Prepare-se para ver menos iPhones nas ruas — e, possivelmente, mais dígitos nas etiquetas de preço. Um relatório atualizado da Counterpoint Research projeta que as remessas globais de iPhone vão encolher 2,2 % em 2026 em relação a 2025, puxadas pela disparada dos custos de memória NAND e DRAM, peças essenciais para armazenamento interno e RAM.
Memória vira vilã do orçamento
Segundo a consultoria, os chips de memória registraram uma escalada de 20 % a 30 % no custo de materiais (BoM) apenas nos primeiros meses de 2024. Como o iPhone parte, hoje, de 128 GB de armazenamento e 6 GB de RAM, qualquer variação de centavos por gigabyte tem efeito dominó no valor final do aparelho.
O impacto é ainda maior na faixa de preço abaixo de US$ 200, onde Androids de entrada dependem de margens apertadíssimas para sobreviver. “A categoria está sendo massacrada”, resumiu MS Hwang, diretor de pesquisa da Counterpoint. Mas o efeito respinga também nos modelos premium, que viram o custo total de produção subir entre 10 % e 15 %.
Por que a Apple sente menos (mas ainda sente)
A Apple compra memória em volumes gigantescos, negociando contratos de longo prazo com fornecedores como Micron, SK Hynix e Samsung. Essa economia de escala permite “segurar a pancada” melhor que marcas menores, absorvendo parte do aumento sem repassar tudo de imediato ao consumidor. Ainda assim, a conta chega — e o histórico mostra que a empresa prefere manter margens estáveis a cortar preço.
Nos últimos cinco anos, o preço base do iPhone nos EUA ficou em US$ 799, mas a versão Pro Max saltou de 64 GB para 256 GB e ganhou câmeras e chips mais caros. Analistas acreditam que, se a maré de custos não recuar, o iPhone 17 (previsto para 2025) ou o iPhone 18 (2026) podem estrear com um reajuste oficial de US$ 50 a US$ 100, especialmente nos modelos de maior capacidade.
Mercado concentrado: quem some e quem aparece
Enquanto gigantes como Apple e Samsung barganham preços, marcas menores podem simplesmente desaparecer de certas faixas de preço. Esse movimento concentra ainda mais o mercado e reduz a variedade de opções, algo que, paradoxalmente, pode tornar o iPhone mais relevante no topo da pirâmide, mesmo vendendo menos unidades.
A perspectiva de oferta reduzida também força o consumidor a planejar melhor a troca de aparelho. Para quem joga no celular ou trabalha com vídeo, cada gigabyte a mais de RAM e armazenamento faz diferença, mas o investimento tende a pesar no bolso. Fica a dica: acompanhar promoções de gerações anteriores pode ser uma estratégia inteligente antes que a próxima leva chegue com preços reajustados.
Imagem: William R
Efeito no Brasil: dólar, impostos e estoque limitado
No varejo brasileiro, o repasse de custos é turbinado por dólar instável e carga tributária. Se o preço dos iPhones subir lá fora, a tendência é de altas ainda mais acentuadas por aqui, principalmente nos primeiros lotes. O resultado prático? Mais consumidores devem olhar para iPhones recondicionados ou modelos de geração passada, segmento que costuma ter ofertas agressivas em datas como Prime Day e Black Friday.
Em números: a Counterpoint estima que o mercado global de smartphones crescerá modestos 1 % ao ano até 2026, mas o iPhone ficará ligeiramente abaixo dessa média. A Apple entregaria cerca de 225 milhões de unidades em 2026, contra 230 milhões projetados para 2025.
Em resumo, a alta no preço da memória pressiona toda a cadeia de smartphones, mas quem tem escala sobrevive melhor. A Apple deve vender menos, porém pode sair de 2026 com menos concorrentes diretos — e, quem sabe, com usuários dispostos a pagar ainda mais por cada gigabyte extra.
Com informações de Hardware.com.br