos passos do projeto
Dennis Shaw pretende lançar guias detalhados e estimula a comunidade a testar novos cores no Tang Nano, o que pode abrir caminho para suportar outras plataformas de 16 bits. Para acompanhar a evolução ou baixar os arquivos, basta visitar o repositório oficial no GitHub e o site do Atapi STx.
Se você sempre quis revisitar o Atari ST sem depender de hardware usado em leilões internacionais e placas “amareladas”, o MiniST parece finalmente unir o melhor dos dois mundos: autenticidade eletrônica e conforto moderno. Agora é torcer para que a produção em escala saia do papel e coloque mais unidades nos carrinhos dos fãs de retrotecnologia.
Com informações de Hardware.com.br