A AMD acaba de colocar mais lenha na disputa por aceleradores profissionais de inteligência artificial. Em documentos oficiais e na última leva de drivers, surgiram três modelos inéditos: Radeon Pro W7900D, Radeon AI Pro 9600D e Radeon AI Pro 9700S. A estratégia é clara: entregar potência de cálculo local – especialmente em países sob restrições comerciais – sem abrir mão de recursos de nível data center, como ECC, larga banda de memória e suporte a inferência de IA.
Radeon Pro W7900D: mesma alma Navi 31, fôlego ajustado
A letra “D” não é mero enfeite: ela indica uma versão “dialed-down” para manter a placa abaixo das barreiras de exportação dos EUA. Por dentro, a W7900D replica praticamente toda a ficha técnica da W7900 clássica:
- GPU Navi 31 com 96 Compute Units (6.144 stream processors)
- 96 MB de Infinity Cache
- Barramento de 384 bits alimentando 48 GB de GDDR6 ECC
A diferença está no clock reduzido, que limita o throughput a cerca de 54 TFLOPS FP32 – contra ~61 TFLOPS do modelo original. Isso coloca a placa abaixo dos limites impostos pelo Departamento de Comércio dos EUA, liberando sua venda em mercados como a China sem pedir licença especial.
Por que 48 GB de VRAM interessam a criadores e cientistas de dados?
Modelos de linguagem, renderização complexa e simulações científicas adoram memória de sobra. Os 48 GB da W7900D rivalizam com soluções de classe workstation como a Nvidia RTX 6000 Ada, mas entregam a vantagem extra do Infinity Cache, que reduz latências internas e garante largura de banda efetiva superior em cargas repetitivas de IA.
Para estúdios de VFX, universidades e laboratórios que não podem (ou não querem) rodar tudo na nuvem, a nova Radeon se apresenta como um atalho legal: mantêm-se os dados sensíveis em casa, sem violar sanções internacionais.
Radeon AI Pro 9600D e 9700S: nomes novos, missão familiar
A dupla apareceu apenas em IDs de driver, mas a nomenclatura sugere substitutas das atuais Radeon Instinct/Pro voltadas a IA. O sufixo D repete a lógica “baixo do radar”, enquanto o S costuma marcar versões Entry com foco em eficiência energética – ideais para quem quer empilhar várias GPUs num mesmo servidor 2U.
Mesmo sem especificações oficiais, a expectativa do mercado é que ambas usem chips RDNA 3 otimizados para inferência em FP16/BF16, recursos de tensor acceleration e drivers certificados para frameworks como PyTorch e TensorFlow.
Comparativo rápido: como fica frente à Nvidia?
Numa linha reta, a W7900D deve brigar com a RTX Ada 6000 em preço/GB e largura de banda. A Nvidia ainda leva vantagem em ecosystem (CUDA, cuDNN, TensorRT), mas a AMD avança com o ROCm 6.0, que finalmente trouxe instalação simplificada e suporte oficial ao Windows 11.
Imagem: William R
Para workloads puros de renderização (Octane, Blender Cycles), os 96 MB de cache da AMD tendem a oferecer ganhos palpáveis em cenas que não cabem completamente na VRAM concorrente. Já em IA generativa, a balança pesa conforme a biblioteca: projetos OpenAI e Meta, por exemplo, já oferecem builds otimizadas para ROCm.
O que isso significa para você?
Se seu estúdio, universidade ou startup precisa rodar modelos de IA localmente — seja para cortar custos de nuvem ou manter dados sensíveis in-house —, a nova linha Radeon Pro “D” chega como uma alternativa viável, legalmente exportável e com 48 GB de VRAM prontos para grandes lotes de parâmetros.
Para quem analisa upgrade de workstation, vale monitorar o preço oficial e os primeiros benchmarks. A W7900 clássica já aparece no varejo norte-americano na faixa de US$ 3.500; se a W7900D mantiver valor semelhante, pode oferecer um “me gás a menos” de clock em troca da tranquilidade regulatória — negócio atraente para mercados restritos.
A AMD ainda não confirmou data de lançamento nem MSRP, mas a presença nos drivers indica anúncio formal nas próximas semanas. Até lá, ficamos de olho nos vazamentos e, principalmente, nas ofertas que devem pipocar assim que as placas desembarcarem em lojas internacionais.
Com informações de Hardware.com.br