Reservar um espaço de apenas três minutos para exibir um trailer no The Game Awards 2025 vai custar cerca de US$ 1 milhão. O valor, que pode parecer extravagante à primeira vista, coloca o evento de Geoff Keighley no mesmo patamar de grandes transmissões esportivas quando o assunto é retorno de audiência – e desperta discussões acaloradas entre publishers AAA, estúdios independentes e, claro, jogadores que acompanham cada anúncio esperando o próximo grande lançamento.
O “Super Bowl” dos videogames
Em 2024, a premiação alcançou 154 milhões de visualizações ao vivo somadas entre YouTube, Twitch, Steam e TikTok – um salto de 31 % em relação a 2023. Só no YouTube foram 14 milhões de espectadores simultâneos, número próximo ao pico de muitos eventos esportivos globais. Para efeito de comparação, um comercial de 30 segundos no Super Bowl LVIII custou US$ 7 milhões; já nos TGA, cada segundo sai por algo em torno de US$ 5,5 mil. O CPM (custo por mil impressões) acaba competitivo para publishers que buscam buzz internacional instantâneo.
Alcance massivo motiva o investimento
Para gigantes como Sony, Microsoft e Tencent, a conta fecha rapidamente: o trailer pode resultar em milhões de pré-vendas, subir ações em bolsas e monopolizar as redes sociais durante a madrugada. Em uma hipotética campanha, bastaria converter 17 mil cópias de um jogo vendido a US$ 60 para recuperar o gasto com o slot publicitário – número irrisório perto do público da transmissão.
Quem paga e quem fica de fora
Enquanto algumas vagas são gratuitas – reservadas por Keighley para indies que “somam narrativa ao show” –, a imensa maioria é paga. Isso gera críticas de estúdios menores, que se sentem preteridos em uma premiação cujo mote é celebrar a criatividade e a diversidade da indústria. Na prática, a seleção torna o palco um desfile de títulos AAA, trailers cinematográficos e colaborações multibilionárias.
Impacto para jogadores e mercado
Para o público, o modelo significa trailers mais caprichados, com sequências em 4K, ray tracing a todo vapor e – quando pertinente – suporte a tecnologias como DLSS 3.5 e FSR 3. Se você planeja montar ou atualizar seu setup gamer, vale ficar atento: títulos que pagam caro para aparecer costumam exigir hardware de ponta para rodar com todas as configurações no máximo. Em outras palavras, quem acompanha o TGA já sai com a lista de desejos de GPUs, CPUs e periféricos atualizada.
Imagem: William R
Ingressos que pesam no bolso dos indicados
O alto custo não termina nos holofotes. Cada indicado nas categorias principais recebe dois ingressos cortesia. Assentos extras custam US$ 300 por pessoa, mesmo valor cobrado ao público geral. O estúdio francês Sandfall Interactive, responsável por Clair Obscur: Expedition 33, desembolsou 300 dólares por bilhete adicional para levar mais membros da equipe. Em 2023, um designer relatou ao Kotaku ter gasto cerca de US$ 700 do próprio bolso para não perder a cerimônia. Para desenvolvedores fora dos EUA, somam-se ainda passagens, hospedagem em Los Angeles e a variação cambial – um obstáculo e tanto para quem luta por visibilidade.
No fim das contas, o The Game Awards se consolida como vitrine global onde tempo é literalmente dinheiro – mas também como termômetro para prever as próximas tendências de hardware, gráficos e experiências que chegarão aos nossos PCs e consoles.
Com informações de Hardware.com.br