Se você costuma planejar aquela escala em Nova York para comprar um notebook gamer, é melhor rever a lista de “Melhores Amigos” no Instagram. O Departamento de Segurança Interna (DHS) dos Estados Unidos propôs uma regra que pode exigir o histórico completo de redes sociais — como Instagram, Facebook, X (antigo Twitter) e TikTok — dos últimos cinco anos para liberar turistas de cerca de 40 países que utilizam o programa de isenção de visto (ESTA).
Como funciona hoje o ESTA
O Electronic System for Travel Authorization é, na prática, um “visto expresso” que custa US$ 40, dispensa entrevistas e permite estadias de até 90 dias. O formulário atual pergunta apenas pelos nomes de usuário nas redes sociais, e a entrega dessa informação é opcional.
O que muda com a nova proposta
O DHS quer tornar obrigatórios os seguintes dados:
- Histórico completo das redes sociais (posts, curtidas e comentários) dos últimos 5 anos;
- Números de telefone utilizados no mesmo período;
- Endereços de e-mail da última década;
- Detalhes adicionais sobre familiares.
O objetivo declarado é reforçar a segurança nacional, principalmente antes de eventos de alto impacto, como a Copa do Mundo de 2026 e as Olimpíadas de Los Angeles em 2028.
Quem será afetado primeiro?
Entre os países do programa de isenção de visto estão Reino Unido, França, Alemanha, Japão e Austrália. Brasileiros ainda precisam de visto tradicional e, portanto, não entram na lista — mas qualquer flexibilização futura poderia herdar as novas exigências.
Por que isso importa para o viajante comum
Mais burocracia significa:
- Processos mais lentos: advogados de imigração preveem aumento significativo no prazo de aprovação do ESTA;
- Risco de visto negado por posts antigos: memes fora de contexto podem ser interpretados como “comportamento suspeito” por algoritmos de triagem;
- Impacto financeiro: o setor de turismo teme queda de visitantes — o número de turistas canadenses já encolheu por dez meses consecutivos.
E o debate sobre privacidade?
Organizações como a Electronic Frontier Foundation classificam a medida como “varredura massiva e desproporcional”. Há receio de que a prática crie um banco de dados sensível sem garantias claras de proteção.
Imagem: William R
Dá para se preparar?
Se viajar para os EUA faz parte dos seus planos de upgrade de hardware em 2026, faça uma “faxina digital”:
- Revise configurações de privacidade em cada rede social;
- Habilite a exclusão automática de posts antigos onde for possível;
- Ative autenticação de dois fatores — tokens físicos como a YubiKey (à venda na Amazon) facilitam a segurança sem depender de SMS;
- Mantenha um e-mail dedicado para cadastros temporários, evitando expor seu endereço principal.
Próximos passos da proposta
O texto já foi publicado no Registro Federal dos EUA e ficará aberto para comentários públicos por 60 dias. Depois desse prazo, o DHS pode aprovar, modificar ou descartar a regra.
Resumindo, se a proposta avançar, seu feed de fotos de setup gamer pode valer mais do que o carimbo no passaporte. Vale acompanhar — e, quem sabe, arquivar aquela piada de 2019 sobre “invadir a Área 51”.
Com informações de Hardware.com.br