Se você viu a atualização do DLSS 4.5 pipocar no launcher do seu game favorito e correu para ativá-la na sua velha de guerra GeForce RTX 2080 Ti ou 3090 Ti, é bem provável que tenha se surpreendido – negativamente – com os números de FPS. Testes independentes de ComputerBase e Hardware Unboxed confirmam: placas das gerações Turing (RTX 20) e Ampere (RTX 30) podem perder de 20 % a 30 % de desempenho em cenas específicas. Já as GPUs mais novas, baseadas em Ada Lovelace, sofrem “apenas” 3 % a 5 %. Entenda o que mudou sob o capô e por que o salto visual não compensa a queda de frames para quem não tem uma RTX 40 ou superior.
O que o FP8 tem a ver com isso?
O grande trunfo do DLSS 4.5 é usar cálculos em ponto flutuante de 8 bits (FP8) nos Tensor Cores, algo exclusivo das arquiteturas Ada Lovelace e Blackwell. Esse atalho reduz o peso do algoritmo de IA, liberando recursos para trabalhar texturas e nitidez. O problema? Turing e Ampere não possuem unidades FP8. Quando essas placas recebem a mesma instrução, precisam convertê-la para formatos maiores (FP16 ou FP32), desperdiçando ciclos de processamento e, claro, derrubando o FPS.
Testes de campo: números que falam por si
No levantamento do ComputerBase, a poderosa RTX 3090 Ti ficou, em média, 12 % mais lenta com o DLSS 4.5 ativado. Já a RTX 2080 Ti, popular entre quem comprou no início do ray tracing, chegou a registrar 30 % de queda no pior cenário. Em contraste, uma RTX 4080 Super perdeu apenas 3 % a 5 %, variação muitas vezes imperceptível no gameplay.
O Hardware Unboxed foi além: usando uma RTX 4070 de 12 GB em modo Qualidade, a perda passou de 10 % em áreas de maior densidade gráfica. Para quem joga competitivo, onde cada milissegundo conta, é um downgrade considerável.
Quando o “upgrade” vira armadilha
Em títulos otimizados para o algoritmo anterior (DLSS 4.0, ou Model K), a situação fica ainda mais irônica. Diversos testers comprovaram que rodar o jogo em resolução nativa, sem nenhum tipo de upscaling, entrega mais FPS do que o 4.5 em placas antigas. Na prática, o recurso que deveria “devolver” quadros por IA acaba subtraindo performance.
Comparativo rápido: FSR 3 e XeSS sentem o mesmo impacto?
A rival AMD aposta no FSR 3, que usa shader cores tradicionais e não depende de unidades FP8 dedicadas. Em GPUs da série RX 6000, a perda média ao mudar do FSR 2 para o 3 é inferior a 3 %, segundo o canal Gamers Nexus. A Intel, com o XeSS, segue caminho parecido, usando tanto DP4a (comum em GPUs mais antigas) quanto XMX. Em conclusão, o gargalo visto no DLSS 4.5 é um caso específico da estratégia da NVIDIA de empurrar a IA para a linha Ada em diante.
Imagem: William R
Vale a pena atualizar?
- Se você tem uma RTX 40: ative sem medo, principalmente em 4K. O ganho visual compensa a perda mínima de FPS.
- Se você usa RTX 20 ou 30: mantenha o DLSS 4.0 (Model K) ou considere o modo nativo caso a latência seja crucial.
- Pensando em upgrade: GPUs com Tensor Cores FP8 (RTX 4070, 4080 Super, 4090) já chegaram ao varejo nacional; quem joga em QHD ou 4K verá diferença real, sobretudo em títulos futuros otimizados exclusivamente para FP8.
Impacto prático para o gamer brasileiro
No cenário atual de preço de hardware, trocar uma RTX 3060 Ti por uma 4070 pode custar metade de um PC novo. Mas, se seus jogos favoritos adotarem o DLSS 4.5 como padrão, você perderá não só FPS como longevidade. Quem pretende investir em AAA de 2024 em diante (Star Wars Outlaws, Stalker 2, Cyberpunk 2077 2.1, etc.) deve considerar GPUs com suporte nativo a FP8 para não ficar preso a versões antigas do upscaling.
Resumindo: o DLSS 4.5 é um salto tecnológico, só que projetado para quem já saltou de geração de placa de vídeo. Para as RTX 20 e 30, o melhor caminho, pelo menos por enquanto, é segurar a ansiedade, usar o Model K e acompanhar de perto os próximos patches de otimização.
Com informações de Hardware.com.br