O Nubank cravou mais um marco nesta terça-feira (28) ao alcançar um valor de mercado de US$ 76,97 bilhões, ultrapassando a Petrobras (US$ 74,67 bi) e assumindo o posto de empresa mais valiosa do país. O salto, confirmado pelo portal Companies Market Cap, não é apenas um feito simbólico: ele mostra a força de um modelo 100% digital que vem desafiando gigantes tradicionais do setor financeiro e até mesmo ícones da economia brasileira.
Por que este recorde importa?
Para o investidor — e para qualquer pessoa que usa serviços bancários — o destaque do Nubank sinaliza uma mudança estrutural no mercado financeiro. Enquanto bancos convencionais carregam agências físicas e estruturas mais custosas, a fintech opera quase totalmente via app, com foco em automação e inteligência de dados. O resultado é um custo médio de atendimento de apenas US$ 0,80 por cliente ativo/mês, contra cifras muito maiores nos grandes bancos tradicionais.
Números que sustentam o topo
• Alta de 53,7% em 2025: as ações listadas em Nova York fecharam a US$ 15,93, perto do pico histórico (US$ 16,30).
• 123 milhões de clientes: a base ativa equivale a mais da metade da população brasileira, com 83% deles usando algum serviço todo mês.
• Receita recorde de US$ 3,7 bilhões no 2º trimestre, um salto anual de 40%.
Brasil e América Latina: quem está no pódio?
O ranking das cinco maiores empresas brasileiras em valor de mercado agora é:
1. Nubank – US$ 76,97 bi
2. Petrobras – US$ 74,67 bi
3. Itaú Unibanco – US$ 72,69 bi
4. Vale – US$ 49,60 bi
5. BTG Pactual – US$ 49,41 bi
Na América Latina, o Nubank ocupa a vice-liderança, atrás apenas do Mercado Livre (US$ 116,1 bi). Globalmente, a fintech já é a 40ª maior instituição financeira, à frente de nomes centenários como BNY Mellon e Barclays.
Fortune 100 Growth: reconhecimento internacional
Em outubro, a controladora Nu Holdings entrou no Top 4 das empresas que mais crescem em 2025 segundo a revista Fortune. O ranking avalia crescimento médio de receita, lucro por ação e retorno total ao acionista. De acordo com Cristina Junqueira, diretora de crescimento da companhia, o “modelo digital e de baixo custo” é o motor dessa performance.
Imagem: Miguel Lagoa
O que muda para você, usuário?
• Mais produtos em ritmo acelerado: com caixa robusto, o Nubank tende a ampliar ofertas de crédito, investimentos e benefícios (como o recente convertidor de mensagens do WhatsApp em Pix).
• Pressão competitiva: bancos tradicionais podem reduzir tarifas ou turbinar apps para não perder espaço.
• Inovação em escala: features baseadas em IA e análise de dados chegam primeiro a plataformas digitais, encurtando tempo entre teste e lançamento.
Olho no futuro
Apesar do título de empresa mais valiosa do Brasil, o Nubank precisa sustentar margens em meio a um cenário de juros ainda elevados e aumento da inadimplência no país. Para 2026, analistas acompanham de perto dois indicadores: custo de crédito e taxa de engajamento. Se conseguir manter o índice de 83% de clientes ativos e o custo por usuário abaixo de 1 dólar, a fintech pode não só conservar a coroa, como escalar posições no ranking global.
O fato é que, ao transformar smartphones em agências bancárias de bolso, o Nubank demonstra que tecnologia bem aplicada não só ganha usuários, como cria valor de mercado real. A Petrobras perde o trono — mas o consumidor ganha mais opções, preços potencialmente menores e um setor financeiro sacudido pela concorrência digital.
Com informações de Olhar Digital