Ao olhar para o topo dos prédios e enxergar várias antenas de celular — agora também dedicadas ao 5G — muita gente se pergunta: afinal, essa proximidade traz algum risco concreto à saúde? A resposta curta, baseada em mais de três décadas de pesquisas internacionais, é não. Ainda assim, entender os estudos, os limites de radiação fixados no Brasil e os casos que viraram manchete ajuda a separar mitos de fatos.
O que diz a ciência sobre a radiação das torres de telefonia
As antenas de celular emitem radiofrequência (RF), um tipo de radiação não ionizante. Diferente de raios X ou gama, a RF não possui energia suficiente para romper ligações químicas no DNA humano. Revisões independentes, como a publicada pelo Comitê Científico Assessor em Radiofrequências e Saúde da Espanha, não encontraram evidências de aumento de câncer, infertilidade ou problemas neurológicos em populações expostas a torres.
A própria American Cancer Society (ACS) adota posição de cautela: não há provas de dano, mas os estudos continuam, sobretudo porque o uso massivo de RF é relativamente recente. Em linhas gerais, os níveis de radiação medidos ao nível do solo ficam milhares de vezes abaixo dos limites considerados seguros.
Limites de segurança: o que a Anatel exige
Desde janeiro de 2024, a Anatel endureceu as regras para instalação de antenas. As estruturas devem ficar em áreas restritas ou cercadas, dificultando acesso não autorizado e mantendo distância mínima de pessoas. Além disso, a agência determina um limite de exposição baseado em diretrizes internacionais da ICNIRP, que considera potência, frequência e tempo de exposição.
Na prática, para o cidadão comum que passa ou mora perto de uma torre, a dose diária recebida de RF equivale a frações da radiação emitida por eletrodomésticos como micro-ondas domésticos ou mesmo roteadores Wi-Fi.
Antenas 5G x aparelhos do dia a dia: quem emite mais?
• Antena 5G a 30 m de altura: potência média recebida ao nível da rua ≈ 0,001 W/m²
• Roteador Wi-Fi em casa: 0,1 W a poucos metros de distância
• Smartphone colado à orelha: até 1 W de potência, em contato direto com o corpo
Ou seja, o celular que você segura na mão gera muito mais exposição localizada do que a torre vista pela janela. Para gamers e criadores de conteúdo que passam horas segurando o dispositivo, usar fones Bluetooth ou o viva-voz ajuda a reduzir ainda mais essa exposição pontual.
Imagem: Internet
O caso João Pessoa: 20 ocorrências de câncer e a investigação do MP
Em 2020, o Ministério Público da Paraíba abriu inquérito para apurar 20 casos de câncer em um edifício de João Pessoa. A suspeita inicial recaía sobre antenas instaladas no topo do prédio. Medições técnicas comprovaram níveis de RF dentro das normas brasileiras. Sem nexo causal, o processo foi arquivado.
Devo me preocupar em casa?
Para a maioria das pessoas, não existe recomendação médica de afastar-se de torres de celular. No entanto, se você é do tipo que prefere pecar pelo excesso de cautela, vale:
- Manter o smartphone a, pelo menos, um palmo do corpo quando não estiver em uso;
- Optar por roteadores Wi-Fi mesh que distribuem o sinal com potências menores em cada ponto;
- Investir em gadgets com certificação de SAR (Taxa de Absorção Específica) baixa — informação presente na ficha técnica de praticamente todos os celulares vendidos na Amazon.
O futuro da conectividade e da pesquisa em RF
Com a chegada do 5G mmWave e do Wi-Fi 7, novas frequências mais altas (24 GHz a 60 GHz) entram em cena. Apesar do nome “ondas milimétricas” soar ameaçador, a energia continua não ionizante. A recomendação dos órgãos reguladores é manter o monitoramento contínuo, não porque exista um perigo comprovado, mas para garantir que os padrões de segurança acompanhem a evolução da tecnologia.
Em resumo, viver perto de antenas de celular — inclusive das novas estações 5G — não demonstrou causar danos à saúde nos níveis de exposição reais. Se a sua maior preocupação for ter sinal estável para jogar em nuvem, fazer lives ou baixar firmware de placas de vídeo mais rápido, a proximidade de uma torre pode ser, na verdade, uma vantagem.
Com informações de Olhar Digital