O mês de setembro de 2025 marcou um ponto de virada para a mobilidade no país: 21.515 veículos leves eletrificados foram emplacados, novo recorde absoluto e um salto de 62 % em relação ao mesmo mês de 2024. Com isso, os modelos elétricos e híbridos já representam 9,3 % de todas as vendas de automóveis leves no Brasil — uma fatia que, até pouco tempo, parecia distante.
Por que isso importa?
Em um mercado onde o preço do combustível fóssil sobe sem trégua e as metas ESG ficam cada vez mais rígidas, o crescimento dos eletrificados sinaliza duas tendências fortes:
- Custo total de propriedade (TCO) mais baixo: mesmo com preço inicial maior, a manutenção simplificada e o “abastecimento” na tomada pesam menos no bolso ao longo de cinco anos.
- Frotas corporativas eletrificadas: empresas de logística, delivery e até grandes varejistas já descobriram que rodar a bateria reduz emissões e barulho — sem falar em marketing verde grátis.
Números que ligam o alerta nas montadoras
De janeiro a setembro, 147.602 unidades eletrificadas (BEV, PHEV, HEV e HEV Flex) foram vendidas — crescimento de 20,4 % frente a 2024. Desse total, os modelos plug-in (BEV + PHEV) respondem por 76 %, reflexo direto da enxurrada de lançamentos de marcas recém-chegadas (Zeekr, Omoda Jaecoo, GAC, Geely) somadas a gigantes tradicionais como GM e BYD.
PHEV lideram, mas BEV encostam
No recorte de setembro:
- PHEV: 8.194 unidades (38 %). Crescimento de 68 % ano a ano.
- BEV: 8.169 unidades (38 %). Avanço de 74 % frente a 2024.
- HEV/HEV Flex: 5.152 unidades (24 %), com os flex subindo 86 % em 12 meses.
Traduzindo: o híbrido plug-in ainda é a porta de entrada preferida, mas o carro 100 % elétrico já encosta — principalmente em centros urbanos onde a rede de recarga cresce mais rápido.
O mapa da eletrificação no Brasil
Sudeste segue na pole position (46,8 % das vendas), com São Paulo sozinho respondendo por quase um terço dos emplacamentos nacionais. O Sul (18,7 %) e o Nordeste (16,2 %) mostram tração acima da média, impulsionados por incentivos estaduais de IPVA e programas de isenção de rodízio.
Frotas corporativas puxam a fila
Segundo a ABVE, as empresas já emplacaram 1.642 veículos comerciais leves eletrificados entre janeiro e setembro, alta de 51 %. No comparativo de dois anos, o salto impressiona: +271,5 %. Plataformas como o e-Fast Brasil (WRI + ABVE) conectam montadoras, operadores logísticos e governos para acelerar a infraestrutura de recarga em centros de distribuição.
Imagem: Internet
Quais modelos ganham destaque?
A guerra de preços iniciada pelos chineses elevou a régua do segmento de entrada. BYD Dolphin, GWM Ora 03 e JAC e-JS1 já são encontrados abaixo dos R$ 150 mil. No universo PHEV, Jeep Compass 4xe e Volvo XC60 Recharge dominam as faixas intermediária e premium, enquanto o Tesla Model Y – recém-homologado – mira compradores de SUVs elétricos acima de R$ 300 mil.
O que esperar para 2026?
Especialistas projetam que a participação dos eletrificados ultrapasse 15 % até o fim de 2026, caso se mantenha o ritmo atual de expansão da rede pública de carregamento (hoje em torno de 3.500 pontos). Além disso, o debate sobre um possível IPI verde escalonado pode reduzir ainda mais o preço final — e forçar montadoras tradicionais a trazerem, finalmente, versões elétricas de best-sellers como Onix e HB20.
Para o consumidor, a equação começa a fazer sentido: menor custo por quilômetro, manutenção quase sem trocas de óleo e a possibilidade de carregar o carro em casa como se fosse um smartphone gigante. Se você já cogita entrar na onda, vale ficar de olho nos incentivos estaduais, no preço do kWh na sua concessionária e, claro, nas constantes promoções relâmpago que as montadoras vêm anunciando.
No fim do dia, o boom elétrico não é apenas um dado de mercado — é um sinal claro de que a indústria automotiva brasileira entrou, de fato, na tomada.
Com informações de Olhar Digital