O Banco Central (BC) colocou no ar, no fim de 2023, um serviço que promete reduzir drasticamente as fraudes de identidade no sistema financeiro brasileiro. Trata-se do BC Protege+, um bloqueio voluntário que cidadãos e empresas podem ativar para que nenhum banco — nem fintechs — consiga abrir contas usando CPF ou CNPJ sem autorização.
Por que isso importa para você?
Cada vazamento de dados expõe seu CPF a criminosos que criam contas laranjas para movimentar dinheiro de golpes, cobrar empréstimos ou contratar cartões de crédito. O BC Protege+ age como um “cadeado mestre”: se o bloqueio estiver ligado, a instituição financeira é legalmente obrigada a encerrar o processo de abertura de conta. Na prática, é mais uma camada de proteção ao lado de senhas fortes, autenticação em dois fatores e antivírus — itens que já viraram o “kit básico” de cibersegurança pessoal.
Como o BC Protege+ funciona na prática
Quando você ativa a proteção, o CPF ou CNPJ entra em uma lista de consulta obrigatória no Sistema Financeiro Nacional. Antes de aprovar qualquer nova conta corrente, poupança ou carteira digital pré-paga, o banco consulta o sistema do BC:
- Bloqueio ativo: abertura é barrada automaticamente.
- Bloqueio inativo: processo segue o fluxo normal de análise de documentos.
A única exceção é a conta-salário, que pode ser criada mesmo com a trava ligada para garantir o pagamento de salários e benefícios.
Pré-requisitos para ativar
Todo o processo é on-line, mas exige que você tenha uma conta Gov.br nível prata ou ouro. Esses níveis pedem reconhecimento facial ou validação de dados bancários, o que garante maior confiabilidade da identidade.
Tutorial passo a passo
O procedimento leva menos de cinco minutos — é mais rápido do que configurar um mouse gamer RGB:
- Acesse o portal Meu BC e clique em “Entrar com Gov.br”.
- Faça login com sua conta Gov.br (prata ou ouro).
- No menu, selecione BC Protege+.
- Clique em “Proteção desativada” para ligar o bloqueio.
- Confirme a operação. O status muda imediatamente para “Proteção ativa”.
Quero pausar ou desligar o bloqueio. E agora?
No mesmo painel, você pode desativar o BC Protege+ por tempo indeterminado ou definir uma data para reativação automática. Isso é útil se você planeja abrir uma nova conta e quer evitar transtornos na agência ou no app do banco.
Imagem: Internet
Empresas também podem (e devem) usar
Para CNPJ, o representante legal precisa estar vinculado ao módulo de empresas do Gov.br, igualmente em nível prata ou ouro. Depois, basta escolher o CNPJ na lista e acionar a proteção. O processo é idêntico ao de pessoa física e impede que golpistas criem contas PJ em nome da sua companhia — algo que poderia manchar a reputação e complicar a contabilidade.
BC Protege+ x Registrato: qual a diferença?
O Registrato, também do Banco Central, já permitia consultar onde o seu CPF tem conta, empréstimo ou chaves Pix ativas. A novidade do BC Protege+ é o caráter preventivo. Em vez de descobrir o golpe depois do estrago, você bloqueia a tentativa de fraude na origem.
Dicas extras de segurança financeira
Ativar o BC Protege+ é parte de uma estratégia maior:
- Mantenha o monitoramento de crédito ativo em bureaus como Serasa ou Boa Vista.
- Use apps autenticadores físicos — muitos custam pouco na Amazon e adicionam MFA até em contas bancárias que aceitam protocolo TOTP.
- Jamais compartilhe senhas ou códigos de SMS. Se possível, migre para chaves de segurança FIDO quando disponíveis.
Fraudes financeiras evoluem rápido, mas os mecanismos de defesa também. Com o BC Protege+, você ganha mais controle sobre seu CPF e CNPJ, evitando dores de cabeça — e economizando tempo que poderia ser investido testando aquele novo teclado mecânico RGB ou afinando seu setup gamer.
Com informações de Mundo Conectado