A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, prepara uma nova rodada de cortes que deve atingir cerca de 1,5 mil funcionários da divisão Reality Labs, responsável por realidade virtual (VR) e aumentada (AR). A informação, revelada pelo The New York Times, sinaliza uma virada estratégica de Mark Zuckerberg: menos verba para headsets imersivos, mais investimentos em gigantescos data centers voltados à inteligência artificial generativa.
Por que a Meta está trocando VR por IA?
Manter chatbots como o Meta AI ou ferramentas de criação de conteúdo exige quantidades colossais de processamento. Segundo fontes internas, o chamado projeto “Meta Compute” pretende erguer dezenas de gigawatts em capacidade de energia — o suficiente para abastecer cidades inteiras nos EUA. Para caber no orçamento, a conta recai sobre os setores que tinham prioridade até pouco tempo atrás, como o desenvolvimento de novos modelos do Meta Quest e óculos AR.
Impacto direto para jogadores e entusiastas
• Menos novidades a curto prazo: quem esperava um sucessor do Quest 3 já em 2024 pode ter de aguardar mais tempo.
• Queda nos preços dos modelos atuais: cortes de estoque costumam gerar promoções. Se você acompanha ofertas, é hora de ficar de olho nos VR headsets disponíveis na Amazon, como o próprio Quest 2 ou o PlayStation VR2.
• Foco em software inteligente: a Meta deve integrar assistentes por voz e recursos de IA diretamente nos dispositivos existentes — algo que pode melhorar a experiência de jogos, fitness e apps sociais que já rodam nos óculos.
Comparativo rápido: Meta Quest 3 vs. concorrentes
Meta Quest 3
– Snapdragon XR2 Gen 2
– Painéis LCD 2064 × 2208 por olho
– Pass-through colorido para AR
– Ecossistema robusto de jogos
Apple Vision Pro
– Chip M2 + R1
– Micro-OLED 4K por olho
– Pass-through ultra-definido
– Preço acima de US$ 3.000
Pico 4
– Snapdragon XR2 Gen 1
– Resolução 2160 × 2160
– Focado em fitness e social
– Distribuição oficial restrita
Com a Meta reduzindo o ritmo, Apple e ByteDance (Pico) ganham espaço. Para o consumidor, isso significa maior variedade de preços e especificações, mas também incerteza sobre qual plataforma receberá mais suporte a longo prazo.
Reunião de “vida ou morte” em Menlo Park
Andrew Bosworth, CTO da Meta, convocou uma assembleia presencial considerada “a mais importante do ano”. Além de anunciar as demissões — que representam 10 % dos 15 mil postos da Reality Labs —, o encontro deve redirecionar projetos: hardware de realidade imersiva passa a dividir espaço com aplicativos de IA que potencializam Facebook, Instagram e WhatsApp.
Imagem: Internet
Novo rosto na liderança: quem é Dina Powell McCormick?
Para gerir parcerias e suavizar a transição, a Meta contratou Dina Powell McCormick, ex-Goldman Sachs e ex-Casa Branca, agora presidente e vice-chair do conselho. Sua função será costurar acordos de infraestrutura, energia e, claro, talentos em IA — área na qual a briga por engenheiros é tão acirrada quanto a corrida por GPUs H100 da NVIDIA.
Metaverso não morreu, mas foi para o banco de reservas
Zuckerberg reforça que a visão de mundos virtuais persiste, porém “em segundo plano” até que a AI infra esteja consolidada. Um sinal de vida é o bom desempenho dos óculos inteligentes Ray-Ban Meta, que gravam vídeos em 1080p e já contam com assistente por voz. Produtos discretos e de ticket médio menor podem herdar parte do orçamento que antes pertencia ao metaverso.
O que esperar daqui pra frente?
1. Lanternas apontadas para IA: espere anúncios de modelos de linguagem, ferramentas de automação para Reels e novidades de creators.
2. Promoções agressivas em VR: lojas online, inclusive a Amazon, tendem a baixar o preço de headsets para girar estoque.
3. Integração cruzada: features de IA devem chegar primeiro aos dispositivos existentes (Quest 3, Ray-Ban) para manter o ecossistema vivo sem altos custos de P&D.
Para quem está de olho em upgrade de PC gamer ou procura gadgets de realidade estendida, o momento é de observar o mercado: placas de vídeo e processadores continuam essenciais para experiências VR no desktop, mas as movimentações da Meta indicam que o futuro da imersão pode vir embalado em software cada vez mais “inteligente” — e não necessariamente em novos hardwares todos os anos.
No fim das contas, a demissão de 1,5 mil profissionais marca mais um capítulo da chamada “corrida armamentista da IA”. Se dará certo? Só o desempenho dos servidores — e dos próximos lançamentos — dirá.
Com informações de Mundo Conectado