Depois de sustentar a vice-liderança por um ano e meio, a Motorola acaba de perder o segundo lugar no pódio latino-americano para a Xiaomi. O novo relatório da consultoria Omdia, referente ao terceiro trimestre de 2025, aponta recuo de 11 % nas vendas da marca norte-americana — seu sexto trimestre consecutivo de queda. Enquanto isso, a chinesa avançou e vendeu 6,3 milhões de aparelhos, garantindo 18 % de participação.
Panorama: quem vendeu mais smartphones?
No topo do ranking, a Samsung segue isolada com 11,6 milhões de unidades e 33 % do mercado regional. A linha Galaxy A — especialmente os modelos A15, A25 e A35, facilmente encontrados na Amazon BR — responde por 68 % do volume da sul-coreana.
Na terceira posição, agora, aparece a própria Motorola, pressionada a rever portfólio e estratégia de preços. Honor e Transsion completam o Top 5, mas com trajetórias opostas: a primeira bateu recordes de vendas em países como Colômbia e Equador, enquanto a segunda caiu 19 % em relação a 2024.
Por que a Motorola perdeu fôlego?
Especialistas apontam três fatores principais:
1. Portfólio inchado na faixa de R$ 1.000 a R$ 1.800. O excesso de variações do Moto G complicou a comunicação de benefícios ao consumidor — muitos modelos parecidos, diferenças mínimas de câmera ou processador.
2. Falta de agressividade em preço-performance. Enquanto o Redmi Note 13 5G traz chip Dimensity 6080 e tela AMOLED 120 Hz por menos de R$ 1.500 em promoções online, o Moto G84 5G custa mais e entrega hardware similar.
3. Demora em atualizar a linha premium. O Edge 50 Pro chegou tarde na região e encontra rivais já consolidados, como o Galaxy S23 FE e o Xiaomi 14.
Mercado cresce, mas muda de faixa de preço
A América Latina registrou o melhor trimestre desde 2015, com 35,2 milhões de aparelhos (+1 %). No entanto, os modelos abaixo de US$ 300 — ainda 71 % do total — encolheram 2 %. Já os dispositivos acima de US$ 500 saltaram 20 %. A busca por margem de lucro explica a virada de chave das marcas, que investem pesado em linhas como Galaxy S, Xiaomi 14/14 Ultra e Honor Magic 6.
Brasil puxa fila de vendas — e abre portas para novas marcas
Com 29 % de participação, o Brasil vendeu 10,3 milhões de smartphones no trimestre (+5 %). Realme, Oppo, Honor e a recém-chegada Jovi (subsidiária da Vivo chinesa) ganharam espaço ao combinar fábrica local com acordos de distribuição em grandes varejistas.
Para o consumidor brasileiro, isso se traduz em mais opções de processadores Snapdragon série 7, telas AMOLED de 120 Hz e câmeras de 108 MP em faixas de preço que antes entregavam apenas LCD e sensores de 50 MP.
Imagem: William R
México desacelera: estoque cheio, bolso vazio
Segundo maior mercado da região, o México recuou 11 % e soma o quarto trimestre de queda. A categoria abaixo de US$ 300 foi a mais afetada, indicando cautela dos varejistas na reposição de estoque.
O que essa mudança significa para o seu próximo celular?
• Concorrência acirrada = mais ficha técnica pelo seu dinheiro. Espere ver telas OLED, carregamento de 67 W e câmeras com OIS descendo cada vez mais para a faixa dos R$ 1.500.
• Linha Edge vs Redmi/POCO. Se você gosta de jogos, vale ficar de olho nas promoções dos Snapdragon 8 Gen 2 presentes em modelos POCO F6 e Edge 50 Ultra. Mais FPS, menor consumo de bateria.
• 5G massificado. Chips Dimensity 6100+ e Snapdragon 4 Gen 2 já equipam celulares abaixo de R$ 1.300 em ofertas relâmpago na Amazon, barateando a porta de entrada para o 5G brasileiro.
Perspectivas 2025–2026: estabilidade agora, incerteza adiante
A Omdia projeta 137 milhões de unidades vendidas em 2025, mas alerta para 2026: alta nos preços de memória e armazenamento pode encarecer os aparelhos em até 15 %. Para driblar o impacto, fabricantes estudam lançar versões com 128 GB como base apenas em mercados-chave e recorrer a promoções agressivas em datas como Prime Day e Black Friday.
Enquanto isso, a Xiaomi colhe os frutos de um line-up enxuto e bem posicionado. A Motorola, por sua vez, precisa decidir se simplifica a linha Moto G ou se dobra a aposta em diferenciais como Moto Gestures e experiência “quase Android puro” para reconquistar o público entusiasta.
Com informações de Hardware.com.br