Se você ainda acha que inteligência artificial é apenas um buzzword, o novo AI Spending Report da Andreessen Horowitz (a16z) prova o contrário. O levantamento, feito em parceria com a fintech Mercury, analisou milhões de transações bancárias de startups norte-americanas e revelou onde, de fato, está indo o dinheiro: em ferramentas de IA que prometem turbinar produtividade em tempo recorde.
Copilotos no topo: o presente (ainda) não é dos agentes autônomos
Segundo o estudo, mais de 60 % dos gastos vão para aplicações horizontais — os famosos “copilotos” que auxiliam tarefas diárias de código, design e atendimento. Isso indica que, apesar do hype em torno de agentes totalmente autônomos, a preferência atual das empresas é por soluções que potencializam o trabalho humano em vez de substituí-lo.
OpenAI aparece isolada na primeira colocação, seguida de Anthropic. Entre as plataformas de “vibe-coding” (edição de código com IA), a Replit cravou a 3ª posição, enquanto Cursor, Lovable e Emergent também figuram no top-20. Já a Cognition, dona do Devin, surge em 34º, focando em nichos empresariais.
Surpresas na lista: consumo e B2B se misturam
Ferramentas originalmente pensadas para o consumidor final — como CapCut, Midjourney e Canva — invadiram o ambiente corporativo. As fundadoras da a16z, Olivia Moore e Seema Amble, afirmam que o fenômeno se dá pela simplicidade de uso: “Produtos atraentes para o usuário comum acabam adotados em equipes inteiras”.
O estudo ainda destaca o segmento de anotações inteligentes (Otter.ai, Read AI, HappyScribe). Nenhum player domina o setor, o que abre espaço para que cada startup teste e escolha sua própria ferramenta.
Do serviço ao software: IA engole consultorias
Um insight crucial: áreas antes dependentes de consultorias especializadas estão migrando para SaaS impulsionados por IA. A Crosby Legal, por exemplo, revisa contratos em minutos, reduzindo a necessidade de reuniões com advogados internos. Para Moore, “o que antes era serviço, agora vira software”.
E o que isso significa para você?
1. Upgrade de hardware pode virar necessidade: Desenvolvedores que querem rodar modelos locais — Stable Diffusion, Llama 3 e afins — vão sentir o peso na GPU. Placas como a NVIDIA RTX 4070 Ti ou a nova RTX 4080 Super já aparecem como “entrada” para treinamentos médios. Se você só compila código ou cria prompts em nuvem, um bom notebook com AMD Ryzen 7 7840HS e 16 GB de RAM resolve, mas prepare-se para upgrades em 2025.
2. Ferramentas pagas x uso gratuito: O Lovable estoura em tráfego, mas falta recurso corporativo; por isso, o Replit fatura mais. A lição é clara: vale testar a versão free, mas o caminho profissional passa por planos pagos.
Imagem: Ascannio
3. Copilotos hoje, agentes amanhã: A a16z aposta que, à medida que o poder computacional cresce (leia-se: GPUs mais baratas e clusters sob medida), veremos menos copilotos e mais agentes end-to-end. Se seu fluxo depende de macros e automação simples, comece a olhar para soluções como AutoGPT ou Devin.
Comparativo rápido: cloud ou desktop “turbinado”?
Cloud (OpenAI, Anthropic): Assinatura mensal, escalabilidade instantânea, zero manutenção. Limitações de privacidade e custo variável.
Desktop com RTX 4090: Investimento inicial alto, latência mínima, total controle de dados. Consumo elétrico e necessidade de cooling eficiente (pense em gabinetes com airflow otimizado e fontes 850 W 80 Plus Gold).
O cenário deve mudar em apenas 12 meses
Amble lembra que, na economia da IA, “legado” significa ter apenas 12 meses de idade. Com empresas tradicionais adicionando recursos de IA e novos players surgindo, a próxima edição do AI Spending Report pode trazer um ranking totalmente diferente — e mais gastos, claro.
No fim do dia, se você é gamer, criador de conteúdo ou desenvolvedor, o recado é um só: IA deixou de ser opcional e já impacta decisões de software e hardware. Vale ficar de olho nos próximos lançamentos de GPUs, mouses e teclados focados em produtividade, porque a onda de copilotos e agentes autônomos ainda vai exigir muitos cliques — e frames.
Com informações de Olhar Digital