Já pensou em ter um fliperama completo na escrivaninha, com hardware de notebook gamer e um gabinete impresso em casa? Foi exatamente isso que um usuário do Reddit entregou ao publicar, de forma 100 % open-source, o passo a passo de um bartop equipado com AMD Ryzen 7 5700U, 16 GB de RAM e SSD de 1 TB. O resultado virou sensação entre entusiastas porque combina visual retrô, desempenho de PC moderno e liberdade total de personalização — ingredientes perfeitos para quem ama tecnologia, DIY e, claro, horas de jogo nostálgico.
Hardware de notebook, alma de fliperama
Enquanto a maioria dos projetos de arcade caseiro usa single-board PCs como Raspberry Pi ou placas Pandora, o criador apostou em um miniPC com Ryzen 7 5700U (8 núcleos/16 threads). Na prática, isso significa poder emular da era 8-bit até sistemas 3D mais exigentes, como Dreamcast, GameCube e até alguns títulos de PlayStation 3, algo impensável em soluções ARM baratas.
Para completar, o conjunto traz 16 GB de DDR4 e um SSD NVMe de 1 TB, rodando Windows 11 com o front-end Retrobat pré-configurado. Ou seja, nada de ficar alternando cartões SD: basta ligar, escolher o jogo e apertar Start.
Gabinete impresso: 127 peças, 170 h de impressão
O corpo do arcade foi totalmente modelado em CAD e dividido em 127 partes para caber em impressoras 3D domésticas. A lista de materiais inclui cerca de 3 kg de PLA, mais de 80 inserts metálicos e parafusos M2, M3 e M4, somando aproximadamente 7,2 kg depois de montado. O tempo estimado de impressão é de 170 horas — algo que uma Ender 3 padrão ou similares consegue entregar em uma semana de trabalho contínuo.
O custo total gira em torno de £ 500 (≈ R$ 3 000), valor próximo ao de arcades prontos comercializados no Brasil, mas com a vantagem de poder escolher cada detalhe — da cor do filamento ao logo iluminado no marquee digital.
Tela rotativa e sensores de toque: experiência premium
O gabinete usa um monitor de 10,4″, proporção 4:3 e resolução 1600 × 1200 com suporte a toque. Um suporte impresso em 3D permite girar o display em 90 graus para o modo vertical (Tate), ideal para clássicos de nave espacial ou pinball. Acima dele, um segundo display mais estreito funciona como marquee digital, exibindo logos e animações dinâmicas — recurso que você geralmente só vê em máquinas profissionais.
Controles Sanwa e portas extras para multiplayer
Nada de economizar nos comandos: o projeto especifica joystick e botões Sanwa, referência nos fliperamas japoneses, além de dois alto-falantes de 5 W escondidos atrás de uma grade retrô. Na parte inferior, um mini-teclado com knob de volume facilita navegação no sistema operacional e ajustes rápidos.
Quatro portas USB traseiras ficam expostas para ligar gamepads, teclado ou mouse, convertendo o arcade em um miniPC de uso geral sempre que necessário — perfeito para quem quer rodar emuladores, streaming de jogos ou até manter um launcher de PC gaming.
Imagem: William R
Arquivos livres impulsionam a cultura maker
Toda a biblioteca de modelos 3D foi publicada em formatos STEP e STL, acompanhada de BOM (bill of materials) e instruções básicas de montagem. Não é preciso ser engenheiro: basta baixar, imprimir e montar. A comunidade já discute adaptações como telas maiores, painéis com LED programável, troca do Ryzen por MiSTer FPGA ou até uma futura geração com Ryzen 7000U — excelente para quem pretende vender kits ou oferecer serviços de impressão.
Plataformas de CAD e fabricantes de impressoras vêm usando o case como vitrine para mostrar que projetos complexos, antes restritos a oficinas industriais, agora cabem no hobby room de qualquer entusiasta. Para o mercado de hardware, o sucesso reforça a tendência de miniPCs x86 de baixo consumo substituírem consoles dedicados em máquinas retrô, entregando performance maior sem sacrificar eficiência energética.
Vale a pena investir?
Se você já cogitou comprar um arcade stick premium ou uma mesa de pinball pronta, o bartop 3D surge como alternativa tentadora. Por um preço parecido, você leva hardware mais poderoso, toque pessoal no acabamento e a possibilidade de atualizar componentes sempre que quiser — trocar o SSD por um de 2 TB, por exemplo, leva minutos.
Além disso, grande parte dos itens — da impressora 3D ao conjunto de botões Sanwa e até miniPCs com Ryzen 7 — está disponível em marketplaces como a Amazon Brasil, facilitando a reposição de peças ou upgrades futuros. O resultado é um fliperama compacto, moderno e, o melhor, com sua assinatura do início ao fim.
No fim das contas, o projeto prova que a união de hardware atual, software open-source e impressão 3D pode transformar o velho sonho de ter um fliperama em casa em realidade — e ainda abrir caminho para uma nova onda de máquinas personalizadas que cabem na prateleira (e no bolso energético) de qualquer amante dos games clássicos.
Com informações de Hardware.com.br