O ano de 2025 consolidou a Apple Silicon como a “menina dos olhos” do setor corporativo. De startups a gigantes globais, companhias aceleraram a adoção de Macs, iPhones, iPads — e até dos primeiros lotes do Vision Pro — em busca de desempenho, segurança e menor custo total de operação (TCO). Mas, segundo executivos de gestão de dispositivos e mobilidade empresarial ouvidos pelo portal Computerworld, o verdadeiro divisor de águas para 2026 será a forma como a Apple encaixará Inteligência Artificial (IA) no dia a dia dos negócios.
Apple Silicon: de diferencial de nicho a padrão de mercado
Desde a estreia dos chips M1 em 2020, cada geração trouxe saltos consistentes de performance por watt. O MacBook Air com M4, lançado em março de 2025, entregou:
- CPU 25% mais rápida que o M3 e até 5× superior a notebooks Intel Core i7 de mesma faixa de preço.
- Neural Engine de 38 TOPS (Tera Operações por Segundo) dedicado a tarefas de IA on-device, sem mandar dados sensíveis para a nuvem.
- Autonomia de até 20 h — praticamente um expediente duplo sem tomada.
Com esses números, o modelo ganhou o apelido de “pro que cabe no orçamento” entre equipes de TI. Na SAP, por exemplo, os Macs já somam 54 mil unidades (cerca de 50 % do quadro global), e os chamados de suporte despencaram.
Gestão de dispositivos: MDM mais aberto, DDM e padronização de versões
Outro passo importante foi a evolução do Declarative Device Management (DDM), que dá mais automação e granularidade aos administradores. A funcionalidade já cobre visores, iPhones, iPads e até os óculos Vision Pro, permitindo compliance unificado.
A Apple também adotou a nomenclatura linear “iOS 26”, “macOS 26”, “visionOS 26”, facilitando o inventário de grandes frotas — um pedido antigo de times de TI.
IA: oportunidade (e pressão) para 2026
Se 2025 foi o ano do hardware, 2026 deve ser o ano do Apple Intelligence. Executivos da Jamf, MacStadium e JumpCloud concordam que a gigante de Cupertino atrasou propositalmente a corrida de IA para garantir privacidade, mas agora precisa mostrar serviço:
- Experiência local: chips M-series já rodam modelos generativos leves sem drenar bateria, algo que PCs x86 ainda penam para oferecer.
- Privacidade corporativa: processar dados sensíveis no próprio dispositivo evita vazamento em servidores externos, ponto crítico para setores regulados.
- Integração com identidade: recursos como Platform SSO ainda exigem melhorias para casar Mac, iPad e serviços de nuvem de terceiros.
Apesar de avanços, gestores notam que o assistente Siri/Apple Intelligence ainda perde em flexibilidade para rivais como Microsoft Copilot e Gemini. Rumores de uma parceria estratégica com o Google são vistos como sinal de que a Apple pretende preencher essa lacuna.
Imagem: Jny Evans
Logística, novos formatos e o “reino do dobrável”
Nem tudo são flores. O iPhone 17 enfrentou filas de espera de até 90 dias após o lançamento, evidenciando gargalos de cadeia de suprimentos. Além disso, o Vision Pro ainda busca “killer apps” corporativos, embora companhias como SAP já testem 100 unidades para treinamentos imersivos.
Para 2026, fontes do setor apostam em:
- Mac ou iPad com tela dobrável de 20-something polegadas, abrindo novas possibilidades de mobilidade para designers e desenvolvedores.
- Dispositivos vestíveis focados em IA contextual (leia-se: menos óculos futuristas, mais “bots de bolso”).
Por que isso importa para você?
Se a sua empresa ainda reluta em padronizar Macs ou iPhones, os números de TCO citados por SAP, Hexnode e Fleet mostram que a conta fecha: menor taxa de falhas, ciclo de vida de até 5 anos e alto valor de revenda. Já para profissionais independentes, o MacBook Air M4 oferece potência de estação de trabalho em formato ultrafino — ideal para edição de vídeo 4K, modelagem 3D leve ou desenvolvimento de apps com modelos de IA locais.
No fim das contas, a estratégia da Apple para 2026 será pressionada por duas frentes: manter o momentum de hardware imbatível e provar que consegue democratizar a IA sem sacrificar privacidade. Se conseguir, a companhia pode transformar cada Mac, iPhone e iPad em um hub de produtividade inteligente — e isso tem tudo para mexer (de novo) no tabuleiro corporativo.
Com informações de Computerworld