O Brasil alcançou uma marca histórica: **64 % da população já está sob o guarda-chuva do 5G**, superando com folga a meta de 57 % prevista pela Anatel apenas para 2027. A infraestrutura correu, mas a adoção real ainda patina — só **uma em cada cinco linhas móveis** navega na rede ultrarrápida. O motivo, segundo o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, cabe no bolso: smartphones 5G continuam caros para a maioria dos brasileiros.
A rede voa, o consumo engatinha
Em outubro de 2025, o país somava 55,1 milhões de linhas 5G ativas, ou 20,4 % do total de acessos móveis. Se tirarmos conexões M2M, o número sobe a 25,4 %, ainda aquém do potencial da infraestrutura. Embora o 5G tenha adicionado 18,3 milhões de novos acessos em 12 meses, o ritmo é menor que o do 4G no mesmo estágio de vida.
Por que o 5G brasileiro é elogiado lá fora?
Segundo a consultoria Opensignal, **Vivo, Claro e TIM figuram entre as operadoras com maiores velocidades de download do planeta**. Isso é reflexo direto do modelo de leilão “não arrecadatório” de 2021, que trocou bilhões de reais em outorga por obrigações agressivas de cobertura. Resultado: mais antenas, mais cidades atendidas e mais competição, incluindo players regionais como Brisanet, Unifique e Copel Telecom.
O preço dos aparelhos é o gargalo
Enquanto as antenas se multiplicam, o consumidor ainda pensa duas vezes antes de trocar o celular. Um levantamento da própria Anatel indica que **os modelos 5G custam, em média, 40 % a 60 % a mais que equivalentes 4G**. Isso pesa especialmente no pré-pago, que concentra a maioria das linhas no país.
Para efeito de comparação, na Black Friday de 2017 já era possível achar smartphones 4G por menos de R$ 500, dando tração imediata à tecnologia. Hoje, mesmo em promoções, poucos modelos 5G descem da casa dos R$ 1.000. O Ministério das Comunicações e a Anatel discutem incentivos fiscais e linhas de crédito para baratear esses dispositivos.
O que o 5G muda na prática?
- Games on-line: latência média de 20 ms (contra 40-60 ms no 4G) reduz o “delay” em shooters competitivos.
- Streaming 4K e 8K: downloads até 1 Gb/s garantem reprodução instantânea sem buffering.
- Trabalho remoto: videoconferências em 1080p com estabilidade próxima da fibra, útil para nômades digitais.
- Casa conectada: maior densidade de dispositivos permite mais câmeras Wi-Fi e sensores IoT sem engasgos.
Alternativas de 5G com melhor custo-benefício em 2025
Se você já quer sentir a diferença sem gastar uma fortuna, eis alguns modelos que vêm se destacando em promoções na Amazon (faixa de preço em dezembro/2025):
- Samsung Galaxy A25 5G – Exynos 1280, tela Super AMOLED 120 Hz, cerca de R$ 1.299.
- Motorola Moto G54 5G – Dimensity 7020, bateria de 6.000 mAh, por volta de R$ 1.199.
- Redmi Note 13 5G – Dimensity 6080, câmera de 108 MP, na casa dos R$ 1.349.
- POCO X6 Pro – Dimensity 8300-Ultra, 12 GB de RAM, em torno de R$ 1.999, rivalizando com tops de linha de 2023.
Esses aparelhos não só habilitam o 5G, mas entregam telas de alta taxa de atualização e baterias parrudas, itens que prolongam a vida útil e ajudam a justificar o investimento.
Imagem: rafastockbr
Rodovias e zonas rurais: o próximo desafio
Hoje, **apenas 12 % dos 445 mil km de rodovias federais e estaduais têm 5G**. A Anatel estuda exigir 100 % de cobertura 4G (e posterior upgrade para 5G) em trechos estratégicos dentro de três anos após novos leilões. Outra frente é o roaming obrigatório nas estradas, para que o usuário permaneça conectado mesmo fora da área de sua operadora.
Vale trocar de celular agora ou esperar?
Quem mora em capitais ou grandes centros e consome muito streaming ou jogos competitivos já pode se beneficiar do 5G hoje. No entanto, se o seu uso é básico e a região ainda não recebeu cobertura total, esperar pode significar pagar menos em 2026, quando a Teleco projeta o mercado atingir 80 milhões de celulares 5G e o efeito escala puxar os preços para baixo.
No fim das contas, a **corrida do 5G no Brasil virou uma maratona de duas pistas**: a infraestrutura voa, mas a adoção depende de aparelhos mais acessíveis. A boa notícia é que a próxima leva de chips intermediários — Snapdragon 6 Gen 2, Dimensity 7200, Exynos 1480 — deve equipar modelos de entrada ainda em 2026, acelerando a popularização sem sacrificar desempenho.
Com informações de Olhar Digital