O experimento metaverso da Microsoft acaba de mudar de endereço. A gigante encerrou oficialmente o Microsoft Mesh como aplicativo independente e transferiu seus recursos de realidade virtual para dentro do Teams, plataforma de colaboração já presente em milhões de PCs corporativos. A decisão sinaliza o fim de uma fase de testes e o início de uma integração mais direta com o fluxo de trabalho diário, sem exigir downloads adicionais.
O que exatamente mudou?
Até esta semana, quem quisesse usar ambientes 3D criados pelo Mesh precisava instalar um app à parte — tanto no PC quanto em headsets como o Meta Quest 2 (um dos modelos de VR mais vendidos na Amazon). Agora, a experiência passa a se chamar Immersive Events no Teams e pode ser agendada direto no calendário do Outlook ou do Teams.
Na prática, você ganha:
- Eventos para grandes públicos — treinamento, feiras virtuais e lançamentos de produto.
- Ambientes prontos personalizáveis — insira o logotipo da sua empresa e até modelos 3D.
- Compatibilidade multiplataforma — participe pelo navegador no PC ou Mac, ou mergulhe em 360° com o Meta Quest.
Preciso pagar algo?
Para organizar um evento imersivo é necessário ter Teams Premium ou uma licença comercial qualificada. Já participar é gratuito para quem possui qualquer licença do Teams. Isso deve facilitar a adesão de convidados externos e colegas que ainda não mergulharam na RV.
Por que a Microsoft recuou do Mesh standalone?
A empresa vinha reduzindo o ritmo de seus projetos metaverso desde o fim do HoloLens 2 para o consumidor e a fabricação limitada para o Exército dos EUA. O Mesh nunca atingiu o uso massivo esperado durante a pandemia, quando a busca por “escritórios virtuais” parecia a próxima grande onda. Segundo a consultoria Metrigy, apenas 16,5% das 400 empresas pesquisadas pretendem investir em VR/AR até o fim de 2024 — um mercado ainda de nicho.
Isso importa para você?
Se a sua área envolve treinamento prático, demonstrações de produto ou design colaborativo, a chegada dos Immersive Events pode reduzir custos de viagem e acelerar a tomada de decisão. Para gamers e entusiastas de hardware, vale ficar de olho: a aposta da Microsoft mantém vivo o ecossistema VR ligado ao PC, o que pode impulsionar acessórios como headsets, controles hápticos e placas de vídeo compatíveis com realidade virtual (por exemplo, as GeForce RTX 4070/4080).
Imagem: Matthew Finnegan
Concorrência e próximos passos
O movimento também pressiona rivais como Zoom — que lançou o Zoom Spaces em beta — e reforça a parceria tácita com a Meta, já que o Quest 2, Quest 3 e Quest Pro continuam sendo os headsets oficiais suportados. Para usuários, isso significa mais motivos para considerar upgrades de hardware compatíveis disponíveis no varejo online.
No curto prazo, a Microsoft vai desligar o site mesh.cloud.microsoft, e quem ainda mantinha mundos virtuais criados no Mesh precisa migrar seus dados antes da desativação completa.
Resumo rápido: Mesh sai de cena, Teams ganha eventos 3D nativos, a assinatura Premium vira porta de entrada para organizar e o Meta Quest permanece como caminho mais acessível ao metaverso corporativo.
Com informações de Computerworld