Você já pensou em transformar um cooler de processador em solução para placa de vídeo? O youtuber TrashBench levou essa ideia ao extremo ao instalar um dissipador de torre dupla — típico de CPUs high-end — em uma ASUS GeForce RTX 2060. O resultado: queda de temperatura de quase 30 °C, o suficiente para fazer qualquer entusiasta levantar a sobrancelha. Mas, antes de sair pegando a chave de fenda, vale entender como o experimento foi feito, quais os ganhos reais e, principalmente, os riscos envolvidos.
O ponto de partida: entender o “calor” da RTX 2060
Lançada em 2019, a RTX 2060 usa o chip TU106 com TDP de 160 W — relativamente modesto em comparação aos 220 W de uma RTX 3060 Ti, por exemplo. Mesmo assim, modelos com refrigeração de fábrica simples costumam operar na casa dos 75 °C a 82 °C durante jogos intensos, limite no qual o clock é ajustado automaticamente para preservar o silício. Menos calor significa, em teoria, mais performance estável e menor ruído de ventoinhas.
Etapa 1: dissipadores passivos improvisados
TrashBench começou colando pequenos blocos de alumínio no backplate da GPU. Soltos, eles não fizeram diferença. Fixados com pasta térmica, derrubaram cerca de 10 °C — uma melhora honesta, mas ainda distante do “uau”.
Etapa 2: substituindo todo o cooler de fábrica
A reviravolta veio quando o criador removeu o sistema original de duas ventoinhas e acoplou um Thermalright de torre dupla (pense em modelos como Peerless Assassin ou Frost Spirit, facilmente encontrados na Amazon). A solução cobre o chip principal com heatpipes de cobre e aletas de alumínio muito mais generosas do que as do cooler stock. Resultado nos testes:
- Antes: pico de 82 °C em sessão prolongada de Cyberpunk 2077 a 1440p.
- Depois: pico de 55 °C nas mesmas condições — até 27 °C de diferença.
Impacto na prática: FPS, ruído e vida útil
Com a GPU mais fria, o clock boost manteve-se em média 70 MHz acima do nível original, garantindo alguns quadros extras e, principalmente, maior consistência em sessões longas. O ruído também despencou: ventoinhas do Thermalright giraram a 800–900 rpm, quase imperceptíveis em gabinete fechado. Para quem mira overclock ou quer preservar o hardware por anos, temperaturas abaixo de 60 °C são um sonho.
Mas nem tudo são flores: memórias e VRM continuam quentes
Placas de vídeo não são só GPU. VRAM GDDR6 e módulos VRM podem chegar a 95 °C rapidamente. O cooler de CPU não cobre essas áreas, e o youtuber precisou colar dissipadores individuais de alumínio — solução caseira que absorve parte do calor, mas sem o fluxo de ar direcionado das ventoinhas originais. Em uso diário, isso pode acelerar a degradação dos componentes ou causar throttling térmico invisível nos sensores da GPU.
Vale a pena copiar? Alternativas plug-and-play
Para entusiastas que gostam de pôr a mão na massa, a modificação é um prato-cheio. Porém, para quem prefere segurança, existem caminhos menos radicais:
Imagem: William R
- Coolers dedicados para GPU como o Arctic Accelero Xtreme IV ou Accelero Twin Turbo III, compatíveis com dezenas de modelos e já contendo placas de dissipação para VRAM e VRM.
- Adaptadores AIO (ex.: NZXT Kraken G12) que permitem usar water coolers de CPU na placa de vídeo, mas com kit de ventoinhas exclusivo para os demais chips.
- Substituição de pasta térmica por compostos premium (Gelid GC-Extreme, Thermal Grizzly Kryonaut) muitas vezes garante 5–8 °C a menos sem trocar o cooler.
Todas as opções acima estão disponíveis em marketplaces como a Amazon Brasil, com instalação bem documentada e risco menor que uma adaptação “faça-você-mesmo”.
Comparativo rápido: onde a RTX 2060 se encaixa hoje
Com preços de GPUs ainda voláteis, a RTX 2060 permanece popular em builds intermediários. Depois do update de drivers que ativou NVIDIA Reflex e melhorou o DLSS 2.0, ela segura 1080p alto em praticamente qualquer jogo competitivo. Se o seu gargalo é temperatura ou ruído, um upgrade de refrigeração pode prolongar o ciclo de vida até a próxima geração — seja um cooler de CPU improvisado, seja uma solução aftermarket certificada.
Conclusão: o experimento de TrashBench prova que há muito espaço para inovação (ou loucura) no mundo do hardware. Reduzir quase 30 °C é incrível, mas a modificação exige habilidade, atenção aos demais chips e, claro, a perda imediata de garantia. Para a maioria dos usuários, investir em um cooler dedicado ou simplesmente melhorar o fluxo de ar do gabinete entrega ganhos sólidos com risco mínimo.
Com informações de Hardware.com.br