A Meta apertou o freio no seu projeto mais ambicioso de realidade mista. Batizado internamente de Phoenix, o headset — que vinha sendo apontado como a resposta direta ao Apple Vision Pro — agora só deve chegar ao mercado no primeiro semestre de 2027. O novo cronograma foi revelado em memorandos obtidos pela Business Insider, indicando que o preço ainda elevado do hardware e a necessidade de refinamentos técnicos pesaram na decisão.
Por que o delay importa?
Em 2023, a companhia mostrou que ainda domina o segmento de VR com o Meta Quest 3, mas a corrida por um dispositivo realmente “tudo em um” — capaz de alternar entre VR e AR com conforto — ganhou novos capítulos quando a Apple divulgou o Vision Pro por US$ 3.499 (cerca de R$ 18.000). Adiar o Phoenix significa que a Meta pretende evitar um lançamento às pressas e, principalmente, com preço proibitivo para o consumidor médio, público que historicamente impulsiona as vendas da marca.
O que já sabemos sobre o Phoenix
- Formato híbrido: design semelhante a goggles, com visor amplo e power puck — um módulo de bateria externo conectado por cabo, solução que reduz o peso sobre o rosto.
- Sensores de última geração: câmeras coloridas de alta resolução para passthrough, rastreamento ocular e facial, além de sensores de profundidade.
- Ecossistema Meta: total integração com Horizon Worlds, apps de produtividade e jogos já otimizados para o Quest 3, ampliando a biblioteca disponível no lançamento.
Visão de mercado: preço versus experiência
Nos bastidores, o Phoenix teria ultrapassado o teto de custo definido pela divisão Reality Labs. Para efeito de comparação, o Vision Pro exige materiais premium (micro-OLED de 4K por olho, sensores LiDAR, moldura de alumínio) que encarecem o produto. A Meta, em outra ponta, sempre usou componentes mais acessíveis para manter valores competitivos: Quest 2 saiu por US$ 299 e o Quest 3 por US$ 499 no exterior. A meta — sem trocadilhos — é entregar algo robusto, mas que não ultrapasse a faixa dos mil dólares.
Impacto para gamers e criadores
Para quem pensa em atualizar o setup de realidade virtual, o meta-jogo mudou. A demora do Phoenix dá mais fôlego aos headsets já no mercado. Itens como o Quest 3, que traz chip Snapdragon XR2 Gen 2, refresh rate de 120 Hz e lentes pancake, continuam sendo a porta de entrada mais equilibrada entre preço e performance. Criadores de conteúdo podem esperar ainda mais recursos de captura de movimentos faciais e integração com aplicativos de produtividade no futuro Phoenix, mas a atualização só virá daqui a três anos.
Metaverso em modo “pés no chão”
Desde 2022 a Meta tem cortado custos no Reality Labs; os memorandos citam redução de até 30 % no orçamento para projetos de metaverso. A palavra de ordem é sustentabilidade. Maher Saba, vice-presidente da unidade, justificou que o prazo maior “dá margem para acertar detalhes e entregar uma experiência mais consistente”.
Outros projetos na gaveta
Além do Phoenix, surgiram menções a um wearable chamado Malibu 2 — possivelmente óculos inteligentes focados em áudio e assistente de IA — e à recente compra da Limitless, responsável pelo Pendant, um acessório de IA generativa. Esses movimentos indicam que o portfólio futuro da Meta deve ir além dos visores tradicionais, abraçando dispositivos menores e integrados ao dia a dia.
Imagem: Internet
E agora, vale esperar?
Se o seu objetivo é experimentar XR hoje, mouses, teclados e placas de vídeo já aproveitam APIs como OpenXR para entregar experiências mais imersivas em jogos de PC com Quest 3, Pico 4 ou Valve Index. Porém, quem busca qualidade de imagem comparável ao Vision Pro — ou uma solução leve com bateria no bolso — terá que acompanhar pacientemente o desenvolvimento do Phoenix até 2027.
No curto prazo, o adiamento sinaliza uma nova fase de pragmatismo na indústria: melhor esperar pelo componente certo e um preço viável do que lançar “o gadget mais caro da sala”. Mais detalhes técnicos devem surgir em 2025, quando os kits de desenvolvimento começarem a circular.
Com informações de Mundo Conectado