As torres metálicas com câmeras, luzes de LED e botão de pânico já fazem parte da paisagem de bairros nobres em São Paulo e no Rio de Janeiro. Vendidos como solução de “segurança 360°” para condomínios, esses totens prometem monitorar ruas inteiras e avisar, em tempo real, sobre qualquer movimentação suspeita. Mas a expansão do equipamento, oferecido por empresas privadas, acendeu o alerta de especialistas em privacidade: falta regulamentação, sobram dúvidas sobre quem controla – e como utiliza – as imagens capturadas.
Como funcionam os totens de vigilância
Os dispositivos unem câmeras de alta resolução, iluminação LED de longo alcance e conexão 24h a centrais de monitoramento. Moradores acompanham tudo por aplicativos de celular e, em caso de emergência, podem acionar um botão de pânico que alerta a empresa de segurança. Boa parte dos modelos ainda integra microfones ambiente – recurso controverso por captar áudio em via pública.
Segurança comprovada ou sensação de proteção?
Até o momento, não há estudos independentes que demonstrem queda efetiva de criminalidade nos endereços contemplados. Pesquisadores ouvidos pelo g1 afirmam que, além de não existir consenso técnico sobre posicionamento e padrão de gravação, os totens podem ampliar a vigilância para além dos limites condominiais, invadindo a esfera pública.
Regras diferentes em SP e RJ
• São Paulo: a prefeitura permite a instalação em áreas privadas – como recuos de prédios – sem necessidade de autorização prévia. Segundo dados oficiais, mais de 40 mil câmeras de condomínios já estão plugadas ao sistema municipal Smart Sampa, que cruza placas de veículos e rostos de suspeitos com bancos de dados policiais.
• Rio de Janeiro: empresas escolhem livremente onde posicionar os equipamentos, mas o município determinou a retirada de totens instalados em áreas públicas até dezembro de 2025.
Quem garante que as imagens não vazem?
Thallita Lima, coordenadora do projeto O Panóptico, lembra que qualquer falha de segurança pode expor gravações em grupos de mensagens, gerando constrangimento ou até tentativas de “justiça com as próprias mãos”. O risco aumenta quando as câmeras disponibilizam zoom óptico, leitura facial ou gravação em 4K – especificações comuns em modelos profissionais.
ANPD vai mirar biometria e câmeras a partir de 2025
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) incluiu o uso de biometria e videomonitoramento entre as prioridades da agenda 2025-2026. A expectativa é criar diretrizes para armazenamento, criptografia e tempo máximo de retenção das filmagens — pontos decisivos para condomínios que planejam investir em vigilância avançada.
Imagem: gorodenkoff
Vale a pena instalar um totem no seu condomínio?
Para quem busca elevar o nível de segurança, o equipamento pode somar recursos como iluminação dissuasória, aviso automático à polícia e integração com IA que identifica objetos abandonados. No entanto, condomínios devem exigir:
- Contrato com política clara de guarda e descarte de dados.
- Relatórios de acesso às imagens, minimizando uso indevido.
- Certificados de criptografia ponta a ponta e servidores em território nacional.
Alternativas domésticas, como câmeras Wi-Fi com gravação local em cartão microSD ou serviços em nuvem com criptografia end-to-end (a exemplo de modelos compatíveis com HomeKit Secure Video ou Ring End-to-End Encryption), oferecem bom grau de proteção e **custam menos de um terço** do investimento em um totem completo – uma opção interessante para residências unifamiliares ou pequenos prédios.
Em resumo, as torres de vigilância podem, sim, elevar a sensação de segurança, mas também abrem portas para exposição de dados sensíveis. Antes de aprovar a instalação, avalie se o protocolo de privacidade acompanha o salto tecnológico — afinal, ninguém quer trocar o medo do assaltante pela incerteza de viver em um “reality show” não autorizado.
Com informações de Olhar Digital