O mercado de monitores para PC viveu um salto histórico em 2024. Segundo dados da TrendForce, as remessas de telas OLED cresceram 65 % em apenas 12 meses, puxadas pelo apetite de gamers, criadores de conteúdo e profissionais que buscam cores mais fiéis. No meio desse boom, a ASUS assumiu a dianteira com 21,9 % de participação, seguida por Samsung, MSI e LG.
Por que as vendas explodiram agora?
As tecnologias de exibição avançaram, mas foi a combinação de queda de preços, mais modelos de entrada e taxas de atualização acima de 240 Hz que virou o jogo. Um monitor OLED, que custava acima de R$ 10 000 dois anos atrás, hoje já aparece por menos da metade em promoções — e ainda com tempo de resposta quase instantâneo (0,03 ms) e contraste infinito.
ASUS: diversificação que rende frutos
A estratégia da fabricante taiwanesa foi simples e eficaz: espalhar OLED por toda a linha. Há telas gamer como a série ROG Swift PG27AQDM (240 Hz) e painéis voltados a criadores, caso do ProArt PA32DC com calibração de fábrica Delta E < 1. Para notebooks, o Vivobook Pro 16X OLED trouxe a tecnologia para o público premium móvel.
Outro trunfo: a ASUS trabalha tanto com QD-OLED (Quantum Dot) quanto com WOLED (White OLED). Isso evita dependência de um único fornecedor, dribla gargalos na cadeia de suprimentos e permite ajustar preços rapidamente — fator crítico para quem quer manter margens e market share.
Samsung: foco em TVs custou posição
Com 18 % do mercado, a Samsung caiu da liderança para a vice. O motivo? A gigante sul-coreana priorizou a produção de smart TVs OLED e QD-OLED de grande porte, onde as margens ainda são maiores. Nos três primeiros trimestres de 2024, a divisão de monitores para PC praticamente estacionou em volume.
Apesar da retração relativa, a marca continua relevante para quem busca painéis ultrawide de 49” (caso do Odyssey OLED G9) e tende a reagir em 2025, quando uma nova linha de 27” e 32” 360 Hz chegar ao varejo.
MSI e LG duelam pelo pódio
Na terceira posição, a MSI abocanhou 14,4 % graças a uma ofensiva gamer agressiva na Europa e na Ásia. Modelos como o MSI MPG 321UR-QD competem diretamente com a linha ROG da ASUS, mas a fabricante ainda carece de opções para uso profissional.
Já a LG, detentora de 12,9 %, vive paradoxo: fornece painéis WOLED para rivais, porém não converte a liderança de fabricação em vendas finais. A expectativa é que as séries UltraGear recebam versões 32” e 34” 240 Hz em 2025, mirando e-sports e simuladores.
Concorrência fragmentada responde por 32,7 %
Dell, Gigabyte, ViewSonic e marcas regionais completam o quadro. Dell Alienware AW3423DWF, por exemplo, ainda é referência em ultrawide QD-OLED, enquanto a Gigabyte Aorus FO48U entrou no nicho de 48” para quem substitui a TV pela mesa do PC.
OLED x Mini LED: qual escolher em 2024?
Antes de investir, vale entender o que muda na prática:
Imagem: William R
OLED
• Contraste infinito e pretos absolutos
• Tempo de resposta ~0,03 ms, ideal para FPS competitivos
• Risco de burn-in mitigado em novos painéis com algoritmos de proteção
• Brilho máximo menor que Mini LED, mas melhor uniformidade
Mini LED
• Brilho acima de 1 000 nits, ótimo para HDR em ambientes muito iluminados
• Sem burn-in, porém blooming pode aparecer em cenas de alto contraste
• Geralmente preços ligeiramente mais baixos em polegadas equivalentes
Para quem joga no escuro ou edita vídeo, o OLED ainda brilha (literalmente). Já profissionais que trabalham sob luz forte podem preferir Mini LED.
O que esse crescimento significa para seu setup?
• Mais opções e preços competitivos: com maior escala, a tendência é ver monitores OLED 27” abaixo dos R$ 4 000 em promoções.
• Padrão de mercado: games otimizados para HDR e pretos profundos devem se tornar a norma, assim como já ocorre nos consoles.
• Ecossistema em expansão: placas de vídeo da série Nvidia RTX 40 e AMD Radeon RX 7000 já saem prontas para 240 Hz em 1440p — combinação perfeita para OLED.
Olho no futuro
A TrendForce projeta outro salto de dois dígitos em 2025, impulsionado por painéis híbridos OLEDoS (destinados a headsets de realidade mista) e a chegada de monitores 4K 240 Hz. Se você estava esperando o momento certo para aposentar o velho IPS, a concorrência de agora indica que os preços devem cair ainda mais nos próximos meses.
No fim das contas, o avanço de 65 % nas vendas não é só estatística: sinaliza que a tecnologia saiu do nicho entusiasta para se tornar nova referência de qualidade visual — seja para fechar aquele headshot no CS 2 ou para garantir correção de cor impecável no DaVinci Resolve.
Com informações de Hardware.com.br